quarta-feira, 25 de maio de 2016

O Herói Esquecido da F.E.B

'Edgard Silveira Nunes, nasceu em Tupanciretã, no Rio Grande do Sul,no dia 12 de setembro de 1926. Foi abandonado pelo pai e a situação complicou quando sua mãe morreu quando ele tinha cinco anos de idade. Adotado pelo tio materno e cansado dos maus tratamentos, fugiu de casa aos 12 anos para o Rio de Janeiro, na esperança de uma vida melhor. Aos 16 anos, se alistou como voluntario na II Guerra Mundial, no 6° Regimento de Artilharia Montada, partindo para a Itália no 5º Escalão, no dia 8 de fevereiro de 1945, a bordo do navio General Meigs e desembarcando em Nápoles, no dia 22 de fevereiro.“ Lembro que naquele dia estávamos em um treinamento dentro do navio americano, em alto mar, depois de algum tempo fomos avisados que não era um treinamento, mas que estávamos partindo para a guerra. Começamos a passar mal," contou ele.
Edgard Silveira Nunes
"Não sabemos com exatidão em que batalha nosso pai combateu. Tampouco sabemos ao certo como conseguiu as marcas de balas que tinha no corpo. O pouco que sabemos eram frases curtas, que saíam como se tivessem escapado, sem intenção. “Sem detectores de minas, mas precisando passar por determinada área, estava em um jeep com um amigo tenente, fomos vitimas de uma mina que explodiu e o tenente morreu mutilado. Eu sai ferido na cabeça.”
As únicas evidências da sua passagem no palco de operações na Itália são o diploma da medalha da Cruz de Malta, a bênção do Papa João XXIII, as fotos com amigos e uma profunda tristeza que o acompanharia até a sua morte em 2001. Pesadelos, dores de cabeça, alucinações, insônia, agressividade e comportamento auto-destrutivo. E neste “front” não se esperam homenagens, desfiles e medalhas, mas somente um grande vazio, sofrimento e recordações difíceis de esquecer.
Mas as pessoas querem fatos históricos. Quando éramos crianças também queríamos que ele nos enchesse de histórias sobre a campanha na Itália. Mas nosso pai era prisioneiro de suas recordações e segredos dos campos de batalha. Por que ele não desfilava junto aos outros pracinhas durante a semana da Pátria? A resposta se mantém clara na nossa memória: “Não tenho nada para me orgulhar. Se existem heróis, esses estão entre a população civil”. Desde então, nunca mais foi possível observar essa e outras histórias sem que pensasse em pessoas. Muito além de estratégias, deslocamentos de pelotões, tecnologias empregadas, número de baixas. As vezes achamos que nosso pai também foi vitima de incompreensão social, pois para ele retornar a vida “normal” depois de uma experiência deste tipo, ele precisou continuar se sacrificando, sozinho com as suas dificuldades para voltar à vida civil.
A história do nosso pai é interessante por revelar uma face humana diante do que foi a campanha da Força Expedicionária Brasileira - FEB na Itália, para além das estratégias e planos de combate. A sua grandeza está na capacidade de nos lembrar que é preciso haver espaço para as diferentes experiências vividas naquele momento. Uma história sobre essa expedição que não dê voz àqueles que recorreram ao silêncio como forma de amenizar o sofrimento não será uma história justa'."
Créditos: Márcia e Magda Villanova Nunes / FEB: O Herói Esquecido

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Pracinha Antônio Milioli

Carteira de sócio da Associação Nacional dos Veteranos da FEB, seção regional de Florianópolis/SC, do pracinha Antônio Milioli que participou da Segunda Guerra
Doação do amigo Rodrigo Ronzoni de Criciúma para o acervo O Resgate FEB.


(clique na foto para ampliar)

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O pracinha de Montese

Muito interessante esta matéria do amigo Ricardo Moojen Nácul publicado no facebook: História Militar e Militaria Brasileira (HMMB).

