segunda-feira, 25 de maio de 2020

Julio do Valle um pracinha do Batalhão de Saúde


Padioleiro da FEB Julio do Valle com seu álbum de recordações

Julio do Valle, que serviu o Batalhão de Saúde (Eram soldados que combatiam sem armas, e que tinham a missão de resgatar, atender, transportar feridos para a segurança da retaguarda e muitas vezes sob fogo inimigo. Os padioleiros atendiam  feridos brasileiros, americanos , civis italianos e ate mesmo soldados alemães.Padioleiros é aquele que no campo de batalha procura cuidar dos feridos) foi um dos 25.000 pracinhas brasileiros que formaram na Itália a única frente da América do Sul nos campos de batalha da Europa durante a segunda Guerra Mundial (1939-1945). Pracinha, um diminutivo de praça, ou soldado raso, foi o termo carinhoso adotado pela imprensa e a população da época para se referir aos homens que embarcaram rumo ao desconhecido no grande desafio da FEB. Julio do Valle não consegue esquecer o rosto de Deus. “Ele nos pediu para entrar numa casa, porque era muito perigoso.” O alerta salvaria a vida de Julio e de mais três soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) em Montese, no norte da Itália –a calçada que os oficiais ocupavam acabaria destruída por uma bomba minutos depois. “Ele falava o nosso português e nunca o tínhamos visto. Quando saímos da residência só havia muita poeira e o cheiro forte de pólvora. A explosão foi bem onde ele estava. Nós não o vimos chegar nem sair. Chegamos à conclusão de que era Deus”, conta Valle, com os olhos marejados.
O ex combatente Julio do Valle

“Ninguém sabia o que era um combate, dos generais aos soldados mais rasos. Aprendemos a guerrear nas dificuldades”, conta Valle. Entre os obstáculos estavam, além da ameaça constante das tropas inimigas, o inverno mais rigoroso em quase 50 anos, com média de 20 graus negativos nos Apeninos italianos em 1944.
“Sofríamos bastante com as baixas temperaturas. A neve chegava até o joelho. Recebemos uma capa de gabardina grande, horrível, de 12 quilos e que com a chuva ficava muito pesada para carregar. Quando o comando norte-americano viu aquilo, mandou recolher na hora as gabardinas”, acrescenta o ex-soldado da FEB, entre sorrisos. Apesar do clima hostil, ele descarta que alguém do lado brasileiro tenha morrido em decorrência do frio. Outro problema da preparação do país foi a produção de uniformes parecidos com os do Exército alemão. “Chegaram a jogar pedra na gente em Nápoles pensando que éramos os invasores.”
“Ficamos junto com o Exército negro norte-americano, um batalhão especial criado por causa da segregação. Quando jogávamos bola e levantávamos (na hora do gol) um soldado amigo nosso apelidado de Chocolate, o pessoal de lá não acreditava na nossa integração”, completa Valle, que serviu o Batalhão de Saúde e tinha como algumas de suas funções ajudar a levar os feridos à enfermaria após os primeiros socorros em meio ao bombardeio, ficando até a recuperação da última vítima.
 Reprodução de álbum do ex-combatente brasileiro Julio do Valle. (BOSCO MARTÍN)

“Entramos na casa de um italiano para confraternizar e um senhor não parava de gemer no quarto. O problema era no braço. Ele já havia tentado de tudo, mas não adiantava. Limpamos a região com iodo e cuidamos dele. Apesar da dor do tratamento, ele suportou. Quando estávamos deixando a cidade, ele veio atrás, chorando copiosamente com o braço apoiado na tipoia. Essas eram coisas que os alemães não faziam”, diz, novamente com os olhos marejados.
Pesquisa: 
El Pais
Fotos El Pais
O Resgate FEB

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Medalha Cruz de Combate de 2ª Classe da FEB

Medalha Cruz de Combate de 2ª Classe da FEB da Segunda Guerra Mundial
É a medalha da FEB mais rara, difícil de encontrar e na minha opinião a mais bela.
A Cruz de Combate é uma medalha do Exército Brasileiro concedida aos militares que se destacaram em ação na Segunda Guerra Mundial. Foi criada pelo Decreto-Lei nº 6.795, de 17 de agosto de 1944.Temos a Medalha Cruz de Combate de 1ª Classe (ouro) que é oferecida aos militares individualmente, ou a unidades que tenham praticado atos de bravura ou sacrifício nas ações de combate.
A Medalha Cruz de Combate (foto) e 2ª classe (prata) é oferecida aos militares que tenham participado coletivamente de feitos de excepcional destaque.

