sexta-feira, 30 de março de 2012

FREI ORLANDO - Capitão Capelão Antônio Álvares da Silva

Nasceu em um pequeno povoado do interior de Minas Gerais, à margem direita do rio São Francisco, chamado Morada Nova, em 13 de fevereiro de 1913. Batizado, ganhou o nome de Antônio Álvares da Silva. Órfão com apenas um ano de idade, foi criado por família que prezava a religião católica. Depois da primeira comunhão, em 1920, passou a frequentar assiduamente o catecismo. Nele revelou-se nitidamente o pendor para a vida clerical, o apreço pelas coisas da Igreja, a compaixão pelos humildes. Foi assim que, tendo iniciado seus estudos em Divinópolis (MG), seguiu para a Holanda, de onde retornou para sua ordenação como sacerdote. Não era mais Antônio, mas, sim, o frei Orlando.
Frei Orlando
Ordenado frade, frei Orlando foi para São João del Rei, onde lecionou no Colégio de Santo Antônio, um estabelecimento de ensino dirigido pela Ordem dos Franciscanos Menores. Tinha 24 anos de idade. Caridoso, o jovem padre instituiu a "Sopa dos Pobres", uma obra de assistência social que chegou a receber o apoio voluntário de muitos integrantes do 11º Regimento de Infantaria (11º RI). Nessa época, deparou com os preparativos da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para a II Guerra Mundial, vendo a cidade em polvorosa com a chegada dos muitos convocados para integrar os contingentes da FEB.
Viu o 11º RI partir e não se conformou em permanecer impassivelmente na cidade. Assim, quando o então comandante do regimento, coronel Delmiro Pereira de Andrade, solicitou a indicação de um religioso para capelão militar ao Comissariado dos Franciscanos em São João del Rei, frei Orlando viu a oportunidade de concretizar um de seus mais acalentados sonhos: o de ser missionário sem fronteiras, ir a qualquer parte do mundo para multiplicar os discípulos de Deus. Integrou-se, então, à FEB, e seguiu para a Europa. Seu primeiro trabalho foi celebrar uma missa na catedral de Pisa para os pracinhas brasileiros.
Naquela manhã de fim de inverno europeu, em meio aos seus colegas, estava Frei Orlando, bravo Capelão do II Batalhão do 11º RI.
Era jovem. Físico de atleta. Cabelos negros. Semblante sempre alegre. Onde ele estivesse, estaria também à alegria. Era assim Frei Orlando. Por todos estimado.
Pelo seu heroísmo e pela sua bravura, granjeou o respeito e a admiração de todos os componentes de 11º RI.
Nos momentos mais cruéis e mais difíceis, quando o fogo da metralha e o arrebatar das granadas castigavam os homens do seu Batalhão, ali estava ele, com um realejo, a tocar para animar os soldados em luta. Para alguns, aquilo poderia parecer uma temeridade, mas não era. Ele, no meio dos soldados, simbolizava, em toda a sua inteireza, a figura do pai extremado junto aos filhos, na hora em que suas vidas corriam perigo.
“Frei Orlando, saia daí, seu lugar é junto ao médico!”. Gritavam-lhe o tenente e o sargento do pelotão. Mas o Capelão ficava. Ficava para encorajar os filhos, animando-os à luta.
Após uma reunião para tratar de assuntos referentes a Capelania, Frei Orlando não tinha viatura para regressar a Riola, onde estava o PC.
Decidiu ir a pé. Ao chegar a trezentos metros de Bombiana, encontrou um capitão do seu Batalhão, que lhe deu uma carona. Depois de percorrer uma boa parte da estrada poeirenta, o jipe esbarra numa pedra e para. Descem os ocupantes. Um “partigiano” que ia na viatura procurou remover o obstáculo, mas fê-lo desastradamente. Com a coronha do fuzil, procurou tirar a pedra de sob o eixo traseiro da viatura. A arma estava carregada, e com o esforço, detonou, atingindo em cheio o coração de Frei Orlando, que exclamou: “Minha Nossa Senhora!” O Capitão veio em socorro. Com o terço na mão, fala ao amigo: “Não há mais jeito, estou ferido”. Rezando, morreu.
Aquelas mãos, agora contraídas no terço da Virgem, foram mãos que tantas vezes abençoaram; que tantas vezes se ergueram aos céus para pedir pelos filhos, que, distantes da Pátria, bravamente lutavam para que o Brasil e o mundo fossem livres.

Fonte: Revista Militar Brasileira 
           Site ANVFEB


sexta-feira, 23 de março de 2012

Patch da Força Expedicionária Brasileira.

