segunda-feira, 29 de março de 2021

Condecoraçào francesa para um pracinha

General René Michel em visita ao Hospital Central do Exército (1945), condecora com a Medalha "Cruz de Guerra Francesa" com palma, o soldado da FEB que foi gravemente ferdo em combate, em nome do General De Gaulle.

Fonte:Arquivo Nacional.
face: Imortais Combatentes da FEB

domingo, 14 de março de 2021

Sd Aramis Guimarães - FEB

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Nasceu em 20 de Janeiro de 1922 e era o Filho mais velho de pecuaristas, deixou a fazenda em Ponta Porã para se alistar pelo 9º BE ComB em Aquidauna-MS
Foi sapador mineiro na Itália, servindo no período de 22/09/44 a 17/09/45. O sapador é um soldado que desempenha uma variedade de tarefas.. Entre as suas tarefas específicas mais comuns incluem-se as ações de minagem e desminagem, as demolições, a construção de fortificações de campanha, a construção de pontes e outras construções gerais. Quando retornou ao Brasil, foi internado por 2 anos em um Hospital Psiquiátrico. Morou em Campo Grande e tornou-se pecuarista. Casou, teve 3 filhos.
Apesar de ter enfrentado os alemães na Campanha da Força Expedicionária Brasileira, foi derrotado por um câncer aos 69 anos de idade.
Poucos dias antes de falecer, recebeu a visita de seu colega de farda, o Agostinho:
- Aramis, você já enfrentou inimigos piores!
E meu pai:
- Contra esse eu não tenho forças!
Faleceu dia 30 de Abril de 1991
Ele foi agraciado com a medalha de Campanha, e a Cruz de Combate de 1ª Classe.

Fonte e matéria
Portal FEB
Enviado por Analice Silva Guimarães Guerra Amarilho.

domingo, 7 de março de 2021

Ex Combatentes do Estado da Guanabara

Antiga medalha da Associação Nacional dos Ex Combatentes do Estado da Guanabara.
Fabricante Randal.
A Guanabara foi um estado do Brasil de 1960 a 1975, que existiu no território correspondente à atual localização do município do Rio de Janeiro.
(acervo O Resgate FEB)
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domingo, 28 de fevereiro de 2021

Preparação para guerra na Itália

Soldados da FEB são fotografados no treinamento no Brasil, possivelmente no Rio de Janeiro em 21/03/1944. A intenção era mostrar a força física dos homens.
Soldados fazem exames médicos na Vila Militar em 21/03/1944
Fotos: Agência Nacional

V da Vitória

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domingo, 21 de fevereiro de 2021

Famula da Associação dos Ex Combatentes de Belo Horizonte

Famula antiga da Associação dos Ex Combatentes de Belo Horizonte, fabricada pelo " O Mundo das Flamulas ", Rua Caetés - BH.
O soldado em posição de combate o mesmo do monumento em homenagem aos pracinhas de BH, que hoje se encontra no Museu e Associação da FEB na Rua dos Tupis 723-Centro, tem uma bela  frase escrita, 
"Sejam os vivos dignos dos mortos, que tendo a guia-los a imagem da pátria distante, lutaram até o fim pela tradição dos seus antepassados, a honra da nação e o ideal de liberdade."
(acervo O Resgate FEB)

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domingo, 14 de fevereiro de 2021

MP da FEB João Gueldini.

 O DIA EM QUE UM GUARDA-CIVIL SALVOU UM PRACINHA DA EXECUÇÃO POR NAZISTAS NA ITÁLIA E FOI MULTAD0....

