(Clique na foto para ampliar)
domingo, 27 de dezembro de 2020
Quepe americano.
domingo, 20 de dezembro de 2020
Inauguração conjunto habitacional de casas populares para os ex combatentes da FEB
Foto de 1958 da inauguração conjunto habitacional de casas populares para os ex combatentes da FEB em Belo Horizonte (MG) , batizado Conjunto Juscelino Kubitschek no Bairro Caiçaras.
Atualmente se chama Rua Wilson Ferreira, nome do primeiro pracinha falecido na rua.
Estive nessa rua em visita em 2017, ainda vivos na ocasião 4 pracinhas, conversei com 2 veteranos, parentes ainda moram nas casas do conjunto.
Um relato interessante de uma filha era um bar de um pracinha onde eles reuniam para conversar chamado PUXA FACA, atualmente uma mercearia.
O Resgate FEB
Atualmente se chama Rua Wilson Ferreira, nome do primeiro pracinha falecido na rua.
Estive nessa rua em visita em 2017, ainda vivos na ocasião 4 pracinhas, conversei com 2 veteranos, parentes ainda moram nas casas do conjunto.
O Resgate FEB
domingo, 13 de dezembro de 2020
Cantil alemão de 1940.
O cantil é sempre um grande achado da Segunda Guerra, datado de 1940, capa com algumas falhas no revestimento (feltro - fabricante W.L.A.40), alças de couro, caneca (fabricante C&C.W.40), gancho de alumínio para anexar ao equipamento de combate (fabricante Patent Ritter) e cantil ( W.A.L.40 - Welnnacht Feldflasche).
Cantil fazia parte do kit pessoal de um soldado, reparem que são vários fabricantes para montar o cantil.
( Acervo O Resgate FEB)
(Clique na foto para ampliar)
domingo, 6 de dezembro de 2020
Antônio Marraschi: História de um Praçinha Gonçalense
Antônio Marraschi, pracinha da Força Expedicionária Brasileira (FEB), nasceu em São Gonçalo em 31/01/1922 e faleceu em Niterói a 28/12/1999. Era do 3º Regimento de Infantaria do Exército, em São Gonçalo (Extinto 3º Batalhão de Infantaria, 3º BI), convocado para Itália, chegando ao teatro de operações no segundo escalão.
Participou das Batalhas de Monte Castelo, CaltelNuovo, Montese e outras. Era primo do herói Gonçalense Ciber Mendonça. Dentre muitas estórias contadas e vividas pelos pracinhas, relato aqui o salvamento de seu colega Maurício, que no pós-guerra tornaram-se compadres pois Maurício deu uma filha para Antônio Marraschi batizar.
A história começa quando Antônio Marraschi retornando a seu posto na linha brasileira, após travar combate com os tedescos, deu falta de seu amigo Maurício, e retornou até o local de batalha encontrando Maurício dentro de sua trincheira ferido gravemente por artilharia inimiga.
Marraschi carregou Maurício nas costas até a linha Brasileira, onde já tinham os responsáveis levado os feridos e retornado cumprindo a missão do dia,daí havendo recusa de levar Maurício ao Hospital de Campanha, Antônio sacou arma e colocou na cabeça do responsável pelo transporte e disse : Ou leva um ou levaremos dois feridos. Este relato demonstra a personalidade forte de Antônio Marraschi, um herói da FEB que nunca, assim como os outros pracinhas Brasileiros serão esquecidos por lutarem pela Liberdade derramando seu próprio sangue em terras distantes.
Antônio Marraschi, como muitos pracinhas da época era neto de Imigrantes Italianos, brasileiros que retornavam a terra de seus antepassados para libertá-la do domínio Nazi-facista de Hitler e Mussolini.
A Correspondência era difícil, censurada e com grave risco de não chegar, mas mesmo assim, não deixava de mandar notícias através de “O Globo Expedicionário” e de recebê-las também como na foto acima, e quando podia mandava um postal.
Retornando com os pracinhas Brasileiros, foram recebidos com festa pela população de São Gonçalo. Acolhido novamente ao seio familiar, casou-se com sua noiva que o esperara – Hilma, e juntos fundaram o Externato Hilmar, mistura de Hilma e Marraschi, um colégio tradicional da cidade que hoje é administrado por filhos do casal. Presidiu a Associação de Febianos de Niterói, em um período.