Raro patch da FEB (Cobra Fumando) feita pelas bordadeiras italianas tipica da cidade de Florença para os pracinhas brasileiros, pertenceu ao 1º tenente da infantaria morador da cidade do Rio de Janeiro.
(acervo O Resgate FEB)

(Clique na foto para ampliar)

A origem da expressão " A COBRA ESTÁ FUMANDO"  era uma alusão à posição brasileira em relação ao conflito; alguns acreditavam que seria mais fácil fazer uma cobra fumar que o Brasil entrar em guerra. Esta expressão tornou-se o lema da FEB-Força Expedicionária Brasileira. Empregou 25.334 homens que lutaram ao lado dos Aliados da Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

segunda-feira, 19 de março de 2012

LUVAS DE INVERNO USADO PELA F.E.B.

Luvas de fabricação americana para temperaturas abaixo de zero no rigoroso inverno de 1944 usadas pela FEB.O nome oficial deste modelo é wool / leather gloves palm ou seja luvas de lã com palmas de couro.
(acervo O Resgate FEB)
(clique na foto para ampliar)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Military Police F.E.B - ORIGEM

A organização de uma unidade para atuar com função de polícia foi mais uma exigência ditadas pela necessidade de adaptar o Exército brasileiro à nova estrutura da Segunda Guerra Mundial para operar em combate. Como se tratava se tropa especial, teve que ser criada: sua origem vem dos Decretos Reservados 6.069-A, , 6.071-A, 6.072-A, 6.073-A, todos de 06 de dezembro de 1943, que criou a Tropa Especial da 1ª Divisão e Infantaria Expedicionária. Em 05 de fevereiro de 1944, por boletim especial do Exército, o Pelotão de Polícia começou a ser organizado, inicialmente com elementos do 3º Regimento de Infantaria – sua estrutura organizacional seguia a linha do modelo americano Military Police Platoon. Algum tempo depois, o Diretor da Guarda Civil de São Paulo colocava à disposição da 1ª DIE todo seu pessoal para que dela saísse o contingente principal do Pelotão de Polícia. O oferecimento foi aceito. Tiveram desempenho importante nesse episódio o Major Luís Saldanha da Gama, recém-nomeado, Chefe do Serviço Especial da FEB , e Major Luís Gonzaga da Rocha, Chefe de Polícia. Esses dois chefes fizeram ver às autoridades militares responsáveis a enorme vantagem de aproveitamento dos homens da Guarda Civil de São Paulo. Além de ter o treinamento necessário para os serviços de polícia e de tráfego, essa tropa era composta de homens selecionados, com porte avantajado e marcial.
O Pelotão de Polícia então foi organizado em sua maioria com elementos oriundos daquela conceituada corporação policial e desde o começo se destacou do resto da FEB: uniforme bem cortado, aparência marcial e um perfeito treino para o exercício da missão a que estava destinado. Foi sem dúvida a unidade de FEB que já embarcou do Brasil com treino especializado e em pouco tempo distingui-se da demais, sabendo adquirir a confiança dos chefes. Esse preparo foi muito importante para a FEB; o Pelotão de Polícia iria exercer tarefa vital, dirigir o fluxo de tráfego em zona de combate, quer dentro da neblina artificial que durante o dia mascarava o movimento da tropa, quer durante a noite, no mais rigoroso regime de blackout. Muitos problemas de interrupção de tráfego, muitos acidentes foram evitados, muitas vidas foram poupadas pelo eficiente comportamento desse Pelotão.
Quem foi motorista na FEB não esquece a figura dos MP (Military Police, nome inicialmente dado ao Policial do Exército durante os combates na Itália) postados em uma encruzilhada ou na cabeceira de alguma ponte, dando as informações precisas, mandando aguardar ou avançar. Os membros do Pelotão frente de combate ou na retaguarda, com a missão de orientar o tráfego de veículos em comboios, carros de combate e deslocamento de tropas a pé. Essas missões obrigavam a permanecer em seus postos, e muitas vezes sob forte bombardeio inimigo. O Pelotão de Polícia teve algumas baixas, uma delas extremamente dolorosa: um soldado da MP, em serviço na Ponte Veturinna, no dia 10 de fevereiro de 1945, deu voz de prisão a um elemento da tropa aliada, em estado de embriaguez, que não queria obedecer sua instrução. Foi abatido a tiros por esse militar embriagado, que, preso logo em seguida, foi entregue à sua unidade de origem. Esse militar respondeu à Corte Marcial e foi fuzilado. O fato causou constrangimento , mas também surpresa, pela rapidez com que o comando aliado julgou e condenou o responsável à pena máxima, sem apelação ou qualquer mercê.
Os membros do Pelotão tinham características que os distinguiam do resto da tropa da FEB. Na gola do uniforme, ostentavam um distintivo “duas garruchas cruzadas” em metal amarelo (até hoje é um dos símbolos da Polícia do Exército), uma braçadeira azul-marinho com as letras MP (Military Police), depois substituídas pelas inscrição PE (Polícia do Exército) se referindo ao Braçal PE. No capacete, havia uma bandeira brasileira no centro, tendo dos lados as letras M à direita e P à esquerda, envolvendo o capacete, duas faixas amarelas e atrás o distintivo do V Exército.
Braçadeira e apito utilizados pela MP da FEB
(acervo O Resgate FEB)
                                               
