terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Primeiro pracinha de Juiz de Fora que tombou em batalha na Itália.


  O texto Sidney Dantas: uma matéria do jornal Diário Mercantil, de Juiz de Fora – MG.  
O texto é de Sidney Dantas. Matéria do jornal Diário Mercantil de Juiz de
Fora – MG.
Esta matéria foi publicada em 1945, noticiando sobre o primeiro pracinha
juizforense que tombou nos campos da Itália.
O texto relata além da morte, a reação de sua mãe e a carta enviada ao pai,
notificando o falecimento.
Nos campos de batalha da Itália, perdeu a vida em operações no dia 30 de
novembro, o cabo do Exército brasileiro Hélio Thomaz que para ali seguira
incorporado à F. E. B.
O cabo Hélio Thomaz nasceu em Juiz de Fora, à Rua São Matheus, aos 15
dias de agosto de 1922.
Era filho legitimo do Sr. Valeriano A. Thomaz, oficial de pedreiro, e da Sra.
Raymunda Ernestina Thomaz, residentes nesta cidade, à Rua João do Rio
nº60- fundos, bairro do Bonfim.
Segundo conseguimos apurar, o cabo Hélio Thomaz é o primeiro juizforense
que tomba no campo de batalha na defesa dos princípios democráticos, para
cuja vigência no mundo, também se rebate ao Brasil no indeclinável revide à
afronta recebida no litoral nordestino em 1942.
OUVINDO A MÃE DO HERÓICO JUIZFORENSE.
Nossa reportagem, tendo conhecimento do ocorrido, procurou ouvir a
progenitora do cabo Hélio Thomaz, dirigindo-se para isso à sua residência.
— Meu filho - disse-nos a Sra. Raymunda Ernestina Thomaz - tinha
verdadeiro orgulho de ter sido convocado para o serviço da Pátria, tanto
assim, que matriculando-se no curso de cabos, logrou ver-se aprovado ao
terminá-lo.Quando foi incorporado à Força Expedicionária Brasileira, sentiu grande e mostrava-se, continuadamen-te, desejoso de partir para a Europa, a fim de combater pe­lo Brasil.— Meu filho era boníssimo. “Sentirei muitíssimo a sua falta, se bem que
bastante confortada por saber que ele morreu pelo Brasil”. Completou.


O COMUNICADO DO MINISTÉRIO DA GUERRA AO PAI DO CABO HÉLIO THOMAZ

É o seguinte o texto do comunicado da Secretaria do Ministério da Guerra
enviado ao pai do primeiro juizforense morto no campo de batalha na Europa:
“Ministério da Guerra — Secretaria Geral do Ministério da Guerra — Em
21de dezembro de 1944.
Sr. Valeriano Thomaz — Bastante pesaroso, comunico-vos, de ordem do
Exmo. Sr. Ministro, o falecimento em operações de guerra na Itália, no dia
30 de novembro último, do cabo Hélio Thomaz da Força Expedicionária
Brasileira.
Lamento sinceramente ter de vos transmitir essa infausta noticia,
mas é oportuno e confortador, principalmente para os parentes mais próximos,
saber que o cabo Hélio Thomaz, em terra estrangeira, soube honrar as
tradições gloriosas do soldado brasileiro, demonstrando no campo de batalha
nobres virtudes morais.
Entregue inteiramente ao serviço da Pátria, cuja honra defendeu com o
sacrifício da própria vida, deu assim um sublime exemplo de amor ao Brasil,
tornando-se um legitimo orgulho e grande incentivo aos seus parentes, amigos
camaradas e compatriotas.
Perdeu deste modo a Pátria um fiel e dedicado servidor e por esse motivo,
apresento-vos, bem como á família do cabo Hélio, em nome do Exército, as
mais sinceras e sentidas condolências.
Canrobert Pereira da Costa, general de brigada, secretario geral do M. G.”.
Fonte: Diário Mercantil de Juiz de Fora de 01 de dezembro de 1945.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

PÁ DE TRINCHEIRA US/F.E.B.

Uma ferramenta fundamental na Segunda Guerra a pá de trincheira fácil de carregar, dobrável que podia ser levar presa na mochila. A FEB utilizou muito nas trincheiras na Itália. A pá de fabricação (JAMES) americana datada de 1943 e a capa 1945.
(acervo O Resgate FEB)
(clique na foto para ampliar)
Repare na mochila  a pá, numa patrulha da FEB em Camaiore in Toscana.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Tomada de Monte Castelo F.E.B.

A Batalha de Monte Castelo foi travada ao final da Segunda Guerra Mundial, entre as tropas aliadas e as forças do Exército alemão, que tentavam conter o seu avanço no Norte da Itália. Esta batalha marcou a presença da Força Expedicionária Brasileira (FEB) no conflito. A batalha arrastou-se por três meses, de 24 de novembro de 1944 a 21 de fevereiro de 1945, durante os quais se efetuaram seis ataques, com grande número de baixas devido a vários fatores, entre os quais as temperaturas extremamente baixas. Quatro dos ataques não tiveram êxito, por falhas de estratégia.A 21 DE FEVEREIRO de 1945, a FEB tomou de assalto o Monte Castelo, posição fortemente organizada e presumivelmente inexpugnável, não somente pela situação privilegiada de dominância como por estar defendida por um adversário adestrado, experiente e combativo, que já repelira, com êxito, ataques anteriores desfechados pelos aliados.