"Achei na internet uma imagem do momento que foram retirados os ossos do último soldado brasileiro da FEB localizado na Itália. O soldado de pé e testemunha deste ato era o Subten/R1 Miguel Pereira, nosso eterno guardião de Pistóia. Este soldado, que não foi possível identificar, esta enterrado no santuário Monumento Votivo Militare Brasiliano di Pistoia com o título de”Soldado Desconhecido”.
Pesquisei mais a fundo e achei um trabalho - A “magia” do soldado desconhecido: rituais fúnebres militares - de Adriane Piovezan que explica tudo, e agora divido com vocês"(Ricardo Moojen Nácul )

"De acordo com os relatos consultados, sua origem remonta à inauguração do Monumento Votivo em 7 de junho de 1966.Na ocasião da inauguração do Monumento, o prefeito fez saber às autoridades brasileiras da existência de uma antiga sepultura próxima ao centro da cidade de Montese, na qual civis italianos teriam enterrado um soldado brasileiro, morto no decorrer da batalha pela posse daquela localidade em meados de abril de 1945.
A Embaixada Brasileira em Roma organizou então as atividades de exumação e recuperação do corpo, provavelmente usando seu próprio pessoal, além de meios materiais e humanos contratados. Tratava-se de um contexto no qual havia tempos não eram mais encontrados corpos de brasileiros. Os que foram localizados, já haviam há anos sido transferidos para o Cemitério Militar Brasileiro em Pistoia e, de lá, transladados em 1960 ao Rio de Janeiro, a fim de serem reunidos no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial naquela cidade. Seria de se esperar que esse corpo tivesse o mesmo destino, uma vez que com a conversão do antigo Cemitério em Monumento o local já não exercia qualquer função cemiterial. Contudo, a destinação final do corpo deveria ser, necessariamente, precedida pela sua identificação.
Os trabalhos se iniciaram a 3 de maio de 1967, com a remoção de árvores e de uma camada de terra de cinco metros de profundidade, a qual cobria o túmulo. Todo processo foi acompanhado por um grande número de moradores locais que a tudo assistiam.
No Cemitério de Montese, o Subtenente Miguel Pereira, da 
reserva do Exército, identifica e recolhe à urna os restos mortais do “pracinha”, que permaneceu sepultado 22 anos numa ribanceira na orla de Montese. Os “velhos” da cidade, que assistiram ao combate de 14/04/1945, guardaram silenciosamente a sua sepultura, até entrega-lo ao Brasil em 23 de maio de 1965. Foi a Força Expedicionária Brasileira (I/11 RI – Batalhão Carvalho Lisboa) que libertou a Cidade de Montese, naquela jornada, de quatro anos de ocupação alemã.
É de se notar que a legenda (foto em enxo) estabelece uma ligação entre aquele morto e a população da cidade ao afirmar que os “velhos” da cidade, que assistiram ao combate de 14/04/1945, “guardaram silenciosamente” a sua sepultura, até entrega-lo ao Brasil em 23 de maio de 1965. O que se percebe claramente é a forma pela qual o enterramento desse soldado 
pelos civis italianos à época da guerra é descrito. Não foi uma solução de emergência, face às contingências impostas por uma época de extensos e violentos combates. Mas sim o resultado da relação estabelecida entre o combatente brasileiro e aqueles a quem – com o sacrifico da própria vida – ele enfim, libertou do jugo nazista. Também não se considera que se tratava de uma iniciativa isolada ou desprovida de sentido.
 O que um conjunto de moradores daquele local buscou – a tomar ao pé da letra essa legenda – foi dar sepultura ao mesmo tempo segura e apropriada (“guardaram silenciosamente”) até que o corpo pudesse ser entregue à Pátria de origem (“até entregalo ao Brasil”). Finalmente, o sentido último da presença dos brasileiros na Campanha da Itália durante a Segunda Guerra Mundial – a libertação da Itália do jugo nazista – é lembrada: “libertou a Cidade de Montese, naquela jornada, de quatro anos de ocupação alemã”.
"No Cemitério de Montese, onde se encontravam recolhidos a uma urna, os restos mortais do “Pracinha de Montese”, desde a exumação em 23/05/1967, realiza-se a entrega ao representante da Embaixada do Brasil, pelo prefeito da Cidade, depois de reconhecida, pelas autoridades italianas a nacionalidade brasileira. A urna, em madeira de lei, com alças de bronze, foi oferecida pelos marceneiros e artífices de Pistoia. Foi transportada para Pistoia, onde foi recebida pelo General Floriano de Lima Brayner, autorizado pelo Presidente da República e pelo Embaixador Dr. Alamo Louzada, para o definitivo sepultamento. Montese e Pistoia, 05/06/1967."
"Na ausência de qualquer identificação, os restos mortais passaram a ser conhecidos como o do “Pracinha de Montese”. É de se notar que, desde a época da guerra, os membros da FEB eram carinhosamente referidos pela população civil brasileira como os “pracinhas”, isto é, o diminutivo de praça, que é a palavra que designa os militares de mais baixa patente, por exclusão, aqueles que não são membros do oficialato. A batalha de Montese foi a mais cara e a mais difícil das travadas pela FEB.