“Quantas terras que eu percorra, não permita Deus que eu morra, sem que volte para lá, sem que leve por divisa este V que simboliza a vitória que virá!” (Trecho da Canção do Expedicionário de Spartaco Rossi e Guilherme de Almeida).
Fotos : Acervo da Família Marraschi
Portal Guarda
O Resgate FEB
Participou das Batalhas de Monte Castelo, CaltelNuovo, Montese e outras. Era primo do herói Gonçalense Ciber Mendonça. Dentre muitas estórias contadas e vividas pelos pracinhas, relato aqui o salvamento de seu colega Maurício, que no pós-guerra tornaram-se compadres pois Maurício deu uma filha para Antônio Marraschi batizar.
A história começa quando Antônio Marraschi retornando a seu posto na linha brasileira, após travar combate com os tedescos, deu falta de seu amigo Maurício, e retornou até o local de batalha encontrando Maurício dentro de sua trincheira ferido gravemente por artilharia inimiga.
Marraschi carregou Maurício nas costas até a linha Brasileira, onde já tinham os responsáveis levado os feridos e retornado cumprindo a missão do dia,daí havendo recusa de levar Maurício ao Hospital de Campanha, Antônio sacou arma e colocou na cabeça do responsável pelo transporte e disse : Ou leva um ou levaremos dois feridos. Este relato demonstra a personalidade forte de Antônio Marraschi, um herói da FEB que nunca, assim como os outros pracinhas Brasileiros serão esquecidos por lutarem pela Liberdade derramando seu próprio sangue em terras distantes.
Antônio Marraschi, como muitos pracinhas da época era neto de Imigrantes Italianos, brasileiros que retornavam a terra de seus antepassados para libertá-la do domínio Nazi-facista de Hitler e Mussolini.
A Correspondência era difícil, censurada e com grave risco de não chegar, mas mesmo assim, não deixava de mandar notícias através de “O Globo Expedicionário” e de recebê-las também como na foto acima, e quando podia mandava um postal.
Retornando com os pracinhas Brasileiros, foram recebidos com festa pela população de São Gonçalo. Acolhido novamente ao seio familiar, casou-se com sua noiva que o esperara – Hilma, e juntos fundaram o Externato Hilmar, mistura de Hilma e Marraschi, um colégio tradicional da cidade que hoje é administrado por filhos do casal. Presidiu a Associação de Febianos de Niterói, em um período.
“Quantas terras que eu percorra, não permita Deus que eu morra, sem que volte para lá, sem que leve por divisa este V que simboliza a vitória que virá!” (Trecho da Canção do Expedicionário de Spartaco Rossi e Guilherme de Almeida).
Fotos : Acervo da Família Marraschi
Portal Guarda
O Resgate FEB
domingo, 29 de novembro de 2020
Distintivo do IV Grupo de Artilharia da FEB
Antigo e raro distintivo do IV Grupo de Artilharia da FEB, da decada de 60, bordado a mão.
(acervo O Resgate FEB)
Histórico:
O Decreto-Lei 6.070-A, de 6 de dezembro de 1943, criou o Grupo do 1º Regimento de Artilharia Pesada Curta (I/1º RAPC) integrar a Força Expedicionária Brasileira na 2ª Guerra Mundial. A Unidade, que durante o conflito recebeu a designação de IV Grupo de Artilharia, se destacou por ser a tropa de mais alto calibre da Artilharia Brasileira em solo italiano.
O então IV Grupo foi o que mais cumpriu missões de tiro nas batalhas mais importantes da FEB: foram 51 missões em Monte Castelo (21 Fev), 60 missões em Castelnuovo (4 e 5 de Mar) e em Montese, apenas em 14 de abril, foram realizados 1348 tiros, ou seja, o Grupo Consumiu sozinho mais da metade do total de granadas lançadas pela FEB. Tal participação foi tão decisiva que a Unidade recebeu em 1978 a designação histórica de ‘‘Grupo Montese’’.