(acervo Resgate FEB)
Diploma da Medalha Cruz de Combate

(clique na foto para ampliar)

domingo, 10 de maio de 2020

JOSÉ FRANZAK: PRACINHA CURITIBANO

Major reformado do Exército José Franzak é um dos ex-combatentes curitibanos que lutou na Itália ao lado dos Aliados
Nos 70 anos do fim da Segunda Guerra, pracinha curitibano conta um pouco do que viveu na Itália
O major reformado do Exército José Franzak tem muito a comemorar neste mês. Além dos 70 anos do cessar fogo na Segunda Guerra Mundial, prepara-se para comemorar o aniversário de 95 anos
José Franzak, 94 anos, é um dos 18 sobreviventes da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) que ainda estão vivos e moram em Curitiba. No Paraná, pouco mais de cem pracinhas ainda resistem. Aproximadamente dois mil paranaenses se despediram das famílias, em setembro de 1944, e empreenderam viagem até o outro lado do Oceano Atlântico. A data de 8 de maio marca os 70 anos de cessar fogo e do pedido de rendição da Alemanha, conhecido mundialmente como o “Dia da Vitória”.

Para Franzak, a comemoração em maio é dupla. O major reformado do Exército completará 95 anos no dia 14, seis dias depois do marco histórico . Ele era um dos nomes da extensa lista de 25 mil brasileiros que foram para a Itália lutar ao lado dos países Aliados contra as forças do exército alemão.”Fiz parte da história e sobrevivi”, constata, emocionado.
Em 1944, o segundo sargento do 2.º Regimento da Artilharia Montada só pensava em continuar na vida militar e casar com Maria Carlota. Dava expediente no quartel instalado em frente à Praça Oswaldo Cruz, onde atualmente funciona o Shopping Curitiba. Os rumos da história, no entanto, desviaram um pouco seus planos. A convocação para engrossar as fileiras de soldados para o além-mar fez com pegasse a bagagem e se despedisse dos pais, irmãos e da namorada. Partiu para uma “aventura” séria. “Foram 15 dias seguindo a mesma rotina até chegar ao porto de Nápoli, na Itália”, recorda-se.
As manobras militares e treinamentos eram feitos à noite por causa do blecaute imposto pelas normas de guerra. Durante o dia, os oito mil homens embarcados podiam respirar no convés. Franzak pertencia ao 11.º Regimento de Infantaria e Companhia de Obuses do 11.º RI de São João Del Rey (Minas Gerais). O jovem oficial integrou um grupo de 80 homens que saiu de Curitiba.“O clima era apavorante. Tinha muito submarino alemão nas águas internacionais. Fomos escoltados por caça-minas, helicópteros e destroyers. Eu estava com 24 anos, e o mais jovem tinha apenas 20.Não falávamos sobre o medo. E só vivíamos um dia após o outro”, relata o ex-combatente.
Frio e medo
No começo de outubro de 1944, Franzak lembra-se que, ao chegaram ao acampamento em Livorno, os ventos dos Alpes mostraram que não estavam preparados emocionalmente nem fisicamente para o que viria pela frente. Os tecidos finos dos uniformes de brim foram substituídos pelas roupas americanas, que eram mais quentes. “As tropas brasileiras não tinham nada. Recebemos galocha, japonas e armamento”. Com o olhar distante, ele conta que os brasileiros não ligavam muito para o medo. A brincadeira era separar os grupos entre os mais e menos apavorados.
Com o início dos combates, Franzak foi trabalhar lado a lado com o ex-expedicionário Ítalo Conti como observador avançado. Era o responsável por observar o inimigo no Monte Castello. Com as informações e coordenadas, a infantaria dos Aliados organizava-se e avançava. “Eu ficava deitado na crista do morro, escondido. Eram de 10 a 12 horas até sermos substituídos”, conta.
A segunda tarefa recebida foi mais complexa. Como calculador da Central de Tiros, precisa informar a temperatura da pólvora, a direção do vento e calcular tudo. Marcava em uma prancheta. Era aí que os canhões 105 faziam seu trabalho. “O zunido das balas corria solto”.
Combate
Depois de tomar Monte Castello, o grupamento foi progredindo. Chegaram a Montese. “Foi em Montese que vi o inimigo frente a frente”, conta ele, pensativo e emocionado. O pior momento, segundo ele, aconteceu quanto iam ocupar uma oposição de artilharia. Quando chegaram mais perto, muitos tiros foram disparados contra eles. “Eu quase morri. Ficávamos deitados no chão e os tiros arrebentavam ao nosso redor por mais de meia hora”. Franzak não segura as lágrimas e é tomado pela tristeza ao relembrar a história. Instantes depois, ri, pois se recorda que no seu grupo não ocorreu nenhuma morte.
“Foi aí que recebemos a notícia de que a guerra tinha acabado. Mas ninguém comemorou nada.” Ao se lembrar que 14 mil homens se renderam aos brasileiros, volta a chorar e a rir ao mesmo. “Vibrávamos por dentro. Nem lembramos naquela hora que poderíamos voltar para casa”.
Folgas
A cada 15 a 20 dias, alguns soldados recebiam folgas. Ficavam no acampamento ou, com muita sorte, recebiam a autorização para viajar. Franzak lembra-se de que ficou durante cinco dias na cidade de Roma. Eram os momentos de contato com o povo local. “Perguntavam se tínhamos café, cigarro e chocolate. A crise era muito rígida, mesmo sem Roma ter sido bombardeada. Em outra ocasião, fiquei quatro dias em Florenza”, rememora.
Guardados
Franzak havia enviado uma mala com 30 quilos para Curitiba, no bairro Portão. Foi parar no município rio-grandense de Portão. Perdeu as cinzas do Vesúvio, postais, uma arma Luger de origem alemã e outras tantas coisas das quais não se lembra mais. “Depois de 70 anos, os neurônios esquecem”, brinca.
Hoje, guarda com carinho a medalha de campanha e a medalha de guerra recebida, assim como um punhado de fotos. O nonagenário balança a cabeça e deixa as lágrimas cair a cada memória da guerra. “Não foi fácil. Quase morri em combate, mas estou aqui para contar a história.”