Ao identificar o corpo como associado à localidade, se evoca o sacrifício suportado por todos brasileiros na libertação daquela cidade da ocupação alemã."
"Depois de um ano de pesquisa, o Guardião do Monumento, Miguel Pereira, conseguiu localizar os restos exatamente no local indicado, achando provas que não deixavam dúvidas quanto à nacionalidade dos restos e sim sobre a identidade certa de quem podia ser o corpo, entre os ainda 15 desaparecidos. A decisão de deixá-lo repousar no Monumento, enquanto Desconhecido, e então representando todos os irmãos tombados no cumprimento
do Dever, transformou o local – de fato – num Sacrário."
QUEM ERA:
"E, aos cinco metros de profundidade foi encontrado sob as vistas de inúmeras pessoas, e farta documentação fotográfica.
Reunidos os restos mortais num caixote, foram levados para o Cemitério de Montese, onde eu os revistei minuciosamente, não encontrando a placa de identificação. Na arcada dentária dos maxilares superior e inferior faltavam alguns dentes. No hemitorax esquerdo havia uma ogiva de morteiro, 60 alemão. Através pequenos objetos; botões, fio, foi por mim reconhecido
como brasileiro, ficando a identidade para ser apurada mais tarde. [...] ao mesmo tempo que envidavam-se esforços para se obter a identificação do “Pracinha Desconhecido de Montese”, através das unidades em que servia[...] Dois outros, do III Bat. do 11º R.I., foram encontrados em sepulturas fora dessa área e levados para o Cemitério de Pistoia, devidamente identificados. Um deles, Rubens Galvão, tinha a placa de identidade no pescoço; outro, não a possuía, mas, na mesma sepultura ao lado do corpo estava uma garrafa, e dentro dela um papel em que se lia o nome, Júlio Nicolau o número e a unidade daquele combatente. Quem escreveu nunca se ficou sabendo, pois o autor deve ter ficado com a placa. O terceiro extraviado, publicado no Boletim da Unidade de 16 de abril de 1945, chamava-se Fredolino Chimango, natural de Passo Fundo, Rio Grande do Sul."
"Vinte e dois anos depois, outubro de 1967, 11 horas de uma manhã rebrilhante de sol, na cidade de São João del Rey, na caserna do 11º. RI, na sua praça d´armas, o Regimento todo reunido, em posição de sentido, erético, emocionado, preparava-se para ouvir a evocação do Combate de Montese e, em seguida receber das mãos do antigo Chefe de Estado Maior (Lima Brayner), da Divisão na guerra, uma bela caixa contendo terra de Montese, colhida no local em que esteve inhumado durante 22 anos o Cabo Fredolino Chimango, e que lhe fora enviada pela 
população da cidade sempre agradecida à unidade brasileira que a libertara dos seus tirânicos ocupantes. Ali estava, presidindo a cerimônia, o Comandante do I Exército. Cabelos grisalhos, pele já apresentando as primeiras marcas da idade, o General de Exército Manoel A. Carvalho Lisboa, o bravo conquistador de Montese. Suportou com serenidade, os olhos embaciados de lágrimas, o impacto da saudade. Os jovens soldados, rígidos e traumatizados, em forma, ouviram as ordens de combate, as manobras e aflições dos pequenos comandos contados pelo célebre Tenente Iporan que foi o primeiro a entrar em Montese, hoje coronel reformado. Ali estava em traje civil, o peito coberto de medalhas. Dois jovens soldados, em meio às emoções, caíram desmaiados. (BRAYNER, 1973: 114)"
"Fora de qualquer dúvida é que o reconhecimento do corpo foi realizado, e embora jamais tenha sido contestado ou refutado, segue sem ser formalizado pela instituição militar. Na ausência de mera autorização, o único corpo ainda sepultado no Monumento Votivo de Pistoia segue cultuado como sendo do Soldado Desconhecido. Correspondentemente à essa linha de ação, o corpo do Cabo Fredolino Chimango segue sendo dado como “não-identificado”, “desaparecido” ou “extraviado”. É o que se lê na inscrição de mármore no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial no Rio de Janeiro (RJ), como pude constatar em diferentes visitas que fiz ao local no 
decorrer dessa pesquisa. Lima Brayner é bastante enfático ao denunciar esse procedimento, que considera injusto. Segundo ele: Um dia Fredolino voltará, também, para ficar, a sua linda urna, homenagem da cidade de Pistoia, ao lado das outras que já se encontram no Flamengo. E naquele mármore do Salão da Urnas se apagará, para sempre, a triste palavra – “Extraviado” – (sic) que tanto pode significar “desertor” como “prisioneiro”. Ele que todos viram lutando leoninamente... A ele que promoveram por bravura e condecoraram “post mortem” chamaram de “extraviado” só porque não viram onde ele caiu, com um estilhaço de granada no peito? – É uma injustiça. (BRAYNER, 1973:115)".