Localização


Situado a 61,3 km sudoeste de Bolonha (monumento ai Caduti Brasiliani), via Località Abetaia (SP623), próximo a Abetaia. Coordenadas 44.221799, 10.954227, a 977m de altitude
Local das operaçães

 Operação

Em novembro de 1944, a 1ª Divisão Expedicionária do Exército Brasileiro (DIE) desviou-se da frente de batalha do Rio Serchio, onde vinha combatendo há pelo menos dois meses, para a frente do Rio Reno, na Cordilheira Apenina. O General Mascarenhas de Morais, havia montado seu QG avançado na localidade de Porreta-Terme, cuja área era cercada por montanhas sob controle dos alemães, este perímetro tinha um raio aproximado de 15 quilômetros. As posições alemãs eram consideradas privilegiadas e submetiam os brasileiros a uma vigilância constante, dificultando qualquer movimentação. Estimativas davam que o inverno prometia ser rigoroso, além do frio intenso, as chuvas transformaram as estradas, já esburacas pelos bombardeiros aliados, em verdadeiros mares de lama.
O General Mark Clark, comandante das Forças Aliadas na Itália, pretendia direcionar sua marcha com o 4º Corpo de Exército rumo a Bolonha, antes que as primeiras nevascas começassem a cair. Entretanto, a posição de Monte Castelo se mostrava extremamente importante do ponto de vista estratégico, além de dominado pelos alemães dava pleno controle sobre a região.
Artilharia da FEB em Monte Castelo

Forças Alemãs

A frente italiana estava sob a responsabilidade do Grupo-de-Exércitos "C", sob o comando do Generaloberst Heinrich von Vietinghoff. A ele estavam subordinados três exércitos alemães: 10º, 14º e "Exército da Ligúria", este último defendendo a fronteira com a França. O 14º era composto pelo 14º Corpo Panzer e pelo 51º Corpo de Montanha. Dentro do 51º Corpo estava a 232ª Divisão de Granadeiros (Infantaria), do general Barão Eccart von Gablenz, um veterano de Stalingrado. A 232ª foi ativada a 22 de junho de 1944, e era formada por veteranos convalescentes que foram feridos na frente russa e era classificada como "Divisão Estática". Era composta por três regimentos de infantaria (1043º, 1044º e 1045º), cada um com apenas dois batalhões, mais um batalhão de fuzileiros (batalhão de reconhecimento) e um regimento de artilharia com 4 grupos, além de unidades menores. Esta formação totalizava cerca de 9.000 homens. A idade da tropa variava entre 17 e 40 anos e os soldados mais jovens e aptos foram concentrados no batalhão de fuzileiros. Durante a batalha final, ela foi reforçada pelo 4º Batalhão de Montanha (Mittenwald), que foi mantido em reserva. Os veteranos que defendiam essa posição não tinham o mesmo entusiasmo do início da guerra, mas ainda estavam dispostos a cumprir com o seu dever.
Soldados do Regimento Sampaio em Monte Castelo

O ataque

Caberia, então, aos brasileiros a responsabilidade de conquistar o setor mais combativo de toda a frente Apenina. Porém havia um problema: a 1ª DIE era uma tropa ainda sem experiência suficiente para encarar um combate daquela magnitude. Mas como o objetivo de Clark era conquistar Bolonha antes do Natal, o jeito seria o de aprender na prática, ou seja, em combate.
Assim sendo, em 24 de novembro, o Esquadrão de Reconhecimento e o 3º Batalhão do 6º Regimento de Infantaria da 1ª DIE juntaram-se à Força-Tarefa 45 dos Estados Unidos para a primeira investida ao Monte Castelo.
Tropas da FEB camuflados na neve.
No segundo dia de ataques tudo indicava que a operação seria exitosa: soldados americanos chegaram até a alcançar o cume de Monte Castelo, depois de conquistarem o vizinho Monte Belvedere.
Entretanto, em uma contra-ofensiva poderosa, os homens da 232ª Divisão de Infantaria germânica, responsável pela defesa de Castelo e do Monte Della Torracia, recuperaram as posições perdidas, obrigando os soldados brasileiros e americanos a abandonar as posições já conquistadas - com exceção do Monte Belvedere.
Soldados de gelo
Em 29 de novembro, planejou-se o 2º ataque ao monte. Nesta contra-ofensiva a formação de ataque seria quase em sua totalidade obra da 1ª DIE - com três batalhões - contando apenas com o suporte de três pelotões de tanques americanos. Todavia, um fato imprevisto ocorrido na véspera da investida comprometeria os planos: na noite do dia 28, os alemães haviam efetuado em contra-ataque contra o Monte Belvedere, tomando a posição dos americanos e deixando descoberto o flanco esquerdo do aliados.
Inicialmente a DIE pensou em adiar o ataque, porém as tropas já haviam ocupado suas posições e deste modo a estratégia foi mantida. Às 7 horas uma nova tentativa foi efetuada.
As condições do tempo mostravam-se extremamente severas: chuva e céu encoberto impediam o apoio da força aérea e a lama praticamente inviabilizava a participação de tanques. O grupamento do General Zenóbio da Costa no início conseguiu um bom avanço, mas o contra-ataque alemão foi violento. Os soldados alemães dos 1.043º, 1.044º e 1.045º Regimentos de Infantaria barraram os avanços dos soldados. No fim da tarde, os dois batalhões brasileiros voltaram à estaca zero.
Duras batalhas pela tomada de Monte Castelo
Em 5 de dezembro, o general Mascarenhas recebe uma ordem do 4º Corpo: "Caberia à DIE capturar e manter o cume do Monte Della Torracia - Monte Belvedere." Ou seja, depois de duas tentativas frustradas, Monte Castelo ainda era o objetivo principal da próxima ofensiva brasileira, a qual havia sido adiada por uma semana.
Mas em 12 de dezembro de 1944, a operação foi efetivada, data que seria lembrada pela FEB como uma das mais violentas enfrentadas pela tropas brasileiras no Teatro de Operações na Itália.
Com as mesmas condições meteorológicas da investida anterior, o 2º e o 3º batalhões do 1º Regimento de Infantaria fizeram, inicialmente, milagres. Houve inicialmente algumas posições conquistadas, mas o pesado fogo da artilharia alemã fazia suas baixas. Mais uma vez a tentativa de conquista se mostrou infrutífera e, o pior, causando 150 baixas, sendo que 20 soldados brasileiros haviam sido mortos. A lição serviu para reforçar a convicção de Mascarenhas de que Monte Castelo só seria tomada dos alemães se toda a divisão fosse empregada no ataque - e não apenas alguns batalhões, como vinha ordenando o 5º Exército.
Somente em 19 de Fevereiro de 1945, após a melhora do inverno o comando do 5º Exército determinou o início de uma nova afensiva para a conquista do monte. Tal ofensiva utilizaria as tropas aliadas, incluindo a 1ª DIE, ofensiva que levaria as tropas para o Vale do Pó, até a fronteira com a França