Matéria : Gazeta do Povo

domingo, 3 de maio de 2020

Medalha Plinio Pitaluga

Medalha Plinio Pitaluga
A medalha General Plínio Pitaluga, criada pela Associação dos Ex-Combatentes do Brasil Seção Valença – RJ, em 19 de abril de 2005, constante do Almanaque do Exército com o nº 240, será concedida anualmente: 1º Aos militares e civis que tenham prestado relevantes serviços aos Ex-Combatentes e as Associações e que trabalhem com boa vontade em elevar os nomes dos Ex-Combatentes; 2 º Aos próprios Ex-Combatentes; 3 º Aos Estandartes Históricos ou Bandeiras das Unidades Militares ou das Associações dos Ex-Combatentes do Brasil.
(acervo O Resgate FEB)

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domingo, 26 de abril de 2020

NINHO DE MORTEIRO - FEB.



Coronel Sérgio Gomes Pereira 
Meu Capitão Comandante de Companhia era uma figura, vamos dizer, inusitada. Chamava-se João Manoel de Faria Filho. De baixa estatura – Apelidamos ele de “Giovanni Piccolo” (Giovanni, o pequenino) . Porém era um homem de bravura pessoal a toda prova. Em várias ocasiões, quando a presença do Comandante de Companhia não era aguardada, ele aparecia.
O Subcomandante era o Primeiro-Tenente Nicolau José Seixas, já falecido. Em campanha, como é de regra, é o resposável pelo apoio logístico. Eu vou me permitir contar esse episodio, que é folclórico e absolutamente verdadeiro.
Relatórios de patrulha, inclusive de algumas feitas por mim, e por companheiros meus, não conseguiam informar a localização exata de determinadas posições de metralhadoras e morteiros. Numa dada ocasião, o Seixas disse: “Eu vou lá, levantar onde estão essas posições”, e repetiu num tom decidido: “Eu vou lá.”então, ele fez uma coisa contra as leis da guerra. Nós usávamos um uniforme completamente heterodoxo: parte seguia nosso regulamento; parte o estadunidense.
Debaixo do capacete usávamos um “gorrinho” de lã, para proteção contra o frio. Ele tirou o capacete, vestiu paletó civil, colocou um chapéu na cabeça, apanhou um peru vivo, isso mesmo, um peru vivo, e, sob a ave, uma metralhadora.
Transmudou-se num sfolatti, italiano desalojado pela guerra, que migrava de um lado para outro – uma espécie de refugiado. Nessas condições, atravessou a linha de frente e foi conversar com os alemães.
Acontece que o italiano dele era “macarrônico”, assim como o dos alemães, não dando a perceber que se tratava de um brasileiro. A verdade é que ele conseguiu descobrir o motivo dos erros de localizações das armas alemãs, que era o seguinte: havia aqueles cones de feno – chamados “medas” – preparados para a alimentação dos animais na época do inverno. Os alemães cortavam a vértice do cone, de maneira que ficava um abertura e, no interior, instalavam uma posição de morteiros. Atiravam e não se conseguia identificar as peças que realizavam o disparo.
Mais tarde, esse detalhe passou a nos chamar a atenção. Quem já viajou pela Europa, pode reparar que essas “medas”, hoje, são enroladas. Não precisa dizer que o Seixas teve que botar o “pé no mundo” e voltou para as nossas linhas, dando todas as informações. Recebeu, por essa ação, a silver star(estrela de prata), condecoração de guerra do Exército Americano.