Fonte: http://www.snh2015.anpuh.org/…/1441910406_ARQUIVO_adriane.p…

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Talheres utilizados pela F.E.B

Raros talheres utilizados pela FEB na Segunda Guerra, fabricado pela Wolff e CBAM fundada em 1941, hoje pertente ao Grupo Votorantim.Tem a inscrição EUB. Infelizmente esta faltando a colher.
(acervo O Resgate FEB)
Talheres do Museu da FEB de Belo Horizonte (MG)
(clique na foto para ampliar)

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Pin de lapela FEB

Pin italiano de lapela bem antigo da "cobra fumando", esmaltado e no verso tem o nome do fabricante mas pela pátina fica difícil a leitura.
(acervo O Resgate FEB)
(clique na foto para ampliar)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

MUSEU DA FEB - GUARDIÃO DA HISTÓRIA - Campo Grande - MS

Inaugurado em 1995, a capital de Mato Grosso do Sul conta com um espaço criado com a finalidade de rememorar, resgatar e perpetuar a história FEB durante a Segunda Guerra Mundial.O Museu conta com um vasto acervo doado por ex-combatentes e seus familiares.localizado na Av Afonso Pena, nº 2270-Centro, Campo Grande - MS. Horário de funcionamento e de segunda a quinta das 9h às11h e das 14h às 16h. Na sexta das 8h às 16 h.a entrada e franca.Informações:Tel: 67 3384848
                                                                           Itens diversos
                                                                    Distintivos alemães
                                                                  Medalhas e distintivos
                                                                     Quadro de armas
                                                               Fotografias da FEB na Itália.
                                                                      Fachada do museu


Blog O Resgate FEB

segunda-feira, 28 de março de 2016

Pulseira italiana do 5º exercito americano

Pulseira souvenir feita na Itália do 5º exercito americano que lutou junto com a FEB na Segunda Guerra, tem a inscrição "CAMP ITÁLY 43-45", lembrança para os soldados aliados.
(acervo O Resgate FEB)

 
(clique na foto para ampliar)

segunda-feira, 21 de março de 2016

Expedicionário OSWALDO KANZLER

OSWALDO KANZLER (1918 – 1976) Foto do Museu da Paz
Oswaldo Kanzler é filho de Wenceslau Kanzler (imigrante húngaro) e Rosa Sohn Kanzler. Morava emSchröederstrasse I. Construtor de profissão, como todos os irmãos.
Pelo que consta, já tinha servido o exército e por isso não foi convocado para guerra, mas foi como voluntário no lugar de seu irmão Willy Kanzler que já estava casado.
Tudo indica que Osvaldo Kanzler embarcou no Rio de Janeiro dia 22 de setembro de 1944 no navio USS General Meigs.
O dia em que voltou para casa é lembrado por Invaldo Kanzler (sobrinho, que na época era pequeno) que morava perto e se encontrava na casa naquele dia quando o Sr. João Lúcio da Costa chegou trazendo de volta pra casa o Oswaldo Kanzler. Ele lembra da ôma espiando na janela ao perceber um carro chegando em sua casa. Ela não imaginava quem estaria chegando, e sua felicidade foi ime
nsa. Assim também descreve o sr. Werner, irmão de Osvaldo. Todos ficaram felizes com a volta dele. 
Na enfermaria quando foi atingido por estilhaços. Neste período não podia enviar notícias para a família e todos achavam que ele já estava morto, inclusive a família já estava de luto. Mas ele voltou e sem avisar.
Depois da chegada, Osvaldo Kanzler, se recolheu e ficou uma semana sem falar com ninguém e tendo delírios e mal estar. Foi difícil a reintegração social depois de tudo que viveu nos campos de batalha. Com certeza queria apagar de sua memória todo terror que vivenciou, mas as pessoas queriam saber o que aconteceu na guerra, pois as notícias que chegavam eram muito poucas e as cartas que escreviam não descreviam a realidade, pois eram censuradas, e só podia dizer que estavam bem. Foram tempos difíceis.
O dia em que voltou para casa é lembrado por Invaldo Kanzler (sobrinho, que na época era pequeno) que morava perto e se encontrava na casa naquele dia quando o Sr. João Lúcio da Costa chegou trazendo de volta pra casa o Oswaldo Kanzler. Ele lembra da ôma espiando na janela ao perceber um carro chegando em sua casa. Ela não imaginava quem estaria chegando, e sua felicidade foi imensa. Assim também descreve o sr. Werner, irmão de Osvaldo. Todos ficaram felizes com a volta dele
.
Logo que chegou da guerra, casou-se com Olga Demarchi que esperava por ele.
Oswaldo Kanzler não falava sobre a guerra com a família. Esse era um assunto proibido, ele não gostava de falar sobre isso pois ficava muito nervoso. D. Olga não teve uma vida fácil, por causa das consequências que a guerra deixou na vida desse bravo soldado. O álcool e o jogo tornaram-se constante o que lhe trouxe algumas perdas. Tudo que era relacionado com a guerra era odiado por ele. Hoje é possível compreender melhor, graças as informações que são disponíveis sobre o assunto. Falar do que ele viu e viveu na Itália, era reviver o horror daqueles momentos de batalha, onde resumindo era "matar ou morrer". Oswaldo faleceu em 08.03.1976, com 58 anos