O Ataque Final

Novamente a ofensiva batizada de Encore, ou Bis, utilizaria a formação brasileira para a conquista do Monte e a consequente expulsão dos alemães. Desta vez a tática utilizada, seria a mesma idealizada por Mascarenha de Moraes em 19 de Novembro.Assim, em 20 de Fevereiro as tropas da Força Expedicionária Brasileira apresentaram-se em posição de combate, com seus três regimentos prontos para partir rumo a Castelo. À esquerda do grupamento verde-amarelo, avançaria a 10ª Divisão de Montanha dos Estados Unidos, tropa de elite, que tinha como responsabilidade tomar o Monte Della Torracia e garantir, dessa forma, a proteção do flanco mais vulnerável do setor.
O ataque começou às 6 horas da manhã, o Batalhão Uzeda seguiu pela direita, o Batalhão Franklin na direção frontal ao Monte e o Batalhão Sizeno Sarmento aguardava, nas posições privilegiadas que alcançara durante a noite, o momento de juntar-se aos outros dois batalhões. Conforme descrito no plano Encore, os brasileiros deveriam chegar ao topo do Monte Castelo às 18 horas, no máximo - uma hora depois do Monte della Torracia ser conquistado pela 10ª Divisão de Montanha, evento programado para as 17 horas. O 4º Corpo estava certo de que o Castelo não seria tomado antes que Della Torracia também o fosse.
Entretanto, às 17h30, quando os primeiros soldados do Batalhão Franklin do 1º Regimento conquistaram o cume do Monte Castelo, os americanos ainda não haviam vencido a resistência alemã. Só o fariam noite adentro, quando os pracinhas há muito já haviam completado sua missão, e começavam a tomar posição nas trincheiras e casamatas recém-conquistadas. Grande parte do sucesso da ofensiva foi creditada à Artilharia Divisionária, comandada pelo General Cordeiro de Farias, que entre 16h e 17h do dia 22, efetuou um fogo de barragem perfeito contra o cume do Monte Castelo, permitindo a movimentação das tropas brasileiras.
Vista da região de Monte Castelo

 Bibliografia

  • Böhmler Rudolf , Monte Cassino - Editora Flamboyant, 1966
  • Marechal Mascarenhas de Morais, Memórias (Volume 1)- Bibliex,1984
  • Joel Silveira, O Inverno na Guerra - Objetiva,2005
  • General Walter de Menezes Paes, Lenda Azul - Bibliex 1992
  • Wikipédia
  • Ilustração, Henrique Moura.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Souvernir Italiano

Capa de almofada bordada pelas costureiras italianas de Florença em 1944 com o emblema do 5º exército americano que junto com a FEB combateram na Itália, uma das várias lembranças que os soldados levavam para casa.
 (acervo O Resgate FEB) 
(clique na foto para ampliar)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Herói Eurípedes Ribeiro Guimarães (Pinduca) F.E.B