Coronel Sérgio Gomes Pereira
Comandante do 2º Pelotão de Fuzileiros da 8º Companhia do III / 11º RI

Matéria: ANVFEB

domingo, 19 de abril de 2020

Caneco do cantil da FEB

Um dos utensílios  mais usados pelos pracinhas, o caneco brasileiro (EUB) de alumínio do conjunto cantil-caneco, tanto utilizado para bebidas como para esquentar comida, com as iniciais do pracinha marcado na ponta da faca.
Fotos para ilustrar e do blog V de Vitória.
(acervo O Resgate FEB)



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domingo, 12 de abril de 2020

FRIDOLINO IRINEU KRETZER, UM HERÓI INDAIALENSE

“Se me perguntarem o que eu fiz na guerra, direi que me deram uma função até perigosa, ou seja, de “estafeta” que nada mais era de correr pra lá e pra cá, a fim de selecionar, levar ou buscar todo tipo de documentos ou correspondências entre Quartéis Generais dos aliados no norte de Itália. Me deram um Jeep Willys, uma pistola e um motorista ajudante, ocasiões muitas em que revezávamos no volante. O comando sempre nos alertava que se bobeássemos, a gente, além de ficar sem a cabeça por ser cortada pelos arames que os inimigos, tanto fascistas ou nazistas armavam cruzados nas estradas e também tirariam nossa farda para usá-las nas sabotagens. O outro perigo eram as minas que poderiam estar espalhadas pelos caminhos.  Havia outros riscos como em cada curva poderia vir uma bala pois nos avistávamos com facilidade. Outro problema era o frio do qual a gente nunca sentiu coisa assim. Numa missão, fui até ao Quartel do 8° Exército inglês  e lá pernoitei. E ao amanhecer, o céu escureceu de tantos aviões do tipo Superfortres Boeing B-17, uns trezentos por ai que passaram baixinho sobre esse acampamento, ocasião em que mostrei ao meu ajudante as bombas aparecendo nas baias dos ditos. O que mordia nosso coração era ver a miséria e a fome que os italianos passavam. No dia da rendição, me impressionava  ver alguns dos prisioneiros tristes pois diziam que não sabiam mais de seus parentes e que nós brasileiros tínhamos sorte de poder voltar para casa. Outros estavam felizes e até diziam que foi melhor se render aos Pracinhas pois já sabíamos que eram gente bondosa e não os judiariam. Fato marcante comigo aconteceu no dia da rendição, pois servi de intérprete ao Comando Brasileiro para dar a versão do General Otto Fretter-Pico, da 148ª Divisão de Infantaria alemã. O tal era carrancudo e de poucas palavras. Para mim a guerra jamais deveria existir pois a brutalidade e a desgraça que presenciei, em todos os sentidos, só sente quem nessa participou. Tenho 6 filhos, dentre eles uma moça. Os moços, me orgulho disso, todos serviram o Exército Brasileiro.“Que a juventude brasileira proclame sempre a Paz. Por fim, desejo que nunca alguém se atreva em apagar a memória dos Heróis da FEB nesse país pois nós não merecemos isso”.