Nascido em Leme, cidade do interior de São Paulo, em 10 de outubro de 1919, João Gueldini, filho de Tereza Nava e Pedro Gueldini, o 7º de 11 irmãos, foi mais um dos heróis de nossa gloriosa Força Expedicionária Brasileira. Já moço, como bom jovem, partiu para conquistar seu espaço no mundo. Em 1937, então com 18 anos, ingressou na Polícia Militar do Distrito Federal, no Rio de Janeiro (hoje, PMERJ), permanecendo por cinco anos na Instituição. Durante esse período serviu em Unidade Histórica daquela Instituição, que inclusive combatera na Guerra do Paraguai bem como no Regimento de Cavalaria. Após se desligar da PMDF, teve breve passagem pela Marinha Mercante, retornando ao Estado de São Paulo, instalando-se em sua Capital, trabalhando em uma padaria no Largo do Arouche, na área central. Em 1942 e 1943 participou da Corrida de São Silvestre, ainda durante a fase em que só atletas brasileiros competiam, conquistando, respectivamente, a 126º e 58º colocações. Em agosto de 1942, o Brasil declarou guerra ao Eixo (Alemanha nazista e Itália fascista), em decorrência dos vários afundamentos de navios mercantes brasileiros. Por vocação e voluntariamente, mesmo em período de guerra, no dia 07 de agosto de 1943, Gueldini ingressou na Guarda Civil Bandeirante, sendo designado como guarda de 4ª Classe durante o período em que cursou a Escola de Polícia. A recém-formada FEB- Força Expedicionária Brasileira necessitaria de uma tropa especial, um Pelotão de MP- Military Police (Polícia Militar) para fiscalização do efetivo brasileiro (e, secundariamente, dos demais Aliados), além de inúmeras outras funções específicas de Polícia em terras estrangeiras. A Polícia Militar da FEB estaria ligada diretamente ao Quartel General da 1º DIE- Divisão de Infantaria Expedicionária da FEB, da qual era parte integrante. No Estado de São Paulo, o segmento fardado responsável pela Segurança Pública era exercido pela Força Pública e Guarda Civil. Além das atividades policiais de rotina, a declaração de guerra exigiu atenção especial por parte das duas Instituições. Enquanto ambas cuidavam da defesa interna do Estado, o comandante da FEB, general Mascarenhas de Moraes (fora comandante da 2ª Região Militar em 1943- atual Comando da 2ª Região Militar, na Capital), solicitou ao Interventor Paulista (Governador do Estado) Fernando Costa, mais uma incumbência à Guarda Civil. A proposta versava sobre a formação de um Pelotão do MP- Military Police (Polícia Militar) da FEB, nos moldes da já consolidada MP norte-americana, com membros da Guarda Civil Paulista. Com efetivo de 4.051 homens, distribuídos em São Paulo, Santos e destacamentos em Campinas, Ribeirão Preto, Sorocaba e Bauru. Na prática, compunham-na pouco mais de 3.000 policiais. Voluntariaram- se mais de 700 guardas-civis para a realização dos rigorosos exames da junta médica, no Hospital do Exército, no bairro do Cambuci (ainda existente, no mesmo local). João Gueldini foi um dos 80 selecionados, que comporiam a Polícia Militar da FEB. O Pelotão de Polícia Militar, após treinamento na cidade do Rio de Janeiro, embarcou com o 1º Escalão da FEB em 02 de julho de 1944. Nesse primeiro grupo foram mais de 5.000 guerreiros transportados pelo navio americano General Mann. No total, cinco Escalões levaram aproximadamente 25.500 pracinhas à Itália até o início de fevereiro de 1945, lutando ao lado das Nações Unidas, durante a II Guerra Mundial. “Pracinha” era o termo carinhoso pelo qual os brasileiros chamavam os integrantes da FEB. A Polícia Militar da FEB, única tropa composta exclusivamente de voluntários, durante o deslocamento