Foi com muita alegria e orgulho que nesta visita a minha terra querida (Curvelo-MG) conversei com familiares dos pracinhas de Curvelo(nove participaram da Segunda Guerra) todos amigos e conhecidos dos meus parentes.Aos pucos vou postando as matérias sobre os heróis Curvelanos.Mo blog a várias matérias sobre a participação dos curvelanos na Itália.
                                    EURÍPEDES RIBEIRO GUIMARÃES  (Pinduca)
Nasceu em Curvelo teve três filhos: -Walquiria Ribeiro Guimarães, Wanderley Ribeiro Guimarães e Geraldo Magela.Foi voluntário fez parte do primeiro escalão participou das batalhas de Montese e Monte Castelo ferido em combate com explosão de uma granada ficando surdo e recebeu do presidente da Republica um aparelho auditivo.Após a guerra foi morar no Rio de Janeiro voltando para Curvelo trabalhou na fabrica Othom Bezerra de Melo (hoje fabrica Maria Amália) em seguida como carteiro até falecer em 15 de maio de 1971.Primo de primeiro grau de um herói brasileiro nascido em Curvelo morto em Combate em Montese o primeiro Tenente RUI  LOPES  RIBEIRO.(matéria no blog)
Agradeço a a hospitalidade e gentileza de sua filha Walquiria que com muito atenção me recebeu prometendo resgatar mais sobre mais um herói brasileiro.
Uma foto de estúdio após a guerra com o patch da cobra fumando e do 5º exército americano e a Medalha de Campanha  de participação na Segunda Guerra.
O Diploma da Medalha de Campanha
Certificado de reservista emitido na Itália
Um raro diploma de participação  pelo 5º Exercito , 6º Exército americanos que juntos atuaram na Itália com a FEB.
(clique na foto para ampliar)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Placa de Identificação (dog tag) . F.E.B .

- Dogtag (placa de identificação) da Força Expedicionária Brasileira do praça (PRA) Sebastião Stepha identidade de guerra (1G): 289704, sangue O, lotado na Companhia do Quartel General, embarcou para Itália em 22 / 9 / 1944  e retornou em 22 / 8 / 1945.
Rara placa de identificação de um oficial (OF) da FEB de nome José B Villela de identidade de guerra (1G) 220544  fez parte do 1º escalão tipo sanguíneo 0.O número é a designação da Região Militar onde o militar era inscrito. Por exemplo, 1G era da 1 RM, do Rio de Janeiro.Placas de cobre feitas no Brasil ,EUB.(Estados Unidos do Brasil).
(acervo O Resgate FEB)


(clique na foto para ampliar)



Curiosidade sobre o dogtag-F.E.B
                                                                          
Todos os expedicionários levavam numa corrente dependurada no pescoço duas placas de identidade feita de metal com os dizeres em relevo. Nela constavam o nome , numero de identificação, tipo sanguíneo, ano de vacinação anti-tetânica e as iniciais OF (oficiais) e PRA (praças) e acima do nome a palavra Brasil.A seção do Quartel General encarregado de fornecer as placas, lutou penosamente para que ninguém fosse desfalcado desse importante prova de identidade. A ordem de usar as placas no pescoço era terminante. Apesar de toda severidade e fiscalização verificou que muitos soldados no teatro de operações não tinham ou deixaram no saco entre sua bagagem.O resultado dessa falta de compreensão de muitos soldados que a insistência e zelo dos comandantes, foi que tivemos dezoito mortos desconhecidos alem de inúmeras outros custo de identifica los pelo Pelotão de Sepultamento.Uma aplicação interessante da placa de identificação(justamente por isso tinha os dizeres em relevo) era de servir de matriz para impressão do ferido ou doente na ficha de evacuação para os hospitais. Outra aplicação da placa era de identificar os mortos  ao serem recolhidos pelo Pelotão de Sepultamento e depois ao serem enterrados, uma das placas era presa a cruz do túmulo e a outra acompanhava o corpo.                                                    
As placas de cobre  produziam azinhavre e com pouco tempo apareciam manchas verdes no peito.Posteriormente o 2º escalão e os que seguiram receberam placas de melhor qualidade e uma correntinha de aço inoxidável.Mal chegados a Itália a engenhosidade de nossos  soldados descobriram uma utilidade nova para a capa dos fios de telefones alemães, bem melhores do que usavam e recebidas dos americanos. Era uma capa de plástico alaranjada, forte, firme de durabilidade extraordinária. Arrancada o fio e cortada a capa de um lado era enfiada nas bordas das placas as quais aderia firme.Essa invenção dos soldados impedia que as placas encostassem diretamente na pele e desapareceram as manchas verdes de azinhavre do peito.
 Pesquisa:¨A Epopêia dos Apeninos¨   José de Oliveira Ramos.
                       ¨Crônicas de Guerra¨ 1º Tenente Cássio Abranches Viotti. (BH- MG)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