Fonte desconhecida.

domingo, 5 de abril de 2020

Gloria aos povos que forjaram a Vitória

Lançamento dos selos em 22 de maio de 1945, "Gloria aos povos que forjaram a Vitória ".
Homenagem as Forças Armadas Brasileiras que combateram na Segunda Guerra Mundial, da Industria  de Tintas e Vernizes LTDA, Rio de Janeiro.
Impresso na Impressa Nacional.
(acervo O Resgate FEB)
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domingo, 29 de março de 2020

Chegada do Navio D.Pedro II ao Rio de Janeiro, trazendo uma parte dos pracinha

Chegada do Navio D.Pedro II ao Rio de Janeiro,  regressou trazendo parte do escalão B, comandado pelo Coronel João Machado Lopes.trazendo uma parte dos pracinha feridos em combate.Partiu de Napóles, em 26 de julho de 1945 e chegando ao Rio de Janeiro em 13 de agosto do mesmo ano.
O navio de passageiros D. Pedro II, do Lloyd Brasileiro,  fazia a linha da Europa, depois passou para a navegação da cabotagem. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, auxiliou no retorno para o Brasil de integrantes da FEB - Força Expedicionária Brasileira. 
(clique na foto para ampliar)

Fotos Arquivo Nacional
Pesquisa
Maux Hone Page
face: Imortais Combatentes da FEB
O Resgate FEB


domingo, 22 de março de 2020

Pin de plastico da mãe do expedicionário.

Rarissimo pin de plastico da  mãe do expedicionário, era entregue as mães dos pracinhas  que tinha seus filhos que serviam ao Brasil durante o periodo da Segunda Guerra Mundial na Itália.
Para comparar, o outro era de metal esmaltado.
Tinha também a bandeira da mãe do expedicionário feito de pano, era exposta em suas residencias.
(Acervo O Resgate FEB)
(clique na foto para ampliar)

quinta-feira, 19 de março de 2020

Expedicionário Edgard Vasques Rodrigues herói da FEB.

“Aqui estamos de cara com o inimigo que agora quer retomar o que perdeu, vamos sair daqui e procurar outro local mais protegido de onde poderemos observar sem ser alvo deles” e mal saíram dali, o local foi atingido por um morteiro. Esta foi a situação vivida pelo pracinha Edgard Vasques Rodrigues durante a tomada de Monte Castelo em 21 de fevereiro de 1945.
Filho do senhor Camilo Vasques Telles e da senhora Blandina Rodrigues Vasques, nascido no
bairro de Bonsucesso no Rio de Janeiro em 4 de dezembro de 1919, Edgard começou a 
trabalhar aos 16 anos já como funcionário público, exercendo a função de office boy no IAPM (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Marítimos), hoje INSS. Estudou no Colégio Luso Carioca em Bonsucesso, (hoje SUAM) onde concluiu o curso de Perito Contador.
Fez o serviço militar na “linha de tiro” no Bonsucesso Futebol Clube e foi convocado após a sua baixa.
Especializou-se em observação, era portanto “soldado especializado” seguia na linha de frente 
para localizar o inimigo e passar a informação do alvo à artilharia.