do General Mann, pelas perigosas águas do Atlântico, foi a única tropa brasileira a trabalhar a bordo do Mann. Aos membros do “MP” permitia-se a circulação sobre o convés do transportador, pois os demais pracinhas só podiam sair dos apertados alojamentos quando autorizados (durante alimentação, em esquema de rodízio, em treinamentos sobre ataque do inimigo ou afundamento do navio por submarinos alemães etc.). O 1º escalão da FEB aportou na destruída Nápoles- Itália no dia 16 de julho de 1944. O soldado Gueldini, do MP- Military Police, já na Itália, após 2 meses de serviços em pontes e outras atividades, foi transferido à Cia de Comando e Serviço do Quartel General da FEB, servindo no EM -Estado- Maior. Poderíamos supor que sua nova função fosse mais tranquila, mas não o era. Como geralmente os guardas-civis eram motoristas experientes, pois realizavam o policiamento ostensivo com viaturas em São Paulo, nosso protagonista recebeu um Jeep como carga. Tinha a incumbência de transportar os oficiais superiores (majores, tenentes-coronéis e coronéis) para o limite máximo da linha de frente, em contato direto com o inimigo. Tais oficiais do EM colhiam informações e as retransmitiam ao Estado- Maior, que, após análise, estudavam as melhores estratégias para o avanço de nossas tropas. Após período de adaptação e treinamento de nossos soldados em terreno italiano, o dia 15 de setembro de 1944 marcou o início efetivo da luta dos brasileiros contra o nazifascismo. 05 de novembro de 1944. Como de costume, o soldado Gueldini preparou sua viatura Jeep para uma nova missão. Conduziria dois oficiais superiores do II Batalhão do 6º Regimento de Infantaria (hoje, 6º BIL- Batalhão de Infantaria Leve, com sede em Caçapava-SP). Eles fariam o levantamento de determinado setor de batalha. Chegando ao ponto de observação, os oficiais desembarcaram da viatura e foram analisar o terreno. Encostaram bem próximos a três blindados americanos, que, ininterruptamente, “cuspiam fogo” sobre as posições germânicas, protegidas por casamatas (abrigo subterrâneo fortificado), distantes em torno de 400 metros. Tudo que se movimentava era agraciado com os projéteis lançados pelos tanques ianques. Acompanhava aquele show pirotécnico o soldado João Gueldini. Em um dos disparos contra as posições nazistas, após a poeira baixar, literalmente, notou uma debandada de alemães, que fugiam para não serem outra vez molestados pelos disparos. João, como bom “Polícia”, curioso e inquieto por natureza, foi averiguar o que seu “tirocínio” dizia. A pé e sem autorização, sacou do coldre a pistola Cal. 45, arma padrão dos membros do MP-Military Police. Com seus sentidos aguçados, correndo, foi se aventurar na “terra de ninguém”, área inabitada entre os opositores mortais, desviando-se das crateras anteriormente produzidas pelas bombas. Batimentos cardíacos mais fortes... O suor não respeitou o frio do outono europeu. 100 metros avançados e progredindo no terreno... 250 metros... E o som interminável dos gigantes de aço, vociferando a morte. 350 metros... Talvez pensasse na distante e interiorana Leme, sua Terra Natal, ou de papai e seus conselhos, dos irmãos, de Dona Teresa... Naquele momento era apenas uma máquina de guerra, um brasileiro contra os nazifascistas, um animal racional feroz prestes a abater suas presas! 