CRÔNICAS DA F.E.B. Chico Paraiba

CHICO PARAIBA
-Tenente Ithamar! A Policia do Exército americana veio aqui e prendeu o Chico Paraíba. Dizem que vai ser julgado pela corte marcial.
Quem falava era o sargento Arlindo, encarregado do alojamento de uma companhia do 11º Batalhão de Infantaria de Montanha, da FEB-Força Expedicionária Brasileira. Estavam próximos à cordilheira dos Apeninos, e era o inverno italiano, no começo de 1945. O Tenente Ithamar, com seu grupo de reconhecimento, estava chegando de uma missão noturna junto às linhas alemãs. Não tinham havido baixas, felizmente. Mas nem por isso o humor do tenente era dos melhores. Para a perigosa missão, em terreno desconhecido, e à noite, só contava com um guia italiano, em quem, aliás, não confiara muito, desde o início. Soldados em combate desenvolvem um sexto sentido, e o seu não falhara. O italiano era um covarde, que os abandonara na escuridão de uma encosta, em meios a restos de neve, quando uma sentinela alemã, percebendo os ruídos do grupo, rolara uma granada morro abaixo. Que felizmente não explodira muito perto. Escafedera-se o carcamano, e os brasileiros não mais haveriam de ouvir falar nele. Também pudera... Se o encontrassem depois daquilo, iriam moê-lo de pancada, no mínimo. O tenente, quando pensava nele, praguejava entre dentes. Sem orientação, tivera que arriscar uma retirada que só era segura morro abaixo. No sopé, sem direção, poderia cair numa trincheira inimiga e seria um desastre. O jeito fora esperar o inicio da manhã e se guiar, mal e mal, pela bússola. Foi o que fez, e conseguiram retornar, embora os alemães, como todos os combatentes veteranos, tendo desenvolvido uma visão mais acurada, os tivessem percebido, e enviado algumas rajadas de metralhadora, quando se deslocavam. Mas nessa altura já estavam fora de alcance. Era, pois, um tenente Ithamar tenso, sujo, com frio, fome e cansaço quem recebia a má notícia.
- O que o Chico fez para ser preso?
- Disse que estava cansado dessa ração americana e queria fazer uma sopa. Deu um tiro de fuzil numa galinha e fez a sopa. O italiano dono da galinha foi no quartel dos americanos e deu queixa. Eles vieram aqui e levaram o Chico. Tentei discutir com eles, mas não adiantou. Disseram que é crime e está previsto nos regulamentos.
- Mas também está nos regulamentos que quem julga nossos soldados somos nós mesmos. Você não disse isso a eles?
-Sim, disse, mas não quiseram ouvir. Eu não sabia o que fazer, eram muitos. Achei melhor esperar o Sr. chegar.
-Você, Arlindo, que fala inglês, venha comigo. Chame o Gaúcho, e pegue o jipe.
-Vamos só nós?
-Não é preciso mais ninguém.
- Vamos desarmados?
-Não, armamento completo.
No trajeto, Ithamar, também paraibano, ia pensando no seu subordinado e conterrâneo. Chico era um cidadão muito popular na tropa. Sem muita instrução, era, contudo um ás na musica nordestina, cantor, tocador de sanfona, dançarino, contador de causos e piadas. Seu sotaque carregado ajudava. Desinibido e folgazão. Sei que conhecem o tipo. Faz sucesso também em política. Chico era, além disso, bom soldado. Fazia-se respeitar no momento do combate.
-Arlindo, por que você não impediu o Chico de fazer essa besteira? Perguntou Ithamar.
-Quando vi, já tinha feito. Disse a ele que ia ter problema, mas ele disse que estávamos numa guerra de matar homens, e que problema ia ter matar uma galinha?
-Bem próprio da simplicidade do Chico, pensou Ithamar, quando já estavam chegando no quartel americano.
- Arlindo, quero que você traduza exatamente o que eu disser, seja lá o que for. Entendido?
- Entendido, meu tenente.
O sentinela americano relutou em levar até o oficial de dia aquele tenente com o fardamento sujo e seus dois acompanhantes, mas não podia fazer diferente.
Foram recebidos por um capitão americano com quase dois metros de altura, bem fardado, saudável, acompanhado de quatro outros yanques, que os olhou com certo enfado.
- Diga a ele que lamento aqui comparecer sem estar devidamente fardado, mas que acabo de chegar de missão recebida do comando conjunto e não tive tempo de me trocar. Arlindo traduziu, e o capitão mudou um pouco sua postura, ao notar o olhar cansado do tenente.
- Ele pergunta em que pode ajudar, meu tenente.
- Venho buscar um soldado meu comandado, indevidamente preso pela Policia do Exercito americana, que segundo ela, cometeu transcrição disciplinar, e a parte correspondente, para que possamos julgá-lo e puni-lo, se for o caso, em corte brasileira, como manda o regulamento.
- Ele diz que o soldado preso já tem processo em andamento, e pode ser julgado pelos americanos, pois o chefe do comando conjunto é americano. Assim, não pode entregá-lo. -traduziu Arlindo a resposta.
- Diga a ele que não sairemos daqui sem meu soldado, pois não aceito a interpretação dele e sou inteiramente responsável por cada um dos meus.
O americano ouviu, esboçou um sorriso, olhou para os outros americanos e perguntou, logo traduzido por Arlindo:
- Só vocês três? E como vocês pensam em levá-lo?
- Arlindo, traduza exatamente, repetiu Ithamar: Eu não disse que iremos levá-lo. Disse que não sairemos daqui sem ele. Isso significa que, se preciso for, combateremos para levá-lo, embora sejamos minoria e provavelmente morramos aqui.
- O americano ouvia com espanto crescente a tradução. Já se preparava para o pior, quando olhou bem no fundo dos olhos do atarracado tenente brasileiro. O que viu lá não foi do seu agrado. Também não foi o que não viu. Não viu medo. Não viu raiva nem hesitação. Viu uma calma determinação que não deixava margem a dúvidas. Viu que a afirmação que ouvira com espanto era a pura expressão da verdade. Prova é que o tenente estava aferrado à sua Thompson, e por certo faria um estrago antes de morrer, se um tiroteio começasse ali. E ele estava diretamente na frente, enquadrado na linha de tiro. Ou então – quem sabe? – sentiu admiração por aquele tenente exausto, que como ele, lutava longe de casa pela liberdade, e não abandonava um dos seus nas mãos de estrangeiros, ainda que aliados.
O silêncio era gritante. Dizia muitas coisas. Mas não durou muito, embora parecesse não acabar mais. Um minuto? Menos.
O americano virou-se para um subordinado: - Busque aquele caipira e entregue a eles!
Ninguém falou mais nada. Nem quando Chico Paraíba, risonho, sem saber da tragédia que quase tinha provocado, entrou na sala.
Ithamar fez a continência de praxe, voltou-se e saiu, com seus soldados e um Chico já tagarelando de alegria. Ouviu o americano falar algo para seus companheiros. Mas nem perguntou a Arlindo o que era. Já não interessava mais. Se tivesse pedido a tradução, seria: “Esses brasileiros são loucos. Morreram às dúzias para tomar o Monte Castelo. Verdadeiros suicidas.”
(Essa crônica é uma homenagem a Ithamar Viana da Silva, que recebeu várias condecorações por bravura na Itália. Na volta da guerra, fez o curso de engenheiro no IME- Instituto Militar de Engenharia. Reformou-se como coronel, casou-se com uma goiana e aqui constituiu família. Foi professor universitário em Brasília e ocupou, com dedicação e honestidade exemplares, vários cargos públicos em Goiás. Faleceu em 1999).