Atuou nos combates de La Serra, Santa Maria Villiava, Rocca Pitigliana e apoiou a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária na conquista de Soprassasso e Castelnuovo. Em 4 de abril de 1945, recebeu ordem para destruir importante ponte sobre o rio Panaro, o que foi feito pela 2ª Bateria de Obuses.
Participou na jornada de 14 de abril de 1945, que assinalou o início da última ofensiva aliada na Itália, apoiando a progressão do 11.º Regimento de Infantaria, o que contribuiu para o desmantelamento do sistema defensivo inimigo.
Para acelerar o cerco à 148.ª Divisão Alemã na bacia do rio Taro, recebeu a missão de deslocar-se para Collecchio-Fornovo. Não chegou a abrir fogo, mas suas viaturas foram usadas para o deslocamento do 6.º Regimento de Infantaria, em cujo posto de comando se deu a rendição daquela Divisão.
De volta ao Brasil, instalou-se novamente na Vila Militar do Rio de Janeiro. Nos anos 1970, recebeu sua denominação atual de 11.º Grupo de Artilharia de Campanha.
Pesquisa: Wikipédia
(acervo O Resgate FEB)
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| Pintura feita por eles na Itália do emblema da artilharia , encontrei num trator M 5 usados por eles na Itália.O M5 encontra em Brasília. |
O Decreto-Lei 6.070-A, de 6 de dezembro de 1943, criou o Grupo do 1º Regimento de Artilharia Pesada Curta (I/1º RAPC) integrar a Força Expedicionária Brasileira na 2ª Guerra Mundial. A Unidade, que durante o conflito recebeu a designação de IV Grupo de Artilharia, se destacou por ser a tropa de mais alto calibre da Artilharia Brasileira em solo italiano.
O então IV Grupo foi o que mais cumpriu missões de tiro nas batalhas mais importantes da FEB: foram 51 missões em Monte Castelo (21 Fev), 60 missões em Castelnuovo (4 e 5 de Mar) e em Montese, apenas em 14 de abril, foram realizados 1348 tiros, ou seja, o Grupo Consumiu sozinho mais da metade do total de granadas lançadas pela FEB. Tal participação foi tão decisiva que a Unidade recebeu em 1978 a designação histórica de ‘‘Grupo Montese’’.
Atuou nos combates de La Serra, Santa Maria Villiava, Rocca Pitigliana e apoiou a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária na conquista de Soprassasso e Castelnuovo. Em 4 de abril de 1945, recebeu ordem para destruir importante ponte sobre o rio Panaro, o que foi feito pela 2ª Bateria de Obuses.
Participou na jornada de 14 de abril de 1945, que assinalou o início da última ofensiva aliada na Itália, apoiando a progressão do 11.º Regimento de Infantaria, o que contribuiu para o desmantelamento do sistema defensivo inimigo.
Para acelerar o cerco à 148.ª Divisão Alemã na bacia do rio Taro, recebeu a missão de deslocar-se para Collecchio-Fornovo. Não chegou a abrir fogo, mas suas viaturas foram usadas para o deslocamento do 6.º Regimento de Infantaria, em cujo posto de comando se deu a rendição daquela Divisão.
De volta ao Brasil, instalou-se novamente na Vila Militar do Rio de Janeiro. Nos anos 1970, recebeu sua denominação atual de 11.º Grupo de Artilharia de Campanha.
Pesquisa: Wikipédia
domingo, 22 de novembro de 2020
Thunderbolt depenado.
P-47 depenado!
27/janeiro/1945
Casarsa, nordeste da Itália, a 410 km de Pisa
___________
Mais um dia gelado e de céu azul. A cinco mil pés, os P-47 da FAB oscilam suavemente ao ritmo das turbulências, com as hélices marcando círculos amarelados. Em seus cockipts os pilotos não conseguem discernir se o sol esquenta ou esfria ainda mais a cabine; e a intensa claridade obrigam-nos ao uso constante de óculos com lentes escuras.
A Esquadrilha Amarela está empenhada naquilo que os Jambocks mais gostam de fazer: atacar alvos de oportunidade. Voando em pares, os P-47 se protegem mutuamente e atiram em tudo o que se mexe sobre rodas.
O Tenente Dornelles, no P-47 código B4, voa um pouco à frente e acima do P-47 código A6 do Tenente Canario, olhos atentos varrendo as colinas e vales cobertos de neve.