390 metros... A casamata atingida há poucos passos. A pistola, extensão de seu corpo. Olhos atentos, pupilas dilatadas. O cheiro de pólvora e de carne queimada do pútrido ar. O silêncio, momentâneo, ao mesmo tempo ameaçador e ensurdecedor. O que fora uma casamata está agora com ferros retorcidos, concreto em ruínas e coberto por um pó enegrecido. Adentrou... Encontrou uma cena pavorosa. Coberto de poeira viu (pelas insígnias) um oficial ou suboficial alemão muito ferido. A seu lado, outro alemão, em idêntica situação, ensanguentado, porém, morto. Agora a surpresa. No canto da casamata estava um pracinha, vivo, sem ferimentos, porém, amordaçado. O prisioneiro, ao ver a presença do soldado Gueldini, imagem salvadora, começou a gritar que era brasileiro, do 6º RI. A “sortuda vítima”, na noite anterior, quando em patrulha, fora capturado pelos germânicos. Permanecera durante a noite e o dia amarrado, ao lado de seus algozes. Para desespero do “soldado sequestrado”, os nazistas encobriram-no totalmente com óleo, certamente, não com boas intenções, mas com o propósito de queimá-lo... Com certeza, o pracinha preso ficou muito assustado com a bomba que atingiu a casamata, não morrendo por milagre. Aliás, outros obuses poderiam novamente atingir o local em que se encontrava inerte, o que poderia causar sua morte com a explosão ou mesmo torrado pelo óleo. Após libertar aquele pracinha, passou a cuidar dos ferimentos do tedesco (nome pelo qual os pracinhas brasileiros chamavam os alemães), providenciando-lhe socorro. Em agradecimento, o alemão ferido o presenteou com uma pistola belga, calibre 22. Em regra, os soldados brasileiros, e, em especial, os Polícias, como eram chamados os MP-Military Police, tratavam os prisioneiros de guerra de acordo com os princípios estabelecidos na Convenção de Genebra. O soldado Gueldini ainda recolheu um fuzil alemão com luneta, provavelmente, utilizado por um “sniper” germânico. Nosso protagonista, ao retornar na posição dos tanques americanos, o major brasileiro, um dos oficiais que transportara para o front, advertiu-o, pois, se deslocou sem autorização e sem o devido apoio, invadindo terreno inimigo, colocando sua própria vida em risco. No dia seguinte, 06 de novembro de 1944, nova missão. Transportou para a fronte o então tenente-coronel Humberto de Alencar Castelo Branco (futuro general e Presidente do Brasil) e o major Luiz Tavares da Cunha Mello (futuro general de brigada do Exército). Em Valpara, próximo de Monte Castelo (ponto da famosa conquista brasileira, que tanto vitimou nossos soldados), por volta das 15h, granadas de 88 milímetros foram lançadas pela artilharia nazista contra seu Jeep. Estilhaços de uma delas caíram ao seu lado, atravessaram o assoalho da viatura, atingindo gravemente seu braço e perna esquerdos. Com o forte deslocamento do ar teve sangramento pelos olhos, ouvidos e nariz. Momento de pânico, e as bombas insistentes. Como os oficiais não eram familiarizados com a condução daquele tipo de veículo, que requeria habilidade especial, conduziu-o com muita dificuldade apenas com o braço direito. Alcançou à distância um hospital americano de campanha, salvando os oficiais, que se feriram levemente. Com a grande perda de sangue, desmaiou, permanecendo desacordado por seis dias. Sobre esse fato, também uma grande aventura, será relatado em outra oportunidade. Como ficou desaparecido pelo comando da FEB, acabou realizando parte do tratamento médico em Miami- EUA. Retornou para o Brasil após o final da guerra, em 1945, passando primeiro por Natal- RN e depois pelo Rio de Janeiro-RJ. Na Vila Militar, na Cidade Maravilhosa, recebeu inúmeras condecorações: 1. Diploma por Ferimento em Ação: sofridos em ação, no dia 06 de novembro de 1944, em Volpara, na Itália, assinada pelo então general Mascarenhas de Moraes, comandante da FEB. 2. Medalha de Campanha: por ter, como