Diante da sua convocação , ao mesmo tempo que uma tristeza pairava sobre a familia com o
medo natural que ele não voltasse , a sensação de orgulho também fazia parte dos mais próximos dele.
Seu pai, o Sr. Camilo, ainda tentou fazer de tudo para que ele não fosse, mas não conseguiu, então, 
Edgard foi incorporado ao Primeiro Regimento de Infantaria (1° RI) , cumpriu treinamento no maciço de Gericinó e embarcou no segundo escalão.
Foi incorporado ao Regimento Sampaio, 1ºR
Um dos dramas vividos por Edgard durante a campanha foi este: Num determinado dia de inverno quando nevava muito, estavam em uma “casamata” quando determinada hora da noite de acordo com o comando maior, toda a artilharia deveria atirar, parece que se tratava de “guerra psicológica” para não deixar o inimigo descansar, e um dos colegas dele cujo nome Edgard não lembra,  saiu da casamata para atirar com morteiro, esse procedimento normalmente é feito por dois homens, mas não se sabe por qual motivo, apenas o atirador saiu para o serviço.

Passados alguns  minutos ouviram uma explosão muito próximo, em seguida saíram da proteção e foram a procura do colega imaginando que ele teria sido atingido por fogo inimigo, mas não o encontraram; no dia seguinte voltaram a procurá-lo e só encontraram fragmentos de roupa e carne humana, deduziram então que como estava sozinho o soldado colocou um morteiro no armamento e o morteiro não disparou, com o barulho da artilharia ele não percebeu o ocorrido e ao colocar o segundo morteiro explodiram os dois.
Com referência à convivência com o povo italiano, havia uma preocupação , pois não sabiam
quem estava do lado dos aliados ou quem era fascista, então, quando havia necessidade de passar 
uma noite na casa de alguém, alguns soldados ficavam de vigia à noite “de olho” nos italianos e na potra...

Contava também que de forma geral os italianos gostavam muito dos “brasiliani”já que os
soldados tratavam com carinho o povo, dividiam comida, cigarros e tudo mais que podiam. Eram muito bem recebidos quando chegavam nas cidades, como Heróis que eram de fato, por ajudarem na libertação de seu país.
Ainda sobre suas recordações, Edgard contava também que os alemães preferiam se
entregar aos brasileiros do que aos americanos, diziam que os brasileiros eram mais corajosos e os tratavam com dignidade.

Coisas engraçadas também ocorriam como quando os americanos pegavam os jipes dos
brasileiros que os deixavam com as chaves na ignição; os comandantes brasileiros foram se queixar aos comandantes americanos e tiveram como resposta “isso aqui é uma guerra” ou traduzindo para o carioquês “ bobeou dançou”. Os brasileiros então passaram a fazer o mesmo, só que os americanos não precisavam deixar as chaves na ignição nem no carro, eles faziam a tal da “ligação direta” e depois de algum tempo passaram a ter mais jipes que os americanos que foram se queixar e ouviram dos brasileiros “guerra é guerra”...

Em junho de 1945 quando ele chegou, foi festa no bairro, no Colégio Luso Carioca com muito
orgulho do Mestre e posteriormente padrinho de casamento dele, Professor Augusto Mota (que deu nome a Sociedade Universitária Augusto Mota – SUAM) que o recebeu com uma recepção festiva. O pai dele e amigos do bairro resolveram fazer uma homenagem a todos os ex-pracinhas de Bonsucesso e se cotizaram para construir um monumento em bronze que foi instalado na Praça das Nações (principal praça do bairro de Bonsucesso) com o nome de cada um. Acreditamos que esteja lá ainda. Retornando à vida civil, reassumiu seu posto no IAPM e seguiu sua carreira lá até se aposentar.

Em 1946 casou -se com a senhora Anna Sampaio Pinheiro e dessa união, em 1947, nasceu
Paulo Roberto Pinheiro Vasques, filho único do casal que deu a Edgard 4 netos: Anna Paula, Douglas, Edgard e Elisabete e mais 3 bisnetas que infelizmente, ele não chegou a conhecer.
Em 1984 foi justamente elevado a 2o tenente e no mesmo ato (ver portaria em anexo) foi
promovido a 1o Tenente da Reserva não remunerada, contando desde dezembro de 1945, mais uma vez justiça feita. Nos anos 1970, o governo reconheceu seus heróis e passou a remunerar os ex combatentes.