Súbito uma voz grita no rádio: “veículo às 4 horas, saindo rápido!”. Um semi track de 8 ton. Sd.Kfz, provavelmente flakvierling, pois está coberto com encerado. Se for mesmo é preciso agir rápido. Dornelles manda o A6 pra cima dele e o Thunderbolt quebra imediatamente a formação, mostrando seu volumoso ventre cinza claro.
Canario não perde tempo e atira uma primeira salva, cujas balas se perdem numa colina próxima. Dornelles, por sua vez atira, mas o motorista do caminhão derrapa habilmente numa curva e consegue escapar. De novo, Canario em posição e ainda mais baixo, atira uma longa salva atingindo em cheio o veículo que estoura como uma granada, numa explosão seca e repleta de estilhaços.
Fascinado pelo espetáculo e sem perceber, seu P-47 voa ao encontro de uma chaminé. No último instante ele enxerga o obstáculo e gira desesperado, tentando tirar a asa do caminho, mas é tarde demais.
No cockipt, o piloto sente o impacto como uma chicotada que reverbera nos pedais, sentida nos pés e pela mão enluvada que segura o manche.
Devido à formidável inércia e massa, o avião derruba a construção em meio a uma nuvem de fumaça, tijolos e pedaços de alumínio e sai do outro lado, rolando como se fosse entrar num tonneau.
Por um breve segundo, Canario fecha os olhos preparando-se para o pior, mas agindo quase por instinto acelera e cabra ligeiramente o manche, levantando o nariz do avião. É preciso evitar que o P-47 se volte sobre o dorso.
Após retomar o controle, Canario perplexo, observa que onde deveria existir estrutura do avião, agora enxerga o solo deslizando lá embaixo. Falta-lhe quase um metro e trinta de asa!
Dornelles emparelha ao seu lado e, de queixo caído, vê pedaços de metal balançando e escapando pelo ar. Incrivelmente o Thunderbolt continua voando, graças a perícia do seu piloto!
Crispado nos comandos do danificado avião, Canario luta para manter o equilíbrio, enquanto Dornelles imagina o melhor rumo para o retorno. “Vamos pelo Adriático”, grita ele pelo rádio.
O P-47 danificado vibra, oscila, mas mantem-se nivelado apesar de tudo. Os dois aviões sobrevoam Veneza e seguem para o sul, evitando uma área de proteção antiaérea.
O voo prossegue relativamente bem, até as imediações de Chioggia quando, então, as coisas se complicam. Dois caças cruzam e atacam os aviões brasileiros. Impossibilitado de fazer qualquer manobra brusca, Canario permanece no seu nível de voo, enquanto Dornelles faz frente aos atacantes mostrando os dentes.
Mas que merda é essa? São Spitfires da RAF! Ao perceberem o equívoco, os ingleses balançam as asas em saudação e afastam-se em direção ao continente. Caramba!
Passado o susto, Dornelles volta à posição de fiel escudeiro prosseguindo em formação.
Já próximo à Pisa, o tempo aberto no início da manhã deu lugar a uma cobertura 3/8, dificultando a visualização de solo. Diante isso, Dornelles pede a Canario para manter-se em altitude, enquanto ele desce para obter auxílio e instruções à torre.
Contudo, esgotado e pressionado pelo longo e angustioso voo, Canario se precipita e desce juntamente com o líder, a quem só resta orientar o A6 para uma aproximação reta.
Quando tudo parecia que ia dar certo, a torre ordena para afastarem-se e fazer mais um circuito. Um P-61 Black Widow americano, ainda em piores condições, estava com prioridade!
Irritado, Canario imagina o que poderia ser mais prioritário do que um P-47 sem asa! Mas, não teve jeito. Fazendo curvas quadradas e tensas, se arriscando à eminente perda de sustentação, ele executa mais um circuito e, finalmente então, coloca as rodas do depenado Thunderbolt no chão.
Seu P-47 não o abandonara.
por Joaquim Domingues
Em homenagem ao Tem.Raymundo da Costa Canario, o quadro original do Thunderbolt foi doado pelo Roberto Celegatti e Joaquim Domimgues (Contos do Céu) à sua filha Zulmira C anario Pope moradora na Barra da Tijuca RJ.