integrante da Força Expedicionária Brasileira - FEB, participado por ações de guerra no Teatro da Itália, assinada pelo então Ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra (próximo Presidente eleito do Brasil, em 1946); e 3. Medalha Sangue do Brasil: pelos ferimentos no Teatro de Operações de Guerra, na Itália, em 06 de novembro de 1944, assinada pelo então Ministro da Guerra, general Canrobert Pereira da Costa. Mais uma surpresa aguardava o soldado Gueldini durante a Solenidade. O coronel Castelo Branco e o tenente-coronel Cunha Mello, recém-promovidos, reconheceram-no e muito festejaram por sua vida. Graças a sua perícia ao volante (durante o bombardeio ao Jeep em que eram transportados, no dia 06 de novembro de 1944), suas vidas foram salvas. Cunha Matos guardara o fuzil alemão e a pistola belga, pois imaginou por um tempo que o “Polícia” estivesse morto (tanto que foi parar nos EUA para tratamento). Aproveitou a ocasião para devolver os armamentos ao seu legítimo dono, o soldado Gueldini. Em consequência dos graves ferimentos sofridos em combate, já no Brasil, no dia 25 de março de 1946 foi considerado inapto para o serviço policial, sendo, compulsoriamente, aposentado, no cargo de Subinspetor da Guarda Civil. Em 1970, já com os efetivos da Força Pública e da Guarda Civil somados na Polícia Militar Paulista, alcançou o posto de 2º tenente da PMESP. 35 anos após o término da guerra, 1980, o 2º tenente PMESP João Gueldini doou o fuzil alemão (aquele apreendido no dia 05 de novembro de 1944, no interior da casamata) ao 2º BPChq- Batalhão de Choque, Unidade que carrega o DNA daqueles bravos formadores do MP- Military Police. Trata-se de um armamento modelo 98K, nº 50.914, da Divisão Von Rommel. Hoje o fuzil alemão, emoldurado em vidro, abrilhanta a Sala do Comandante do 2º BPChq, sob o olhar atento da Galeria de ex- Comandantes do Batalhão, estando, no ponto mais alto, em destaque, a imagem do marechal Mascarenhas de Moraes, comandante da FEB. O militar empresta seu nome à Unidade: 2º BPChq- “Marechal Mascarenhas de Moraes” Os integrantes do Pelotão da Polícia Militar da FEB foram à gênese da criação da PE- Polícia do Exército, tradicional organização do EB- Exército Brasileiro. Por fim, logo que voltou dos EUA, após tratamento médico em Miami-EUA, o soldado João Gueldini foi receber os salários atrasados a que tinha direito. Acumularam-se, pois era dado como extraviado (desaparecido) em combate. Ao sacar o valor, observou que havia um desconto, de montante razoável para a época. Durante a Segunda Guerra Mundial, excepcionalmente, quando os militares cometiam alguma transgressão disciplinar não sofriam medidas privativas de liberdade (prisão). Em contrapartida, era descontado de seu salário um determinado percentual, conforme a falta. Lembrou-se do dia 05 de novembro de 1944, quando esteve sozinho na casamata germânica, “sem autorização superior, colocando sua própria vida em risco”. Em decorrência de sua heroica ação, salvando um brasileiro e, humanitariamente, cuidando de um tedesco ferido, fora multado por ter se afastado do posto, sem autorização! Casou-se, em 1948, com Dona Angelina Deffende Gueldini, estabelecendo-se no bairro da Freguesia do Ó. Tiveram 5 filhos e 5 netos. Faleceu em 19 de maio de 2001, com 80 anos, sepultado no Cemitério de Saudade, em Guarulhos, cidade da Grande São Paulo. Dona Angelina se juntou a ele como uma estrela no céu... Sem dúvidas, a vida desse combatente poderia ser contada pela película de algum longa-metragem, valorizando a coragem, honra, o dever e o heroísmo de nossa gente brasileira.