Fonte:Jornal Diaário da Manhã de Goiânia

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Pulseira F.E.B

Rara pulseira muito usado pelos pracinhas, pertenceu de um tenente da infantaria da FEB morador do Rio de Janeiro.
(acervo O Resgate FEB)
(clique na foto para ampliar)

domingo, 8 de janeiro de 2012

DA GLÓRIA AO ESQUECIMENTO F.E.B.

Estudos mostram importância da participação de tropas brasileiras na Segunda Guerra Mundial



Uma piada corrente no país, pouco antes de o Brasil entrar na Segunda Guerra Mundial, era que Hitler teria dito ser mais fácil ver uma cobra fumando do que os brasileiros conseguirem enviar tropas para a batalha. Quando, por não ter sido possível encontrar o número ideal de soldados necessários para compor um corpo expedicionário, o governo rebatizou o grupo para Força Expedicionária Brasileira (FEB) dizia-se que o Brasil não iria mais para a guerra porque havia “tirado o corpo fora”. Segundo novas pesquisas, indesejada pelas forças aliadas e pelos militares brasileiros, produto de uma negociação pragmática do Estado Novo, em busca de maior projeção global, a FEB foi à guerra e, ao retornar, ainda amargou o desprezo nacional e a censura militar sobre sua história.Carecemos de conhecimento sobre o papel dos expedicionários na guerra, o que resulta nas ideias simplórias e absolutas sobre o seu desempenho: heróis ou trapalhões. Para as novas gerações, a participação brasileira na guerra parece tão distante quanto a Independência”, afirma o historiador César Campiani Maximiano, da PUC-SP, autor de Barbudos, sujos e fatigados (Grua Livros, 448 páginas, R$ 59). O estudo revela como os pracinhas incomodaram os militares do chamado “Exército de Caxias”, a ponto de terem suas memórias reprimidas, e forneceram munição para os movimentos dos direitos civis dos negros americanos, por ser a única tropa de combate que não promoveu a segregação racial em suas fileiras.
A FEB foi composta por 25 mil jovens brasileiros, transformados em soldados-cidadãos para combater as forças do Eixo na campanha da Itália, entre 1944 e 1945, a única força combatente da América Latina na Europa. “Com a convocação para a FEB, mais de 20 mil famílias foram diretamente afetadas pela guerra”, diz o pesquisador. A proposta de sua criação surgiu em meados de 1943 como um grandioso projeto governamental, que pretendia colher resultados estratégicos, modernizar o Exército brasileiro e adquirir experiência necessária para lutar contra inimigos internos e externos, imaginários ou não, segundo os militares.
“A FEB foi o núcleo de um projeto político que deveria fortalecer as Forças Armadas e dar ao Brasil uma posição de importância global como aliado dos Estados Unidos. O problema foi fazer os americanos pensarem o mesmo”, explica Letícia Pinheiro, professora do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio. “No auge de seu esforço de guerra, os Aliados não queriam um parceiro que precisava ser vestido, alimentado, treinado e municiado, como o Brasil, e tentou-se desestimular as pretensões brasileiras. Mas o governo de Vargas insistiu no envio de uma força expedicionária para melhorar sua posição internacional na mesa de negociações do pós-guerra”, afirma o historiador Francisco César Ferraz, professor da Universidade Estadual de Londrina. As Forças Armadas, porém, não estavam preparadas para organizar uma expedição e os poucos oficiais com experiência de combate tinham lutado pela última vez em 1932. “A instrução do Exército era baseada na doutrina militar francesa de 1914, já ultrapassada, uma abordagem científica da guerra que, na Itália, se chocaria com uma realidade de incertezas, de necessidade de improvisação e de rápida tomada de decisões pelos oficiais”, diz Campiani.
“Tinha-se a percepção de que a fanfarronice encenada em campanhas nas coxilhas ou nos tiroteios contra estudantes paulistas destreinados seria suficiente para enfrentar o Exército alemão.” No ataque a Monte Castelo, por exemplo, o comandante brasileiro, general Zenóbio da Costa, dispensou o ataque prévio da artilharia sobre posições alemães dizendo: “Não precisa! Os meus meninos tomam aquela m. no grito!” (Como citado por César em seu livro, Barbudos, sujos e fatigados). “Quando os jovens foram convocados para a guerra, inaugurou-se uma nova organização para o Exército: a de cidadãos que eram convertidos em soldados para lutar pela pátria”, observa Ferraz. Mas não foi fácil. Os convocados depararam com a tradição francesa dos militares brasileiros. “Os oficiais eram muito ríspidos com seus subordinados e os praças recebiam prisões disciplinares pelos motivos mais insignificantes. A alimentação era de péssima qualidade e os uniformes vistosos dos oficiais contrastavam com o fardamento dos soldados, feitos de tecido barato que se rasgava com facilidade”, afirma Ferraz. Além disso, legiões de conscritos das classes mais altas logo trataram de arrumar “pistolões” que lhes garantissem a exclusão da FEB. O mesmo valeu para uma quantidade considerável de oficiais do Exército regular, que arrumaram meios escusos de fugir da obrigação. Para piorar, o exame de saúde seletivo era precário e, em muitos casos, deixou no Brasil convocados em condições de saúde satisfatórias para levar outros com problemas graves, que precisaram ser revolvidos da Itália em meio ao combate. Há mesmo o caso de um tenente que foi à guerra com olho de vidro. O principal motivo de exclusão, no entanto, era “dentadura insuficiente”.
Subnutrido – Mas não se sustenta o mito do “pracinha subnutrido”. “A FEB tinha mais a feição das colônias de imigrantes do Sul, dos bairros cariocas e paulistas e das cidades mineiras do que as alegorias cantadas pelos correspondentes que criaram a ideia de que ‘caboclinhos franzinos e cheios de ginga’ seriam, por natureza, superiores aos obtusos Übermenschen tedescos”, observa César. “Poucos soldados, porém, faziam ideia dos motivos que os haviam levado a combater alemães, o que preocupava os comandos pela ausência de motivação adequada de luta”, diz o pesquisador. A favor dos pracinhas foi a exigência americana de se adotar a doutrina de combate do Exército americano pela FEB, apesar de os manuais de instrução terem chegado em inglês. Os resultados futuros, no entanto, seriam positivos. “Para os soldados incorporados às forças aliadas, na Itália, a interação com combatentes americanos trouxe uma mudança drástica de atitude. Pela primeira vez soldados brasileiros estavam recebendo o mesmo tratamento de seus superiores, ao contrário da rígida disciplina das casernas nacionais. Não há veterano da FEB que não tenha ficado impressionado com a atenção que os americanos dispensavam aos convocados”, afirma César. Na guerra, a enorme variedade de equipamento disponível para a FEB incomodou muitos oficiais brasileiros que não podiam conceber a distribuição de artigos de qualidade superior para praças. Isso explicaria a demora, muitas vezes fatal, na distribuição para os pracinhas dos uniformes de inverno, que ficaram guardados nos armazéns militares quando eram fundamentais para suportar as temperaturas de 25 graus negativos. Depois a história oficial decidiu propagar a versão do “jogo de cintura” brasileiro: ao contrário dos americanos, os expedicionários não seriam soldados dependentes de bugigangas tecnológicas para derrotar o inverno, bastando-lhes a “criatividade intrínseca aos brasileiros”, nota César.