O Pelotão, inicialmente comandado pelo 1º Tenente Walmir de Lima e Silva e posteriormente pelo 1º Tenente José Maciel Miler, embarcou em escalões. O primeiro acompanhou a tropa do 6º RI e integrou a Destacamento da FEB, ficando diretamente sob o comando do General Zenóbio da Costa que, a partir desse momento, passou a dar especial atenção a essa tropa, procurando aprimorar sua capacidade profissional e sua apresentação. Em março de 1945, por necessidade do serviço, o Pelotão foi transformado em Companhia de Polícia e nessa qualidade continuou a prestar seus estimáveis serviços à FEB, até o retorno, também feito em escalões. Os serviços, aliás, não cessaram com o fim das hostilidades; a Companhia continuou a operar como antes, responsável pelo tráfego, pelas atividades policiais propriamente ditas, guarda de prisioneiros e outras.

Fonte: Francisco Miranda  Blog.

segunda-feira, 5 de março de 2012

CONVITE ¨FESTA DANZANTE¨ Itália /F.E.B

clique na foto para ampliar
Raríssimo Convite, feito pelo comando e oficiais do 1º Batalhão do 6º Regimento de infantaria na cidade de Voghera (Itália), para um baile oferecido a sociedade local onde a nossa tropa esteve durante algum tempo aguardando regresso para o Brasil
(acervo o Resgate FEB)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Primeiro pracinha de Juiz de Fora que tombou em batalha na Itália.


  O texto Sidney Dantas: uma matéria do jornal Diário Mercantil, de Juiz de Fora – MG.  
O texto é de Sidney Dantas. Matéria do jornal Diário Mercantil de Juiz de
Fora – MG.
Esta matéria foi publicada em 1945, noticiando sobre o primeiro pracinha
juizforense que tombou nos campos da Itália.
O texto relata além da morte, a reação de sua mãe e a carta enviada ao pai,
notificando o falecimento.
Nos campos de batalha da Itália, perdeu a vida em operações no dia 30 de
novembro, o cabo do Exército brasileiro Hélio Thomaz que para ali seguira
incorporado à F. E. B.
O cabo Hélio Thomaz nasceu em Juiz de Fora, à Rua São Matheus, aos 15
dias de agosto de 1922.
Era filho legitimo do Sr. Valeriano A. Thomaz, oficial de pedreiro, e da Sra.
Raymunda Ernestina Thomaz, residentes nesta cidade, à Rua João do Rio
nº60- fundos, bairro do Bonfim.
Segundo conseguimos apurar, o cabo Hélio Thomaz é o primeiro juizforense
que tomba no campo de batalha na defesa dos princípios democráticos, para
cuja vigência no mundo, também se rebate ao Brasil no indeclinável revide à
afronta recebida no litoral nordestino em 1942.
OUVINDO A MÃE DO HERÓICO JUIZFORENSE.
Nossa reportagem, tendo conhecimento do ocorrido, procurou ouvir a
progenitora do cabo Hélio Thomaz, dirigindo-se para isso à sua residência.
— Meu filho - disse-nos a Sra. Raymunda Ernestina Thomaz - tinha
verdadeiro orgulho de ter sido convocado para o serviço da Pátria, tanto
assim, que matriculando-se no curso de cabos, logrou ver-se aprovado ao
terminá-lo.Quando foi incorporado à Força Expedicionária Brasileira, sentiu grande e mostrava-se, continuadamen-te, desejoso de partir para a Europa, a fim de combater pe­lo Brasil.— Meu filho era boníssimo. “Sentirei muitíssimo a sua falta, se bem que
bastante confortada por saber que ele morreu pelo Brasil”. Completou.


O COMUNICADO DO MINISTÉRIO DA GUERRA AO PAI DO CABO HÉLIO THOMAZ

É o seguinte o texto do comunicado da Secretaria do Ministério da Guerra
enviado ao pai do primeiro juizforense morto no campo de batalha na Europa:
“Ministério da Guerra — Secretaria Geral do Ministério da Guerra — Em
21de dezembro de 1944.
Sr. Valeriano Thomaz — Bastante pesaroso, comunico-vos, de ordem do
Exmo. Sr. Ministro, o falecimento em operações de guerra na Itália, no dia
30 de novembro último, do cabo Hélio Thomaz da Força Expedicionária
Brasileira.
Lamento sinceramente ter de vos transmitir essa infausta noticia,
mas é oportuno e confortador, principalmente para os parentes mais próximos,
saber que o cabo Hélio Thomaz, em terra estrangeira, soube honrar as
tradições gloriosas do soldado brasileiro, demonstrando no campo de batalha
nobres virtudes morais.
Entregue inteiramente ao serviço da Pátria, cuja honra defendeu com o
sacrifício da própria vida, deu assim um sublime exemplo de amor ao Brasil,
tornando-se um legitimo orgulho e grande incentivo aos seus parentes, amigos
camaradas e compatriotas.
Perdeu deste modo a Pátria um fiel e dedicado servidor e por esse motivo,
apresento-vos, bem como á família do cabo Hélio, em nome do Exército, as
mais sinceras e sentidas condolências.
Canrobert Pereira da Costa, general de brigada, secretario geral do M. G.”.
Fonte: Diário Mercantil de Juiz de Fora de 01 de dezembro de 1945.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

PÁ DE TRINCHEIRA US/F.E.B.