João Gueldini
Diplomas recebidos.
Matéria do Tenente- Coronel da PMESP 
Sérgio Marques.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Missão cumprida - Senta a Pua

Medalha  Veteranos da Campanha da Itália - Senta a Púa, comemorativa de 30 anos da vitória na Segunda Guerra.Traz ao centro a imagem do Avestruz do Senta a Púa, sobreposto.
No reverso  o P-47 Thunderbolt 30 anos.
Medalha antiga e rara.
(acervo O Resgate FEB)
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domingo, 31 de janeiro de 2021

"Veterano" da Força Expedicionára Brasileira

Crônica publicada no Correio da Manhã, assinado apenas como “Veterano”, de janeiro de 1945. Esta publicação visa abranger o entendimento sobre questões que ainda geram dúvida em muitos brasileiros sobre o papel do soldado da FEB na Campanha da Itália. Não por acaso, a concepção errônea sobre o valor do nosso soldado na campanha da Itália se encerra quando o brasileiro é apontado com um especialista em patrulhas, mesmo depois das fracassadas investidas em Castelo, em novembro e dezembro de 1944. A contrário do que se possa imaginar, para uma soldado nascido e criado nos trópicos, muitos, inclusive, oriundos dos escaldantes sertões nordestino, combateram com destemor com pequenas frações sob temperaturas que chegavam a 20 graus abaixo de zero em algumas regiões no norte da Itália. O soldado brasileiro esteve na vanguarda do setor do Quinto Exército em toda a campanha da Itália, desde que chegou ao Teatro de Operações. Como diz o artigo abaixo: “O Soldado Brasileiro é lutador e Bravo na sua aparente frouxidão…”
Em uniforme de inverno, no mês de dezembro de 1944, patrulha da FEB se prepara para incursão às linhas alemãs
O Infante Brasileiro na Campanha de Inverno
Vi a primeira nevada cair na noite de Natal e logo pensei nos soldados. Pensei em todos, mas principalmente no infante. O infante do Brasil! Muitos se têm admirado dele. Eu confesso que não me surpreendeu. O infante do Brasil das campanhas platinas e dos chacos do Paraguai era exatamente como é o infante que combate na Itália. O valor deste infante está imortalizado na História Militar do Brasil. O valor dele nós conhecemos de sobra no país, sempre que é chamado a lutar. Não foi aqui na Itália que ele se revelou. O brasileiro é o homem que ninguém dá nada por ele; ele mesmo não se dá muito valor. O brasileiro é assim – por natureza – lutador e bravo na sua aparente frouxidão. Saiu do Brasil com os ouvidos cheios. O Alemão é o primeiro soldado do mundo. Viu o alemão pela frente e topou. Viu a neve e topou. Topou de cara. Topa tudo! Defendendo-se do frio – 17 graus negativos – lançando mão de todos os recursos de sua imaginação. Perfeitamente equipado para a campanha de inverno, então fica um número. Com uma bota de “pé de pato” e, na cabeça um gorro astrakan, visto no reflexo da neve, parece até um explorador polar. A guerra não para porque as planícies e as montanhas e os rios se transformam em gelo. Há máquinas gigantescas para desimpedir os caminhos. A engenharia trabalha dia e noite sob tempestades de neve para que o infante possa passar. o seu irmão artilheiro está atento, para ajudar e apoiar. a guerra não pára,  não pode parar por causa do frio. O alemão está lá em cima. Domina as estradas, impede a passagem – precisa ser desalojado – e será desalojado. . Mais cedo ou mais tarde terá ceder. O General Mascarenhas de Morais acaba de consagrar um louvor especial à infantaria em uma ordem do dia. “A arma”, diz ele, “do sacrifício, a arma em que a têmpera do guerreiro é posta à prova a todo momento, a arma que não admite no seu meio os tíbios, os desalentados, os incrédulo, a arma que exige a manifestação viril da nossa raça por uma causa que é a reabilitação do mundo escravizado”
Acrescenta o comandante da FEB: “sei que a brava gente de infantaria tem um chefe experimentado em ações de combate – General Zenóbio da Costa – cujo o lema é “para frente, custe o que custar!” Acompanhei as ações da Infantaria primeiramente no Vale do Serchio, e por último no seu atual setor , lançando-se impetuosamente, em condições desfavoráveis, num terreno hostil, contra alemães poderosamente defendidos e mascarados, no Monte Castelo. Claro que a FEB desempenha uma parte do esforço do Quinto Exército, e até agora nunca deixou de cumprir, dentro das possibilidades, as missões que lhe foram designadas. não tenho dúvida de que a Infantaria de SAMPAIO irá para a frente, custe o que custas!”.
Blog Francisco Miranda

domingo, 24 de janeiro de 2021

Bússola de pulso Segunda Guerra.

Bússola de pulso da marca TAYLOR americana com caixa em baquelite muito usada pelos paraquedista americanos na Segunda Guerra Mundial. Está marca de bussola foi entregue a FEB.

(acervo O Resgate)



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domingo, 17 de janeiro de 2021