"Thunderbolt depenado" Essa maravilhosa aviation Art foi produzida pelo artista Roberto Celegatti, especialmente para essa publicação.
Roberto Celegatti, autor da aviation art, é Sub oficial da Força Aérea Brasileira.Formado em 1988 pela EEAR - Escola de Especialista de Aeronáutica que forma o pessoal técnico da FAB, Celegatti trabalhou na Divisão de Ensino da seção da Académica da Força Aérea em Pirassununga.Desde 2011 faz parte da reserva da FAB.
Como dois velhos camaradas de armas , o A6 e o B4 agora descansam nas instalações do MUSAL no Rio de Janeiro .
Se pudessem falar ....Foto gentilmente cedida pelo Waldemar Azevedo.
Tenente Raymundo da Costa Canario.
Os danos no A6 examinados pelos mecânicos.
Esse P47 é o serial 44-19663.Sobreviveu a guerra e veio para o Brasil.
O Thunderbolt A - 6, com o saudoso Brigadeiro Lauro Ney Menezes.
Matéria: Conto do Céu.
domingo, 15 de novembro de 2020
Máscara alemã contra gás.
Máscara alemã, M 38 contra gás e recipiente original da Wehrmacht da Segunda Guerra Mundial, datado de 1944. Falta as alças de transporte e tem a marca do fabricante com 3 letras e a data 44. Pintura original. (acervo O Resgate FEB)
Datado de 1944.
(Clique na foto para ampliar)
segunda-feira, 9 de novembro de 2020
Anjos de Branco – 2º Tenente Enfermeira Maria de Lourdes Mercês
O que a vida me ensinou!
Apesar de ser ainda muito jovem a vida me ensinou algumas coisas como:
Dizer bom dia, boa tarde, boa noite, mesmo para pessoas que nunca vi antes; Calar-me para ouvir os mais velhos;
Aprender com meus erros;
Lutar para realizar meus projetos mesmo que para os outros não faça sentido;
Ser solidário e ouvir a todos que precisam apenas desabafar;
Tolerar e perdoar aqueles que tentam de alguma forma me frustrar;
Sonhar. Isso ainda nos é permitido não importa a raça, religião ou condição social;
Entender que o sentido da vida está na simplicidade das coisas;
Não conter as lágrimas quando a dor ou a emoção as exigirem;
Aproveitar o presente fazendo minhas próprias escolhas.
Reconhecer e agradecer uma boa ação ou trabalho realizado;
Compartilhar e servir ao próximo e outras lições.
Qual a fonte dessa sutil sabedoria?
Pais, amigos, professores, idosos e pessoas como a carioca MARIA DE LOURDES MERCÊS, que contagiava as pessoas com seu sorriso livre e sincero. Assim como o de uma criança.
Uma mulher marcante surpreendentemente humana que tinha o dom de escutar calmamente cada palavra de seus interlocutores. Ela não media esforços para colaborar com o próximo e talvez tenha sido esse o motivo que fundamentou a carreira profissional na área da Saúde.
Quando ouviu a notícia da guerra Maria não se importou em apontar culpados. Antes de agir ela desejou que o conflito acabasse e que os homens que definiam as estratégias dos combates fossem guiados pelos conceitos que representam a palavra civilização. Desejou que os instintos não superassem o desejo de paz. Infelizmente nem tudo o que se anseia se torna realidade.
Como a paz se recusava a dar o ar de sua graça, era preciso fazer algo. Tinha que ser alguma coisa ao seu alcance. Tinha que ser representativo. Tinha que ser diferente. Tinha que ter sinergia entre seus conceitos morais. Tinha que ser exemplar.
Não precisou de muita reflexão para chegar a uma resposta convincente. A filha do Sr. Alfredo Mercês e Maria Mercês decidira por se alistar e rapidamente transformou pensamento em ação. Obteve referências que chancelara sua aptidão no Curso de Enfermagem Samaritana da Cruz Vermelha Brasileira e Curso de Emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército (CEERE) – 1ª Turma – DF – 1ª Região Militar.