Participou ativamente da ANVFEB na rua das Marrecas no Centro do Rio, foi Diretor Tesoureiro e ajudou a muitos colegas de toda parte do estado e fora dele a se legalizar como ex-combatente e receber a pensão que por direito tinham. Muitos nem sabiam que tinham esse direito, viviam na roça, no interior do estado, outros faziam outros trabalhos como de ascensoristas, faxineiros e outros ainda tinham uma vida miserável, a ANVFEB e seus dirigentes foram suas famílias de fato.
Tinha orgulho, e a família também, de ser quem era e de ter lutado pela liberdade do Brasil e
do mundo, desfilava no 7 de setembro na av. Pres. Vargas com seus colegas todo ano. Vindo morar em Petrópolis em 1975, passou a desfilar aqui na rua do Imperador e quando procurou os colegas da cidade soube que estavam filiados a Associação dos Ex-combatentes que congrega os que foram a guerra e os que ficaram no Brasil, como os da Marinha e muitos do Exército, e ainda tinham que enviar parte da receita dos associados para a sede da associação, ele então mostrou que a ANVFEB era a Associação que congregava apenas os verdadeiros ex-combatentes, os que estiveram em batalha na Itália, do exército e da aeronáutica e que em vez de enviar dinheiro para a associação, a associação colaborava enviando verba para eles, assim eles mudaram de associação e também se legalizaram para receber a pensão militar.

Apesar de ter direito, não recebia a pensão como militar da reserva porque já recebia do
governo como Servidor Público, não acumulava as duas porque não achava correto.
Faleceu em 26 de julho de 1991 (dia do aniversário da sua esposa e um dia após o aniversário
de casamento) em Petrópolis onde foi enterrado no mausoléu da FEB.
Uma das salas da ANVFEB no Rio de Janeiro tem seu nome.

Nossos agradecimentos em especial a Paulo Vasques, filho do nosso herói pela confiança em
nosso blog e por permitir o acesso ao albúm de família!
Uma pequena homenagem ao nosso heroi :
Senhor Edgard, onde quer que o senhor esteja, o senhor sabe que um heroi nunca morre,
portanto, sinta se homenageado, respeitado e imortalizado através desta humilde matéria. Obrigado por essa oportunidade



(clique nas fotos para ampliar)
Matéria enviada pelo colaborador do O Resgate FEB, Helio Guerrero.