Uma rendição sem igual

Esquadrão criado para ir à Segunda Guerra revive histórias do conflito


RIO - Na virada de 29 para 30 de abril de 1945, cerca de 200 brasileiros em 13 carros blindados forçaram a rendição de 14.779 homens de três divisões alemãs (148, Panzer e Bersaglieri) na região de Collecchio e Fornovo di Taro, no Norte da Itália, durante a campanha da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Após se deparar com o imenso efetivo alemão, o então capitão Plinio Pitaluga solicitou o apoio do Comando da FEB, que enviou o 6º Regimento de Infantaria para auxiliar na rendição.
A história é pouco conhecida, provavelmente porque, como uma divisão não se rende à outra, quem recebeu a rendição foi o 4° Corpo do Exército Americano, mas a manobra foi iniciada pelo 1° Esquadrão de Reconhecimento, unidade formada em 1943 para ir à Segunda Guerra. Com o fim do conflito, a unidade passou a se chamar Esquadrão Tenente Amaro, em homenagem ao tenente Amaro Felicíssimo da Silveira, morto em combate durante uma patrulha antes do ataque a Monte Castelo. Na semana que vem, o esquadrão que desde 1974 funciona em Valença, no Sul Fluminense, completa 70 anos de criação.
- Como unidade, o esquadrão era pequeno, pouco expressivo na FEB, mas teve essa participação importante e é citado em livros americanos como uma pequena unidade que derrotou uma grande. Os alemães acharam que os blindados eram a ponta de lança de uma unidade maior e se renderam - conta o pesquisador de assuntos militares, Expedito Carlos Stephani Bastos, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora.
Com uma participação modesta, com cerca de 25 mil homens, muitos militares da reserva, muitos não militares, e mais de 70 mulheres enfermeiras, a FEB capturou ao todo 20.573 homens numa campanha que durou exatos 239 dias, em temperaturas baixas, sem roupas adequadas, experimentando comidas diferentes e, segundo contam os historiadores, se adaptando bem.
- Teve gente que aprendeu a dirigir os carros em uma semana, as armas eram diferentes e até o uniforme que os brasileiros usaram foi dado lá. Mas a única coisa que os assustou foi a divisão entre negros e brancos no exército americano.
De herança do conflito, Expedito aponta todo o sistema de carros blindados existente hoje. Antes da Segunda Guerra, o Brasil tinha como base uma escola francesa de guerra, com veículos de quatro rodas e sobre esteiras, por exemplo. Depois do contato com os americanos, surgiu o conceito de blindados de seis rodas usado até hoje.
- O projeto do Guarani (que substituiu o Urutu nas Forças Armadas este ano) é quase um desdobramento do que houve lá - explica o pesquisador.
Correspondência solidária
Responsável por reunir documentos e montar o Museu Militar Capitão Pitaluga, inaugurado em 2002 em Valença, o tenente Gerson Ribeiro Romano, que esteve à frente do museu de 1999 a 2010, conta que todo o reconhecimento de estradas por onde a FEB passava era feito pelos 13 blindados do esquadrão, com apoio ou sozinhos. No caso da grande rendição, sozinhos.
- Primeiro vai a cavalaria, depois chega a infantaria a pé ou de caminhão, numa via que já foi reconhecida de carro. Já imaginou se a guerra fosse toda feita pé, como a Primeira? - questiona. - Essa é a responsabilidade da cavalaria, que nunca recua, ou avança ou atravanca - brinca ele.
Na época em que organizou o museu, Gerson encontrou parte da correspondência enviada aos militares na Itália e conta que, na guerra, saíram da cidade 469 pessoas do Batalhão de Saúde. E voluntárias da cidade iam de casa em casa escrevendo ou lendo cartas dos parentes para os soldados que estavam em combate.
- Os homens do 1° Esquadrão de Reconhecimento se prepararam e se sacrificaram para serem empregados fora do país, longe da família, sem telefone e com contato somente por carta, no maior conflito mundial já existente, em defesa do nosso Brasil e lutando contra a expansão do nazismo e do fascismo - analisa o atual comandante do Esquadrão de Cavalaria Leve Tenente Amaro, major Camilo Pereira Antunes.
A criação da FEB e a ida dos brasileiros para a Itália colaboraram para a desaceleração do Estado Novo de Getúlio Vargas e reforçaram a luta pela democracia, segundo a historiadora Dulce Pandolfi, do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC-FGV).
- Havia uma pressão no Brasil, questionava-se como nossos soldados estavam indo lutar pela democracia se não havia democracia internamente. Nesse momento Getúlio tinha perdido os aliados, porque havia vários liberais que o apoiaram contra a República Velha em 1930 (quando ainda não se tinha ideia do estado autoritário que viria depois), mas de quem ele foi se livrando depois, foram todos perseguidos ou presos - observa ela.
Projeto se voltou contra Getúlio
Depois da Revolução de 1930, no movimento de construção da nação, fazia todo sentido fortalecer e equipar as Forças Armadas, os temas defesa e segurança nacional estavam em alta e enviar os militares à guerra fazia parte desse projeto.
- O governo de Vargas tentava tirar partido da “neutralidade”, mantendo uma equidistância pragmática da Alemanha e dos Estados Unidos, com um certo namoro com o nazifascismo. Mas depois que os submarinos alemães atacaram navios mercantis brasileiros, em 1942, a pressão aumentou para que entrássemos na guerra ao lado dos Aliados. E entramos. No fim o projeto de Getúlio acabou se virando contra ele - analisa a historiadora.
Se na época a FEB adotou como lema “A cobra está fumando” em alusão ao que se dizia, de ser mais fácil uma cobra fumar cachimbo do que o Brasil participar da guerra na Europa, hoje os militares relembram o feito com a saudação “A cobra está sempre a fumar”.

VIVIANE NOGUEIRA
O GLOBO CIÊNCIA (HISTÓRIA)

domingo, 10 de janeiro de 2021

Telefone de campo americano/FEB.