Foi nomeada Enfermeira 3a Classe, pela Portaria nº 6.292 (D.O. de 6.4.44) e convocada para o Teatro de Operações da Itália, através da Portaria nº 6.382 (DO 22.4.44). No dia em que partiu para o front, com o 14º Grupo, em 19.10.1944, lembrou-se de tudo o que vivera até ali. Recordou sua doce infância em Petrópolis. E idealizou o que faria para minimizar os danos da guerra quando chegasse no front.
No 16th Evacuation Hospital em Pistóia, Maria se deparou com dezenas de feridos e entendeu muito rapidamente que a continuação da guerra significaria mais derramamento de sangue, mais mortes, mais crueldade, mais mães chorando a perda de seus filhos, mais tristeza e mais destruição. Então o sorriso de seus lábios sumiu. Sentiu pena da intolerância dos homens e mais uma vez rogou pela paz.
Sentiu-se impotente por um instante. Era quase insuportável ver aqueles homens morrendo e sendo mutilados física e psicologicamente pela estupidez da guerra. Saiu do estado de reflexão por conta de um lamento de um ferido. Maria conteve as lágrimas, resgatou o sorriso das garras da tristeza e atendeu o paciente.
Durante aquele procedimento ela reencontrou suas forças. Maria agradeceu por estar respirando e em ótimas condições de saúde. Era exatamente este estado que lhe permitiria salvar, uma, duas e várias vidas. Então ela se entregou ao trabalho com tanta dedicação que negligenciou a própria saúde. Queria servir. Achava que o desconforto não passava de um simples mal estar passageiro. Essa postura custou-lhe três baixas ao hospital.
Teimosa insistia em voltar para ação antes de se recuperar completamente. Por fim, para vencer a insistência, sua chefia decidiu por retirá-la do front e o caminho mais rápido seria via Estados Unidos.
À volta para casa se deu a bordo do Army Hospital Ship. Chegou ao Brasil em 8.7.45 onde foi internada no Hospital Central do Exército para recuperar sua saúde perdida momentaneamente por uma boa causa.
Sua carreira no Exército foi encerrada através da Portaria nº 8.078 (D.O. de 5.4.1945). Nossa heroína foi reformada no Posto de 1º Tenente e pela dedicação recebeu a Medalha de Campanha.
Fonte de apoio e consulta:
VALADARES, Altamira Pereira. Álbum Biográfico das Febianas. Centro de Documentação Histórica do Brasil. 1976. 116p.
Vanderley Santos Vieira, é Jornalista, especialista em Comunicação.
Portal FEB.
domingo, 1 de novembro de 2020
Decalque Escuderia da FEB - Segunda Guerra
Antigo decalque d’água “Escuderia da FEB”, ladeado com as inscrições das batalhas e lugares que a Força Expedicionária Brasileira passou e no centro distintivos das unidades. Feito logo após a Guerra. Proibido a reprodução pela FEB.
Medidas: 24 x 16,5 cm.
(Acervo o Resgate FEB)
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| (clique na foto ampliar) |
terça-feira, 8 de setembro de 2020
segunda-feira, 31 de agosto de 2020
Antonio Fermiano veterano da FEB
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| Aos 97 anos, Antonio é história viva dos veteranos da 2ª Guerra. |
Antonio, ferido em conflito, participou de importantes batalhas na Itália em 1944 e 1945, ajudando os Aliados a vencerem a guerra.
O dia era 15 de abril de 1945. O local, o pequeno município de Montese, norte da Itália. Durante a Batalha de Montese, que fazia parte da ofensiva dos Aliados na Itália, já quase no fim da 2ª Guerra Mundial, um homem é ferido.
Do alto de uma montanha, um morteiro nazista espalha estilhaços que movem o cadáver de um sargento americano morto um dia antes. Embaixo desse guerreiro tombado, há uma granada, que explode e atinge a perna direita de um soldado brasileiro.
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| Diploma de Ferido em Ação. |
Esse soldado chama-se Antonio Fermiano, na época com 22 anos. O ferimento não é tão grave. Antonio passa alguns dias na enfermaria, podendo voltar a atuar semanas depois.