Uma ferramenta fundamental na Segunda Guerra a pá de trincheira fácil de carregar, dobrável que podia ser levar presa na mochila. A FEB utilizou muito nas trincheiras na Itália. A pá de fabricação (JAMES) americana datada de 1943 e a capa 1945.
(acervo O Resgate FEB)
(clique na foto para ampliar)
Repare na mochila  a pá, numa patrulha da FEB em Camaiore in Toscana.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Tomada de Monte Castelo F.E.B.

A Batalha de Monte Castelo foi travada ao final da Segunda Guerra Mundial, entre as tropas aliadas e as forças do Exército alemão, que tentavam conter o seu avanço no Norte da Itália. Esta batalha marcou a presença da Força Expedicionária Brasileira (FEB) no conflito. A batalha arrastou-se por três meses, de 24 de novembro de 1944 a 21 de fevereiro de 1945, durante os quais se efetuaram seis ataques, com grande número de baixas devido a vários fatores, entre os quais as temperaturas extremamente baixas. Quatro dos ataques não tiveram êxito, por falhas de estratégia.A 21 DE FEVEREIRO de 1945, a FEB tomou de assalto o Monte Castelo, posição fortemente organizada e presumivelmente inexpugnável, não somente pela situação privilegiada de dominância como por estar defendida por um adversário adestrado, experiente e combativo, que já repelira, com êxito, ataques anteriores desfechados pelos aliados.

Localização


Situado a 61,3 km sudoeste de Bolonha (monumento ai Caduti Brasiliani), via Località Abetaia (SP623), próximo a Abetaia. Coordenadas 44.221799, 10.954227, a 977m de altitude
Local das operaçães

 Operação

Em novembro de 1944, a 1ª Divisão Expedicionária do Exército Brasileiro (DIE) desviou-se da frente de batalha do Rio Serchio, onde vinha combatendo há pelo menos dois meses, para a frente do Rio Reno, na Cordilheira Apenina. O General Mascarenhas de Morais, havia montado seu QG avançado na localidade de Porreta-Terme, cuja área era cercada por montanhas sob controle dos alemães, este perímetro tinha um raio aproximado de 15 quilômetros. As posições alemãs eram consideradas privilegiadas e submetiam os brasileiros a uma vigilância constante, dificultando qualquer movimentação. Estimativas davam que o inverno prometia ser rigoroso, além do frio intenso, as chuvas transformaram as estradas, já esburacas pelos bombardeiros aliados, em verdadeiros mares de lama.
O General Mark Clark, comandante das Forças Aliadas na Itália, pretendia direcionar sua marcha com o 4º Corpo de Exército rumo a Bolonha, antes que as primeiras nevascas começassem a cair. Entretanto, a posição de Monte Castelo se mostrava extremamente importante do ponto de vista estratégico, além de dominado pelos alemães dava pleno controle sobre a região.
Artilharia da FEB em Monte Castelo

Forças Alemãs

A frente italiana estava sob a responsabilidade do Grupo-de-Exércitos "C", sob o comando do Generaloberst Heinrich von Vietinghoff. A ele estavam subordinados três exércitos alemães: 10º, 14º e "Exército da Ligúria", este último defendendo a fronteira com a França. O 14º era composto pelo 14º Corpo Panzer e pelo 51º Corpo de Montanha. Dentro do 51º Corpo estava a 232ª Divisão de Granadeiros (Infantaria), do general Barão Eccart von Gablenz, um veterano de Stalingrado. A 232ª foi ativada a 22 de junho de 1944, e era formada por veteranos convalescentes que foram feridos na frente russa e era classificada como "Divisão Estática". Era composta por três regimentos de infantaria (1043º, 1044º e 1045º), cada um com apenas dois batalhões, mais um batalhão de fuzileiros (batalhão de reconhecimento) e um regimento de artilharia com 4 grupos, além de unidades menores. Esta formação totalizava cerca de 9.000 homens. A idade da tropa variava entre 17 e 40 anos e os soldados mais jovens e aptos foram concentrados no batalhão de fuzileiros. Durante a batalha final, ela foi reforçada pelo 4º Batalhão de Montanha (Mittenwald), que foi mantido em reserva. Os veteranos que defendiam essa posição não tinham o mesmo entusiasmo do início da guerra, mas ainda estavam dispostos a cumprir com o seu dever.
Soldados do Regimento Sampaio em Monte Castelo