domingo, 15 de março de 2020

Sargento Manuel Freitas Chagas

Os Estados amazônicos também choraram seus mortos, com exceção de Rondônia, Roraima e Amapá, ainda não criados e pertencentes ao Amazonas. Foram mortos quatro paraenses, um acreano e um amazonense, Chagas, o soldado que não voltou.
A tropa de amazonenses seguiu no último escalão e chegou a Nápoles no dia 21 de fevereiro de 1945, combatendo até 8 de maio e regressando ao Brasil em 20 de setembro.
herói Chagas - Manuel Freitas Chagas nasceu no dia 2 de outubro de 1920 e era filho de Francisco André Chagas e Raimunda Nascimento Chagas. Teve uma única irmã, Regina, mais nova que ele cinco anos. Ainda criança, Chagas e Regina ficaram órfãos. Ela foi trabalhar e morar na Santa Casa de Misericórdia e ele foi morar com parentes, na av. Joaquim Nabuco (Vila Pedrosa), nº 38.
Talvez por não ver perspectivas de melhora de vida em Manaus, Chagas resolveu, quando contava 17 anos, alistar-se como voluntário, num navio da Escola Militar que aportara em Manaus com aquela finalidade, indo servir no Rio de Janeiro, prometendo à irmã levá-la junto, assim que tivesse condições, porém, isso nunca aconteceu. Quando estava para dar baixa do Exército, quebrou uma arma e foi obrigado a permanecer mais tempo servindo. No ano seguinte, 1939, teve início a Segunda Guerra Mundial e, é muito provável que ele não tenha mais podido dar baixa, permanecendo na ativa até a entrada do Brasil na guerra, em 1944. Quando os demais amazonenses rumaram para a Itália, Chagas já estava lá, pois havia embarcado no dia 2 de novembro de 1944, no segundo escalão da 
FEB.
Da classe de 1920, Id. IG-305272, Chagas serviu no 1º Regimento de Infantaria. Em sua biografia, constata-se,
sua bravura e ousadia.
" Ex cabo de Infantaria, Manuel Chagas em combate no dia 23 de fevereiro de 1945, nas vizinhanças de La Serra, Itália. O cabo Manuel Chagas mostrou frieza e coragem debaixo de fogo inimigo no cumprimento do dever. Avançando sobre terreno montanhoso, chegou à observação de um ninho inimigo deposição vantajosa.
Organizou uma emboscada, conseguiu assaltar o mesmo, logo depois, dois alemães caíram na sua emboscada, os quais foram rapidamente presos.
O cabo Manoel Chagas rechaçou todas as investidas e tentativas de socorro e retirando-se debaixo de pesado fogo de
fuzis e armas automáticas, trouxe os prisioneiros às linhas amigas.
Com o resultado deste feito de bravura, foram obtidas muitas informações sobre posições inimigas".
Apesar de terem convivido pouco tempo juntos, as cartas de Chagas, da Itália, à irmã, em Manaus, são melancólicas e tristes. As palavras demonstram uma quase incerteza de retorno com vida, embora não quisesse demonstrar isso, tentando apegar-se à irmã como único ponto de segurança. Os lamentos de solidão são constantes.
Ao de bravura - Na manhã de 13 de abril de 1945, em Castel D'Aiano, o então sargento Chagas saiu junto com uma patrulha de reconhecimento rumo ao Monte D'Aiano. Afoito, afastou-se do resto da patrulha e descobriu um ninho de metralhadoras nazistas. Imediatamente voltou ao grupo, informando do acontecimento ao comandante.
Sem demora, a patrulha partiu na direção do ninho de metralhadoras e pegou de assalto um grupo de soldados alemães. Mais uma vitória de Chagas.
A morte - No dia seguinte, ainda com a mesma patrulha de reconhecimento, Chagas avistou uma casa abandonada
e não titubeou em aproximar-se. Desavisados, dois alemães saíram da casa e foram metralhados por ele. Foi então que o
destino se fechou para o amazonense. Empolgado com a sua sorte, penetrou na casa. Três alemães estavam lá dentro e fuzilaram-no com suas metralhadoras. Ali mesmo Chagas tombou morto. Quando o resto da patrulha chegou ao local, era tarde demais. Monte D'Aiano cairia, em seguida, em mãos brasileiras com a rendição dos soldados alemães.
Chagas foi sepultado no Cemitério Militar Brasileiro de Pistoia, na quadra D, fileira 1, sepultura nº 8, marca: lenho provisório, de onde sairia, dez anos depois, rumo ao Rio de Janeiro, para ser enterrado no Monumento aos Pracinhas, junto com os demais combatentes mortos.
Em Manaus, Regina receberia a notícia da morte do irmão através de um vizinho que ouvira no rádio o nome dele incluído na lista dos mortos. Dias depois, receberia o comunicado oficial através de um emissário do Ministério da Guerra.
Hoje, Regina está com 73 anos e, plenamente lúcida, ainda lembra de fatos de sua infância órfã, do irmão indo embora, de suas notícias do Rio de Janeiro e depois da Itália, guardando com carinho todas as cartas recebidas dele, seus diplomas e medalhas de guerra e, emocionada, diz não saber se valeu a pena ele ter ido lutar e morrer pelo país. O único busto do herói que existia em uma das praças de Manaus foi destruído e sumiu, e nenhuma rua leva o seu nome.
Condecorações recebidas:
Em reconhecimento aos seus serviços, o chefe do Governo brasileiro, o então presidente Getúlio Vargas, o promoveu post mortem à graduação de 3º sargento.
Condecorado pelo 5º Exército Norte Americano, ao qual a FEB estava subordinada, com a Medalha de Bronze. Uma comissão militar americana veio até Manaus, para entregar a medalha.
Condecorado com diploma e medalha Cruz de Combate de 1ª Classe da FEB, descrevendo seu ato heroico. Entregue em 1º de fevereiro de 1946, quase um ano após sua morte.
Condecorado com diploma e Medalha de Campanha da FEB, entregue na data acima. Reconhecia Chagas como integrante e participante das ações da FEB.
Condecorado com medalha Sangue do Brasil, entregue em seguida a sua morte. Os soldados feridos ou mortos em combate recebiam essa medalha.
Matéria: blog do Coronel Roberto