Autocrático – “O contato com os cidadãos-soldados de outros países e as necessidades da guerra mostraram aos expedicionários um novo modelo de exército, menos autocrático, uma cultura militar diferente da vivenciada no ‘Exército de Caxias’, no qual a superioridade hierárquica e suas emanações resultavam da tiranização dos praças às vontades e ordens nem sempre confiáveis dos oficiais”, nota Ferraz. Surgia o “Exército da FEB”. Uma de suas marcas era não segregar racialmente seus soldados, o que não significava a ausência de racismo individual. A irrestrita camaradagem entre brasileiros de diversas etnias chamou a atenção de correspondentes dos jornais americanos que eram ligados aos movimentos dos direitos civis. Havia nos EUA a chamada campanha do double V, a vitória no front da guerra e no dos direitos civis em casa. Já que soldados negros estavam arriscando suas vidas em combates, a campanha pregava ser inadmissível que eles não desfrutassem de direitos de cidadania em seu país”, observa César. Um jornalista americano, fascinado ao avistar brasileiros, brancos e negros, juntos num café, pediu a um grupo de pracinhas que definisse o seu Exército. “Só existe um Exército brasileiro e ele é composto de brasileiros”, foi a resposta. Num encontro entre soldados brasileiros e americanos, os últimos perguntaram aos febianos se os “negri brasiliani sono buoni”. O brasileiro respondeu que eram todos excelentes companheiros, ao que os americanos retrucaram: “Negri americani non buoni”. “Nada chocou mais os soldados brasileiros do que essas mostras de racismo. É certo que as notícias sobre a FEB revigoraram o questionamento do sistema de segregação da sociedade americana e deram um impulso adicional ao movimento negro dos EUA”, diz César. Antes de um desfile de tropas, Zenóbio da Costa teria emitido uma determinação de isolar ou retirar os expedicionários negros das colunas, ordem que foi amplamente ignorada pelos oficiais da FEB.
O “Exército da FEB”, por todas essas razões, não agradava aos líderes do “Exército de Caxias”, que fizeram procedimentos de desmobilização apressados no retorno ao Brasil com o término da guerra. A imprensa propagava a FEB como símbolo das “tropas de democracia”, criando assim grande expectativa para o retorno dos expedicionários. “Durante muito tempo acreditou-se que Vargas temia a volta dos soldados, que poderiam apressar o fim do seu regime. Mas as maiores desconfianças partiram das principais autoridades militares brasileiras, os generais Dutra e Goes Monteiro, e de setores políticos que teriam a perder com a livre expressão política dos febianos”, fala Ferraz. Foi estabelecido um prazo limite de oito dias para o uso de uniformes da FEB e os pracinhas foram proibidos, ainda na Itália, de emitir comentários sobre a guerra sem autorização do Ministério da Guerra.
Liberal – “Havia temores políticos: a ameaça que representava para o ‘Exército de Caxias’ esse novo tipo de força militar, mais profissional, liberal e democrático; o medo de que os oficiais febianos pudessem se tornar o fiel da balança político-eleitoral e fossem cooptados pelos comunistas; acima de tudo, temia-se que os expedicionários, entre os quais Vargas tinha grande popularidade, pudessem apoiá-lo e empolgar a população para soluções diferentes daquelas do pacto conservador das elites políticas para a sucessão de Vargas”, explica Ferraz. Um exemplo desse medo foi o veto à distribuição de medalhas para todos os soldados pelos americanos. Afinal, poderia ser “fonte de vexação” para os militares de carreira que haviam ficado no Brasil e teriam que medir forças políticas e profissionais com militares moldados em combate. “Havia uma flagrante má vontade para com a FEB por autoridade do governo e muitos militares temiam ser preteridos nas futuras promoções da carreira pelos oficiais e praças expedicionários que podiam exibir experiência de guerra”, diz Ferraz.
Muitos febianos viram, com amargura, que essa experiência, única na América do Sul, não iria ser aproveitada para moldar um novo Exército, sendo, em vez disso, destacados para guarnições distantes. O grosso do contingente ainda deparou com o desemprego, pois muitos patrões, obrigados a readmitir seus empregados mobilizados, logo os demitiam alegando desajuste, neuroses ou incompetência profissional. “As dificuldades de conseguir um emprego foram potencializadas pelo fato de a maior parte dos expedicionários ter sido recrutada na idade de aprendizagem de uma profissão”, lembra Ferraz. Os veteranos não conseguiam tampouco entender por que eram proibidos de falar sobre suas experiências de combate para civis e para a imprensa. “Era preciso passar a impressão de que fora a sua formação, não o duro aprendizado dos combates, que possibilitou aos brasileiros vencer um inimigo forte, uma questão de prestígio numa sociedade em que o Exército era o principal ator político. Os militares não podiam admitir limitações e falhas”, observa Ferraz. Sem poder de barganha com autoridades do governo, muitas das quais eram oficiais graduados durante a ditadura militar e haviam fugido à convocação à guerra, os veteranos se calaram para poder sobreviver. Por uma confusão ideológica, ironia do destino, a imagem dos ex-combatentes foi associada aos militares golpistas, o que questionou ainda mais a memória da FEB. Apenas em 1988, com a nova Constituição, os veteranos conquistaram o direito de uma pensão especial. Mas, dos 25 mil, pouco menos de 10 mil estavam vivos quando o reconhecimento foi aprovado”, diz Ferraz. A pergunta “você sabe de onde eu venho?”, da Canção do expedicionário, teima em ficar sem resposta.
FONTE: publicado pela Revista FAPESP em novembro de 2010
              Blog Forças Terrestres.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cruz da sepultura do soldado desconhecido. F.E.B