O ataque

Caberia, então, aos brasileiros a responsabilidade de conquistar o setor mais combativo de toda a frente Apenina. Porém havia um problema: a 1ª DIE era uma tropa ainda sem experiência suficiente para encarar um combate daquela magnitude. Mas como o objetivo de Clark era conquistar Bolonha antes do Natal, o jeito seria o de aprender na prática, ou seja, em combate.
Assim sendo, em 24 de novembro, o Esquadrão de Reconhecimento e o 3º Batalhão do 6º Regimento de Infantaria da 1ª DIE juntaram-se à Força-Tarefa 45 dos Estados Unidos para a primeira investida ao Monte Castelo.
Tropas da FEB camuflados na neve.
No segundo dia de ataques tudo indicava que a operação seria exitosa: soldados americanos chegaram até a alcançar o cume de Monte Castelo, depois de conquistarem o vizinho Monte Belvedere.
Entretanto, em uma contra-ofensiva poderosa, os homens da 232ª Divisão de Infantaria germânica, responsável pela defesa de Castelo e do Monte Della Torracia, recuperaram as posições perdidas, obrigando os soldados brasileiros e americanos a abandonar as posições já conquistadas - com exceção do Monte Belvedere.
Soldados de gelo
Em 29 de novembro, planejou-se o 2º ataque ao monte. Nesta contra-ofensiva a formação de ataque seria quase em sua totalidade obra da 1ª DIE - com três batalhões - contando apenas com o suporte de três pelotões de tanques americanos. Todavia, um fato imprevisto ocorrido na véspera da investida comprometeria os planos: na noite do dia 28, os alemães haviam efetuado em contra-ataque contra o Monte Belvedere, tomando a posição dos americanos e deixando descoberto o flanco esquerdo do aliados.
Inicialmente a DIE pensou em adiar o ataque, porém as tropas já haviam ocupado suas posições e deste modo a estratégia foi mantida. Às 7 horas uma nova tentativa foi efetuada.
As condições do tempo mostravam-se extremamente severas: chuva e céu encoberto impediam o apoio da força aérea e a lama praticamente inviabilizava a participação de tanques. O grupamento do General Zenóbio da Costa no início conseguiu um bom avanço, mas o contra-ataque alemão foi violento. Os soldados alemães dos 1.043º, 1.044º e 1.045º Regimentos de Infantaria barraram os avanços dos soldados. No fim da tarde, os dois batalhões brasileiros voltaram à estaca zero.
Duras batalhas pela tomada de Monte Castelo
Em 5 de dezembro, o general Mascarenhas recebe uma ordem do 4º Corpo: "Caberia à DIE capturar e manter o cume do Monte Della Torracia - Monte Belvedere." Ou seja, depois de duas tentativas frustradas, Monte Castelo ainda era o objetivo principal da próxima ofensiva brasileira, a qual havia sido adiada por uma semana.
Mas em 12 de dezembro de 1944, a operação foi efetivada, data que seria lembrada pela FEB como uma das mais violentas enfrentadas pela tropas brasileiras no Teatro de Operações na Itália.
Com as mesmas condições meteorológicas da investida anterior, o 2º e o 3º batalhões do 1º Regimento de Infantaria fizeram, inicialmente, milagres. Houve inicialmente algumas posições conquistadas, mas o pesado fogo da artilharia alemã fazia suas baixas. Mais uma vez a tentativa de conquista se mostrou infrutífera e, o pior, causando 150 baixas, sendo que 20 soldados brasileiros haviam sido mortos. A lição serviu para reforçar a convicção de Mascarenhas de que Monte Castelo só seria tomada dos alemães se toda a divisão fosse empregada no ataque - e não apenas alguns batalhões, como vinha ordenando o 5º Exército.
Somente em 19 de Fevereiro de 1945, após a melhora do inverno o comando do 5º Exército determinou o início de uma nova afensiva para a conquista do monte. Tal ofensiva utilizaria as tropas aliadas, incluindo a 1ª DIE, ofensiva que levaria as tropas para o Vale do Pó, até a fronteira com a França