Fonte
Blog:Histórico da família KANZLER
O Resgate FEB. 

domingo, 13 de março de 2016

Flamula Associação dos Ex Combatentes do Brasil - Seção Santa Maria - RS

Flamula Associação dos Ex Combatentes do Brasil, seção Santa Maria (Rio Grande do Sul) com o mapa dos lugares por onde combateu a FEB.
(O acervo O Resgate FEB)
clique na foto para ampliar

domingo, 6 de março de 2016

Marechal Olympio Falconière da Cunha - F.E.B

O General Falconière (a direita) recebendo a rendição da 148ª Divisão de Infantaria alemã
Nascido em 19 de junho de 1891, em Itajaí, Santa Catarina.
Assentou praça como cadete, em 09 de março de 1912, já com 21 anos de idade, sendo declarado aspirante a oficial em 02 de janeiro de 1915, 2º Tenente em 19 de outubro de 1916, 1º Tenente em 09 de janeiro de 1921, Capitão em 06 de outubro de 1927, Major em 10 de fevereiro de 1933 por merecimento, Tenente-Coronel em 07 de setembro de 1937 por merecimento, Coronel em 24 de maio de 1940 por merecimento, General-de-Brigada em 29 de julho de 1943, General-de-Divisão em 25 de setembro de 1948 e, finalmente, General-de-Exército em 22 de março de 1955.
Sua inclusão nos quadros da Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi inesperada e fora da organização Divisionária do tipo americano, que só comportava três generais: o Comandante da Divisão e os Comandantes das Armas. O Comandante da Infantaria acumulava as funções de Sub-Comandante da Divisão. Não Havia portanto, um comando especifico para outro oficial-general.
Entretanto, o General Falconière foi designado para integrar a FEB no dia 17 de julho de 1944. O 1º Escalão já se encontrava na Itália desde o dia 16, sob o Comando do General Mascarenhas de Moraes. Falconière permaneceu no Rio de Janeiro, ao lado do General Cordeiro de Farias que comandasse o 2º Escalão, aguardando designação de funções, pelo Gen Comandante da FEB.
Guardava-se um certo mistério, em torno dessa designação para a FEB. Chefe dinâmico, inteligente e culto, muito rigoroso, principalmente no campo administrativo, Falconière não era homem para ficar de braços cruzados, sem uma responsabilidade definida. Originário da Infantaria amava sua Arma de origem.
Quando da partida do grosso da FEB para a Itália em 22 de setembro de 1944, Falconière comandou o 3º Escalão, juntamente com o 2º Escalão, comandado pelo General Cordeiro de Farias, no mesmo comboio, que chegou à Nápoles em 05 de outubro de 1944.
Tal como se esperava, Falconière ficou sobrando. O General Zenóbio, verificando que não havia cargo para o outro general, ficou com a pulga atrás da orelha. Não admitia, de forma alguma, ceder o seu lugar ao General Falconière. Ademais, Zenóbio vinha de demonstrar a melhor capacidade de comando, ao dirigir as operações do 1º Escalão, alcançando magníficas vitórias.
Falconière era amigo intimo de Cordeiro, a quem se devia a sua indicação e designação para a FEB. Cordeiro de Farias se tivesse possibilidade de obter a troca de Zenóbio por Falconière, não vacilaria um só instante.
Mas o General Mascarenhas de Moraes solucionou o problema sem dificuldade. Era preciso criar um comando de órgãos de retaguarda que reunisse todos os órgãos subsidiários, hospitais, judiciário, transporte, etc., e providenciasse toda a dinâmica das operações da retaguarda, isto é, dos órgãos escalonados até Nápoles, que era o ponto de contato com a corrente que vinha do Brasil. Órgãos dispersos em toda a Itália, que não podiam ser controlados pelo Estado-Maior de operações. Assim designado como chefe e comandante dos órgãos de retaguarda, Falconière passou a ter sua sede, seu Posto de Comando na cidade de Montecattini, ao sul do rio Arno.
