“Vocês tomem cuidado, ainda tem muita gente ruim aqui”, que na verdade eram próprios italianos fascistas aliados aos nazistas alemães que resistiam no território.
A sua tropa instalou-se primeiramente num antigo colégio, e após várias viagens de trem, navio e caminhão pela Itália, finalmente levantaram acampamento nas proximidades de cidade de Pizza, onde receberam fardamento norte-americano, mais apropriado ao clima extremamente frio do país.
Em seu breve relato, percebe-se que o frio está presente em várias delas.
“Fiquei 8 meses como se estivesse enterrado numa pedra de gelo, com 18 graus abaixo de zero todos os dias que Deus nos dava”, ele conta que durante o banho, eram muitos banheiros ao lado um do outro e que durante o banho ele tremia tanto de freio que tinha que segurar nas paredes de lona.
Por outro lado, ele recorda com satisfação das botas, as “galochas” americanas, que aqueciam bem os pés, “nossas pernas se enterravam até os joelhos enquanto caminhávamos na neve, muitas vezes, a gente precisava da ajuda dos outros para sair”, e que ele não foi ferido, que o frio era tanto que “tenho certeza que muitos eram feridos e por causa do frio, mau sentia dor”, ele conta, e dos cigarros norte-americanos, que segundo ele, “dava para sentir o cheiro de longe.” E que ainda sente saudades daqueles cigarros.
Quanto às dificuldades no front, ele comenta o fato de os alemães terem envenenado um riacho local, numa tentativa de privar os aliados de água potável, o que foi resolvido com perfuração de um poço artesiano pelos norte-americanos. ”Os passarinhos bebiam água lá, e morriam no barranco”, observa Seu Lourival.
Ele comenta que fez parte da segurança do quartel general do General Mascarenhas de Moraes e que sempre eram lançados paras as patrulhas onde tinha o contato com os alemães e italianos fascistas.
Para dificultar ainda mais, o frio congelava o encanamento improvisado, o que os forçava muitas vezes a usar gelo para satisfazer suas necessidades de água.
“O negócio lá não era brincadeira não”, ele comenta sobre tais dificuldades.
Ele relata que o seu numero de guerra 44.818 é uma assinatura que ele carrega até nos dias hoje, quanto às armas que usou, ele se recorda do mosquetão, “batuta de bão, bom para acertar tiro”, e dos morteiros, os quais operou várias vezes. Os canhões americanos que as bombas explodiam no ar e atingiam os aviões de qualquer maneira, conta.
Segundo ele, o maior perigo que havia na Itália eram as minas explosivas enterradas.
“Eu já vi muitas explodirem, a 100 metros, qualquer estilhaço vazava direto, de noite e de dia a gente escutava (as explosões)”.
O ex-pracinha passou por momentos de extremo perigo, como no dia em que foi alvejado na perna em um vilarejo a 32 quilômetros da cidade de Pizza. Enquanto andava pelas ruas entres casas em escombros, ouviu um tiro e sentiu “a pancada na canela”, ferimento que não teve maiores complicações.
“Fizeram curativo, eu não senti nada não, em pouco tempo melhorou”, conta.
O soldado Lourival nunca soube quem fez o disparo. Segundo ele, poderia ter sido um alemão ou um italiano.
“Tinha uma parte da Itália que era contra e outra a favor de Hittler, e eles eram contra os aliados brasileiros e americanos”, ele explica.