O Ataque Final

Novamente a ofensiva batizada de Encore, ou Bis, utilizaria a formação brasileira para a conquista do Monte e a consequente expulsão dos alemães. Desta vez a tática utilizada, seria a mesma idealizada por Mascarenha de Moraes em 19 de Novembro.Assim, em 20 de Fevereiro as tropas da Força Expedicionária Brasileira apresentaram-se em posição de combate, com seus três regimentos prontos para partir rumo a Castelo. À esquerda do grupamento verde-amarelo, avançaria a 10ª Divisão de Montanha dos Estados Unidos, tropa de elite, que tinha como responsabilidade tomar o Monte Della Torracia e garantir, dessa forma, a proteção do flanco mais vulnerável do setor.
O ataque começou às 6 horas da manhã, o Batalhão Uzeda seguiu pela direita, o Batalhão Franklin na direção frontal ao Monte e o Batalhão Sizeno Sarmento aguardava, nas posições privilegiadas que alcançara durante a noite, o momento de juntar-se aos outros dois batalhões. Conforme descrito no plano Encore, os brasileiros deveriam chegar ao topo do Monte Castelo às 18 horas, no máximo - uma hora depois do Monte della Torracia ser conquistado pela 10ª Divisão de Montanha, evento programado para as 17 horas. O 4º Corpo estava certo de que o Castelo não seria tomado antes que Della Torracia também o fosse.
Entretanto, às 17h30, quando os primeiros soldados do Batalhão Franklin do 1º Regimento conquistaram o cume do Monte Castelo, os americanos ainda não haviam vencido a resistência alemã. Só o fariam noite adentro, quando os pracinhas há muito já haviam completado sua missão, e começavam a tomar posição nas trincheiras e casamatas recém-conquistadas. Grande parte do sucesso da ofensiva foi creditada à Artilharia Divisionária, comandada pelo General Cordeiro de Farias, que entre 16h e 17h do dia 22, efetuou um fogo de barragem perfeito contra o cume do Monte Castelo, permitindo a movimentação das tropas brasileiras.
Vista da região de Monte Castelo

 Bibliografia

  • Böhmler Rudolf , Monte Cassino - Editora Flamboyant, 1966
  • Marechal Mascarenhas de Morais, Memórias (Volume 1)- Bibliex,1984
  • Joel Silveira, O Inverno na Guerra - Objetiva,2005
  • General Walter de Menezes Paes, Lenda Azul - Bibliex 1992
  • Wikipédia
  • Ilustração, Henrique Moura.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Souvernir Italiano

Capa de almofada bordada pelas costureiras italianas de Florença em 1944 com o emblema do 5º exército americano que junto com a FEB combateram na Itália, uma das várias lembranças que os soldados levavam para casa.
 (acervo O Resgate FEB) 
(clique na foto para ampliar)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Herói Eurípedes Ribeiro Guimarães (Pinduca) F.E.B

Foi com muita alegria e orgulho que nesta visita a minha terra querida (Curvelo-MG) conversei com familiares dos pracinhas de Curvelo(nove participaram da Segunda Guerra) todos amigos e conhecidos dos meus parentes.Aos pucos vou postando as matérias sobre os heróis Curvelanos.Mo blog a várias matérias sobre a participação dos curvelanos na Itália.
                                    EURÍPEDES RIBEIRO GUIMARÃES  (Pinduca)
Nasceu em Curvelo teve três filhos: -Walquiria Ribeiro Guimarães, Wanderley Ribeiro Guimarães e Geraldo Magela.Foi voluntário fez parte do primeiro escalão participou das batalhas de Montese e Monte Castelo ferido em combate com explosão de uma granada ficando surdo e recebeu do presidente da Republica um aparelho auditivo.Após a guerra foi morar no Rio de Janeiro voltando para Curvelo trabalhou na fabrica Othom Bezerra de Melo (hoje fabrica Maria Amália) em seguida como carteiro até falecer em 15 de maio de 1971.Primo de primeiro grau de um herói brasileiro nascido em Curvelo morto em Combate em Montese o primeiro Tenente RUI  LOPES  RIBEIRO.(matéria no blog)
Agradeço a a hospitalidade e gentileza de sua filha Walquiria que com muito atenção me recebeu prometendo resgatar mais sobre mais um herói brasileiro.
Uma foto de estúdio após a guerra com o patch da cobra fumando e do 5º exército americano e a Medalha de Campanha  de participação na Segunda Guerra.
O Diploma da Medalha de Campanha
Certificado de reservista emitido na Itália
Um raro diploma de participação  pelo 5º Exercito , 6º Exército americanos que juntos atuaram na Itália com a FEB.
(clique na foto para ampliar)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Placa de Identificação (dog tag) . F.E.B .

- Dogtag (placa de identificação) da Força Expedicionária Brasileira do praça (PRA) Sebastião Stepha identidade de guerra (1G): 289704, sangue O, lotado na Companhia do Quartel General, embarcou para Itália em 22 / 9 / 1944  e retornou em 22 / 8 / 1945.
Rara placa de identificação de um oficial (OF) da FEB de nome José B Villela de identidade de guerra (1G) 220544  fez parte do 1º escalão tipo sanguíneo 0.O número é a designação da Região Militar onde o militar era inscrito. Por exemplo, 1G era da 1 RM, do Rio de Janeiro.Placas de cobre feitas no Brasil ,EUB.(Estados Unidos do Brasil).
(acervo O Resgate FEB)


(clique na foto para ampliar)