 Telefone de campo (EE8-B Field Phone) usado pela F.E.B.Os telefones de campo foram utilizados pela primeira vez na Primeira Guerra Mundial.Eles substituíram sinais de bandeiras e o telégrafo como um meio eficiente de comunicação. O Telefone de Campo ( EE8-B Field Phone) foi usado pelo Estados Unidos antes e durante toda a Segunda Guerra Mundial e através da guerra do Vietnã. Ele foi alojado primeiramente em couro, em seguida lona grossa e sua última produção nylon. Telefones de campo são telefones móveis destinados a uso militar, projetado para resistir as condições de guerra.Eles podem extrair energia a partir de sua própria bateria ou a partir de uma central telefônica. O EE-8 Telefone de Campo foi padronizado em 1932 e aquisição começou em 1937, proporcionando uma unidade mais leve e funcional a tempo da grande mobilização dos militares dos EUA para a Segunda Guerra Mundial. Entre outras melhorias, o EE-8 aumentou a faixa máxima de transmissão do predecessor EE-5 por seis milhas ou mais. Telefone de Campo foi usado pela Força Expedicionária Brasileira na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.Os telefones portáteis era uma forma mais eficaz e eficiente para os comandantes e as tropas para manter contato no campo de batalha.Esse da foto é de lona grossa revestida por um produto para impermeabilizar, de fabricação de1944 .(acervo O Resgate FEB)




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domingo, 3 de janeiro de 2021

‘O alto-falante anunciou: Attention. The war is over’

Eu estava em Natal fazendo a revisão de um P-40 (avião) quando abriu o voluntariado para o 1.º Grupo de Aviação de Caça. Dei meu nome. No dia seguinte, quando voltei para minha base em Salvador, meu comandante me disse: "Você fez besteira, rapaz. Vai para um lugar onde os caras já estão treinados. Vai ser como tiro ao pombo". E eu respondi: "Mas eu não estou pensando nisso, eu estou pensando nos navios que foram afundados". Em poucos dias, os alemães mataram centenas no litoral do Nordeste. Fomos treinados no Panamá e, depois, nos Estados Unidos. Só então embarcamos para a Itália.No primeiro mês de combate, perdemos quatro pilotos. Fiz meu primeiro voo em 6 de novembro de 1944. Quando voltei da missão, fui entrevistado pela BBC. Foi quando chegou a confirmação da morte do Cordeiro (John Richardson Cordeiro e Silva), o primeiro piloto que morreu. Ele foi atacar Bolonha, a estação de estrada de ferro, que era muito protegida. Pegou um tiro. Eu vinha voando e ouvindo a conversa dele com o americano: ‘Meu avião foi atingido e tá pegando fogo. Tô perdendo altura e potência. Estou com rumo sul". Ele estava a 17 km de Bolonha quando o avião bateu em um morro e explodiu. Ele morreu.
Minha mulher não gosta que eu fale, mas eu fiquei muito mal quando atirei pela primeira vez. As primeiras pessoas que eu destruí, a vida delas me custou muito caro. Os colegas me diziam: "Pô, tá medrando, fica chorando, vomitando aí". Porque me causou um mal-estar muito grande quando eu puxei o gatilho e atirei nos caras. Eles estavam correndo, saindo de um jipe para entrar numa casa na campanha e eu atirei neles. Daí em diante, comecei a pensar: ‘Se eu não atirasse, esses estariam atirando e matando os meus’. Essa é crueza da guerra.
Rui Moreira Lima, brigadeiro e piloto 
No dia 2 de maio de 1945, me apresentei para outra missão e, na sala de operações, de repente o alto-falante anunciou: ‘Attention, attention, please. The war is over, the war is over’. Aí foi aquele silêncio maravilhoso e, em seguida, uma gritaria enorme. Abracei até quem não conhecia. O pessoal chorando, emocionado. Confesso que achei muito bonito. Dois momentos bonitos: o dia em que terminou a guerra e o dia em que pousei no Campo dos Afonsos (Rio) e encontrei minha mulher e minha filha. Ela tinha sete meses e eu não a conhecia. Deixei minha mulher grávida e só fui conhecer a menina depois da guerra. 
O ESTADÂO