Por conta desse fato é condecorado pelo governo de Getúlio Vargas com a Medalha “Sangue do Brasil” e com o Diploma “Ferimento em Ação”, dedicado aos combatentes feridos diretamente pelas mãos do inimigo durante conflito.
Essa é apenas uma das histórias que compõem a rica biografia de seu Antonio, hoje com 97 anos. Com quase dois metros de altura, não pesando menos de 100 quilos, encontramos esse homenzarrão acomodado em uma cadeira de rodas, no jardim de sua casa, no bairro Residencial Sírio Libanês, região norte de Campo Grande.
Com uma touca, blusa de lã, meias grossas, manta fina no colo, parece sentir mais frio que os 23° registrados na manhã que o entrevistamos. Na verdade, um clima bem mais agradável que as temperaturas negativas da Europa no período de inverno. “É que tenho muito frio nas extremidades”, justifica ele sorrindo.
Antonio acabara de sair de uma breve internação hospitalar por causa de um mal estar. Totalmente recuperado, está na cadeira de rodas para evitar esforço por enquanto. “Se deixar ele mexe tudo aqui, esse jardim que você está vendo é tudo ele que cuida”, explica o filho Valdimir Fermiano, de 50 anos.
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| Diploma da Medalha de Campanha da FEB. |
Seu Antonio Fermiano é veterano da 2ª Guerra Mundial. Integrou a FEB (Força Expedicionária Brasileira), uma força militar aeroterrestre constituída por mais de 25 mil homens, que durante a guerra foi responsável pela participação do Brasil ao lado dos Aliados na Campanha da Itália, em suas últimas fases.
Natural de Botucatu, interior de São Paulo, veio obrigatoriamente para Campo Grande servir no começo de 1944, já com o governo brasileiro vislumbrando o envio de tropas à Europa. Depois de breve treinamento, pegou o trem até o Rio de Janeiro, onde embarcou em navio norte-americano rumo à Itália, em setembro de 1944.
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| Antonio com colega combatente na Itália durante a guerra |
Segundo estimativa da Associação Nacional dos Veteranos da Força Expedicionária Brasileira de Mato Grosso do Sul (ANVFEB – MS), cerca de 1.000 homens do que hoje é Mato Grosso do Sul, integraram o 1°Regimento de Infantaria ou Regimento Sampaio, um dos três que formaram a FEB.
A FEB ficou responsável, mais especificamente, por tentar junto a outras tropas, o desmantelamento da chamada Linha Gótica, no norte da Itália, uma importante trincheira de defesa da Alemanha Nazista, instalada em um complexo montanhoso de quase 300 km.
A primeira experiência de batalha de Antonio em solo italiano, porém, não foi em Montese, onde se feriu, foi em Monte Castelo, na conhecida Tomada de Monte Castelo, em 21 de fevereiro de 1945, primeiro grande feito das tropas brasileiras em solo europeu, ocorrida depois de três meses de batalha.
“A Batalha de Monte Castelo foi muito complicada por conta da posição privilegiada dos alemães. É uma cadeia montanhosa que favorecia a defesa nazista. Por isso os três meses de batalha”, explica vice-presidente da ANVFEB – MS, Wellington Corlet dos Santos, também coronel da reserva do Exército e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul.
É impressionante a memória de Antonio para fatos que ocorreram 75 anos atrás. Ele não chama, por exemplo, a região de Montese por esse nome, chama de “cota 758”, código criado para identificar o local. No caso de Monte Castelo, lembra da falta de piedade dos alemães.
“Eles matavam mesmo, tinham armamentos pesados e era muito difícil combatê-los, lembro de um medo constante, de não saber a hora que seríamos atacados”, recorda Antonio.
Outro documento guardado com muito carinho pelo veterano é o Diploma da Medalha de Campanha, por ter ido à guerra pela FEB. A medalha mesmo, infelizmente, se perdeu ao longo do tempo.
Seu Antonio destaca mais de uma vez a importância do Exército dos Estados Unidos no treinamento antes dos conflitos. A FEB estava subordinada aos norte-americanos e teve seus militares treinados lá mesmo, por eles, antes de irem a campo.
“Aqui no Brasil não tínhamos recebido treinamento nenhum. Se fôssemos pra batalha assim que chegássemos, seríamos liquidados rapidamente, seria um desastre”, lembra Antonio. Conforme o governo morreram 468 brasileiros no campo de batalha.