Curiosidade sobre o dogtag-F.E.B
                                                                          
Todos os expedicionários levavam numa corrente dependurada no pescoço duas placas de identidade feita de metal com os dizeres em relevo. Nela constavam o nome , numero de identificação, tipo sanguíneo, ano de vacinação anti-tetânica e as iniciais OF (oficiais) e PRA (praças) e acima do nome a palavra Brasil.A seção do Quartel General encarregado de fornecer as placas, lutou penosamente para que ninguém fosse desfalcado desse importante prova de identidade. A ordem de usar as placas no pescoço era terminante. Apesar de toda severidade e fiscalização verificou que muitos soldados no teatro de operações não tinham ou deixaram no saco entre sua bagagem.O resultado dessa falta de compreensão de muitos soldados que a insistência e zelo dos comandantes, foi que tivemos dezoito mortos desconhecidos alem de inúmeras outros custo de identifica los pelo Pelotão de Sepultamento.Uma aplicação interessante da placa de identificação(justamente por isso tinha os dizeres em relevo) era de servir de matriz para impressão do ferido ou doente na ficha de evacuação para os hospitais. Outra aplicação da placa era de identificar os mortos  ao serem recolhidos pelo Pelotão de Sepultamento e depois ao serem enterrados, uma das placas era presa a cruz do túmulo e a outra acompanhava o corpo.                                                    
As placas de cobre  produziam azinhavre e com pouco tempo apareciam manchas verdes no peito.Posteriormente o 2º escalão e os que seguiram receberam placas de melhor qualidade e uma correntinha de aço inoxidável.Mal chegados a Itália a engenhosidade de nossos  soldados descobriram uma utilidade nova para a capa dos fios de telefones alemães, bem melhores do que usavam e recebidas dos americanos. Era uma capa de plástico alaranjada, forte, firme de durabilidade extraordinária. Arrancada o fio e cortada a capa de um lado era enfiada nas bordas das placas as quais aderia firme.Essa invenção dos soldados impedia que as placas encostassem diretamente na pele e desapareceram as manchas verdes de azinhavre do peito.
 Pesquisa:¨A Epopêia dos Apeninos¨   José de Oliveira Ramos.
                       ¨Crônicas de Guerra¨ 1º Tenente Cássio Abranches Viotti. (BH- MG)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