Embora aparentemente simples, surgiam constantes complicações, não somente com as organizações e comando militares estrangeiros, como com os próprios brasileiros.  O Correio Regulador, os órgãos de abastecimento, órgãos transportadores. Órgãos de hospitalização, remuniciamento, todos, constituíam uma pesada retaguarda.
O deposito de Pessoal da FEB, com cerca de 10.000 homens, dava intenso trabalho ao General Falconière, porque tinha uma certa dependência do Comando do 5º Exército, que lhe fornecia, diariamente os meios de vida e de preparação técnica, inclusive oficiais instrutores, armas e munições para o adestramento.
Ao encerrar-se a campanha da Itália, o General Mascarenhas de Moraes apreciou a colaboração do General Olympio Falconière da Cunha nos seguintes termos:
"A maneira feliz por que o General Olympio Falconière da Cunha se desincumbiu das suas funções de Comandante dos órgãos não Divisionários da 1ª DIE, serviu para confirmar o elevado conceito que goza no seio do Exército e permitir que sua figura de chefe honesto e dedicado fosse cercado de merecido prestígio pelo Comando Americano no Teatro de Operações da Itália.
Sua personalidade austera e enérgica foi uma garantia para o acatamento das ordens do Comando e para a disciplina em nossos órgãos da retaguarda, sempre um sério problema para os Exércitos em lutas. E, graças à sua ação, todas as situações difíceis sempre foram satisfatoriamente solucionadas.
As nossas brilhantes vitórias tiveram, do General Falconière, uma oportuna colaboração, pelo modo rápido e objetivo como foi feito o recompletamento do pessoal. O caráter prático dado à instrução do Depósito, com sua sábia e segura assistência, fez com que as substituições na frente não encontrassem solução de continuidade na eficiência combativa das tropas. E, assim, pode o Comando empregar sempre os seus meios em toda a plenitude de suas próprias possibilidades técnicas e físicas e, na ofensiva da primavera, perseguir o inimigo tenaz e fortemente e impor-lhe uma derrota total, com a rendição incondicional da famosa 148ª Divisão Alemã.
Nos últimos dias de campanha, exerceu ainda importante ação de comando, com a organização de um Destacamento que ocupou Tortona, Voghna e Castelnuovo, acionando, então, suas Unidades com presteza e critério e pondo à prova, mais uma vez, os seus reconhecidos e admirados dotes profissionais.
O apoio moral que recebi, em toda a fase da campanha, da pessoa de General Falconière, diz bem do seu caráter franco, leal e respeitador para com o Chefe, e da elevada formação do seu espírito militar. Apontando o nome do General Falconière ao Governo para a promoção ao mais alto posto da hierarquia militar, faço-o convencido de que o seu acesso virá premiar um digno chefe que muito fez para que o Brasil e o Exército gozassem, hoje, de um merecido prestígio que muito honram e enobrecem a Força Expedicionária Brasileira."

(a) Gen Div J. B. Mascarenhas de Moraes - Comandante da FEB

Como se vê, as atividades do General Falconière, no seu Posto de Comando de retaguarda, apesar de nunca ter se aproximado do “front”, nem participado de qualquer jornada de combate, mereceram as entusiásticas expressões traduzidas nesse louvor do Comandante da FEB. De qualquer forma, ele foi um chefe dotado de grande capacidade de comando, ao longo de toda a sua brilhante carreira militar.
Elevado ao Posto de Marechal, Olympio Falconière da Cunha encerrou sua brilhante carreira, vindo a falecer em 11 de agosto de 1967 no Rio de Janeiro.

Fonte: ANVFEB
              Blog História Militar