Seu Antonio também foi um dos brasileiros da FEB que visitaram e receberam a benção do Papa Pio XII no Vaticano após o término de guerra, no histórico 8 de maio, o Dia da Vitória . “Tivemos muito tempo livre depois que tudo acabou, aí fomos pra Roma e lá pude ver o Papa”.
No meio de nossa conversa, Valdimir encontra perdido em meio às caixas de recordação o brasão da FEB, uma cobra fumando um cachimbo. Esse símbolo é uma referência ao ditado famoso antes de o Brasil se posicionar ao lado dos Aliados, de que o Brasil só iria pra guerra se uma cobra fumasse. “Pois é, a cobra fumou”, disse Antonio mostrando o brasão, que ficava preso no braço. Foi daí que nasceu também a expressão usada até hoje “a cobra vai fumar”, quando algo inesperado vai acontecer.
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| Símbolo da FEB, uma cobra fumando um cachimbo. |
De volta ao Brasil, em agosto de 1945, Antonio, um veretano de guerra, ferido em combate, foi dispensado com uma mão na frente e outra atrás, em pleno dia 25 de agosto, Dia do Soldado. “Fiquei muito triste com a forma com que fui tratado. Dei meu sangue pela minha pátria e fui tratado como se não fosse ninguém”.
O ex-combatente é, infelizmente, mais um nessa triste estatística de abandono pós-guerra. A maioria dos militares da FEB foi deixada à própria sorte, sem renda. “O governo precisava de contingente para guerra e, depois que acabou, quis se livrar rapidamente daquele gasto. Além disso, vivíamos o período ditatorial do governo getulista, que tinha medo que os militares da FEB quisessem, influenciados pelos americanos, tomar o poder aqui ou promover qualquer tipo de revolução”, explica coronel Wellington Corlet.
Para se ter uma ideia, só na década de 80, durante o regime militar, foi aprovada a pensão para dos veteranos da 2ª Guerra. Algo inimaginável em países como os EUA, onde um veterano de guerra goza de uma série de privilégios. Antonio mesmo, não recebe a pensão.
Logo após a dispensa, ele, sem opção, foi obrigado trabalhar na faxina de prédios públicos de São Paulo. Não muito tempo depois, conseguiu ingressar no Corpo de Bombeiros Militar, onde ficou até se aposentar na década de 70.
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| Seu Antonio e colegas como bombeiro no Estado de São Paulo após ser dispensado. |
Cristão, pregador da palavra, Antonio se mudou várias vezes e já na década de 80 morou em Aquidauana. Rodou mais um pouco pelo Brasil e em 1990 decidiu se instalar de vez em Campo Grande, voltando ao lugar de onde partiu para testemunhar um dos eventos mais importantes da história, que mudou o rumo da humanidade.
Esse grande homem, literalmente falando, ficou desconhecido da Associação dos Veteranos todos esses anos. Foi descoberto graças a nossa reportagem, mais especificamente graças a seu filho, Valdimir, que nos procurou. “Ouço as histórias de meu pai desde criança. Ele não tem do que reclamar da vida, teve e fez de tudo”, diz o filho.
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| Valdimir, filho de Antonio ouve as histórias do pai desde criança |
Agora, somando seu Antonio, existem, no total, sete veteranos da 2ª Guerra em Mato Grosso do Sul, todos com mais de 95 anos. “São homens que lutaram por reconhecimento a vida toda”, relata Wellington.
Escrevendo essas últimas linhas, carregando ainda a emoção do encontro com esse pedaço da história vivo, na minha frente, sinto o peso da responsabilidade que é dar-lhe a oportunidade de, aos 97 anos, dizer que existe. A 2ª Guerra Mundial silenciou mais de 60 milhões de bocas, não é justo permitir o silêncio de quem sobreviveu.
“Eu sinto muito orgulho de ter servido o meu pais na guerra”, diz Seu Antonio. Posso dizer com toda certeza do mundo, nós sentimos mais ainda. Obrigado pelos seus serviços!
CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS
Foto: Silas Lima.
Por Lucas Mamédio | 16/06/2020 .06:27 .
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
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