CRÔNICAS DA F.E.B. Chico Paraiba

CHICO PARAIBA
-Tenente Ithamar! A Policia do Exército americana veio aqui e prendeu o Chico Paraíba. Dizem que vai ser julgado pela corte marcial.
Quem falava era o sargento Arlindo, encarregado do alojamento de uma companhia do 11º Batalhão de Infantaria de Montanha, da FEB-Força Expedicionária Brasileira. Estavam próximos à cordilheira dos Apeninos, e era o inverno italiano, no começo de 1945. O Tenente Ithamar, com seu grupo de reconhecimento, estava chegando de uma missão noturna junto às linhas alemãs. Não tinham havido baixas, felizmente. Mas nem por isso o humor do tenente era dos melhores. Para a perigosa missão, em terreno desconhecido, e à noite, só contava com um guia italiano, em quem, aliás, não confiara muito, desde o início. Soldados em combate desenvolvem um sexto sentido, e o seu não falhara. O italiano era um covarde, que os abandonara na escuridão de uma encosta, em meios a restos de neve, quando uma sentinela alemã, percebendo os ruídos do grupo, rolara uma granada morro abaixo. Que felizmente não explodira muito perto. Escafedera-se o carcamano, e os brasileiros não mais haveriam de ouvir falar nele. Também pudera... Se o encontrassem depois daquilo, iriam moê-lo de pancada, no mínimo. O tenente, quando pensava nele, praguejava entre dentes. Sem orientação, tivera que arriscar uma retirada que só era segura morro abaixo. No sopé, sem direção, poderia cair numa trincheira inimiga e seria um desastre. O jeito fora esperar o inicio da manhã e se guiar, mal e mal, pela bússola. Foi o que fez, e conseguiram retornar, embora os alemães, como todos os combatentes veteranos, tendo desenvolvido uma visão mais acurada, os tivessem percebido, e enviado algumas rajadas de metralhadora, quando se deslocavam. Mas nessa altura já estavam fora de alcance. Era, pois, um tenente Ithamar tenso, sujo, com frio, fome e cansaço quem recebia a má notícia.
- O que o Chico fez para ser preso?
- Disse que estava cansado dessa ração americana e queria fazer uma sopa. Deu um tiro de fuzil numa galinha e fez a sopa. O italiano dono da galinha foi no quartel dos americanos e deu queixa. Eles vieram aqui e levaram o Chico. Tentei discutir com eles, mas não adiantou. Disseram que é crime e está previsto nos regulamentos.
- Mas também está nos regulamentos que quem julga nossos soldados somos nós mesmos. Você não disse isso a eles?
-Sim, disse, mas não quiseram ouvir. Eu não sabia o que fazer, eram muitos. Achei melhor esperar o Sr. chegar.
-Você, Arlindo, que fala inglês, venha comigo. Chame o Gaúcho, e pegue o jipe.
-Vamos só nós?
-Não é preciso mais ninguém.
- Vamos desarmados?
-Não, armamento completo.
No trajeto, Ithamar, também paraibano, ia pensando no seu subordinado e conterrâneo. Chico era um cidadão muito popular na tropa. Sem muita instrução, era, contudo um ás na musica nordestina, cantor, tocador de sanfona, dançarino, contador de causos e piadas. Seu sotaque carregado ajudava. Desinibido e folgazão. Sei que conhecem o tipo. Faz sucesso também em política. Chico era, além disso, bom soldado. Fazia-se respeitar no momento do combate.
-Arlindo, por que você não impediu o Chico de fazer essa besteira? Perguntou Ithamar.
-Quando vi, já tinha feito. Disse a ele que ia ter problema, mas ele disse que estávamos numa guerra de matar homens, e que problema ia ter matar uma galinha?
-Bem próprio da simplicidade do Chico, pensou Ithamar, quando já estavam chegando no quartel americano.
- Arlindo, quero que você traduza exatamente o que eu disser, seja lá o que for. Entendido?
- Entendido, meu tenente.
O sentinela americano relutou em levar até o oficial de dia aquele tenente com o fardamento sujo e seus dois acompanhantes, mas não podia fazer diferente.
Foram recebidos por um capitão americano com quase dois metros de altura, bem fardado, saudável, acompanhado de quatro outros yanques, que os olhou com certo enfado.
- Diga a ele que lamento aqui comparecer sem estar devidamente fardado, mas que acabo de chegar de missão recebida do comando conjunto e não tive tempo de me trocar. Arlindo traduziu, e o capitão mudou um pouco sua postura, ao notar o olhar cansado do tenente.
- Ele pergunta em que pode ajudar, meu tenente.
- Venho buscar um soldado meu comandado, indevidamente preso pela Policia do Exercito americana, que segundo ela, cometeu transcrição disciplinar, e a parte correspondente, para que possamos julgá-lo e puni-lo, se for o caso, em corte brasileira, como manda o regulamento.
- Ele diz que o soldado preso já tem processo em andamento, e pode ser julgado pelos americanos, pois o chefe do comando conjunto é americano. Assim, não pode entregá-lo. -traduziu Arlindo a resposta.
- Diga a ele que não sairemos daqui sem meu soldado, pois não aceito a interpretação dele e sou inteiramente responsável por cada um dos meus.
O americano ouviu, esboçou um sorriso, olhou para os outros americanos e perguntou, logo traduzido por Arlindo:
- Só vocês três? E como vocês pensam em levá-lo?
- Arlindo, traduza exatamente, repetiu Ithamar: Eu não disse que iremos levá-lo. Disse que não sairemos daqui sem ele. Isso significa que, se preciso for, combateremos para levá-lo, embora sejamos minoria e provavelmente morramos aqui.
- O americano ouvia com espanto crescente a tradução. Já se preparava para o pior, quando olhou bem no fundo dos olhos do atarracado tenente brasileiro. O que viu lá não foi do seu agrado. Também não foi o que não viu. Não viu medo. Não viu raiva nem hesitação. Viu uma calma determinação que não deixava margem a dúvidas. Viu que a afirmação que ouvira com espanto era a pura expressão da verdade. Prova é que o tenente estava aferrado à sua Thompson, e por certo faria um estrago antes de morrer, se um tiroteio começasse ali. E ele estava diretamente na frente, enquadrado na linha de tiro. Ou então – quem sabe? – sentiu admiração por aquele tenente exausto, que como ele, lutava longe de casa pela liberdade, e não abandonava um dos seus nas mãos de estrangeiros, ainda que aliados.
O silêncio era gritante. Dizia muitas coisas. Mas não durou muito, embora parecesse não acabar mais. Um minuto? Menos.
O americano virou-se para um subordinado: - Busque aquele caipira e entregue a eles!
Ninguém falou mais nada. Nem quando Chico Paraíba, risonho, sem saber da tragédia que quase tinha provocado, entrou na sala.
Ithamar fez a continência de praxe, voltou-se e saiu, com seus soldados e um Chico já tagarelando de alegria. Ouviu o americano falar algo para seus companheiros. Mas nem perguntou a Arlindo o que era. Já não interessava mais. Se tivesse pedido a tradução, seria: “Esses brasileiros são loucos. Morreram às dúzias para tomar o Monte Castelo. Verdadeiros suicidas.”
(Essa crônica é uma homenagem a Ithamar Viana da Silva, que recebeu várias condecorações por bravura na Itália. Na volta da guerra, fez o curso de engenheiro no IME- Instituto Militar de Engenharia. Reformou-se como coronel, casou-se com uma goiana e aqui constituiu família. Foi professor universitário em Brasília e ocupou, com dedicação e honestidade exemplares, vários cargos públicos em Goiás. Faleceu em 1999).

Fonte:Jornal Diaário da Manhã de Goiânia