Cruz da sepultura (foto) do soldado desconhecido do Cemitério Militar  Brasileiro de Pistóia (Itália) que acompanhou o translado dos restos mortais dos pracinhas para o Monumento Nacional aos Mortos  na Segunda Guerra Mundial no Rio de Janeiro (RJ)em 1960.
(clique na foto para ampliar)
Foto O Resgate FEB

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

CANTIL US/F.E.B.

Cantil americano, mas também usado pela FEB na Segunda Guerra Mundial, repare a marca US na lona de 1942 completo com a caneca.
(acervo o Resgate FEB)
O cantil igual exposto no Memorial Nacional aos Soldados Mortos na Segunda Guerra (Rio de janeiro)
(clique na foto para ampliar)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

6º RI .REGIMENTO DE INFANTARIA - F.E.B (Regimento Ipiranga)




O 6º RI - Regimento Ipiranga é uma das unidades de gloriosas tradições da Infantaria Brasileira. O seu nome está inscrito de maneira indelével na História Militar do Brasil.
Criado em junho de 1908, constituído pelos 16º, 17º e 18º Batalhões, de origens históricas dos 27º, 34º e 14º BI, respectivamente, foi instalado em 22 de março de 1909 no quartel do Bairro da Soledade, em Recife, estado de Pernambuco. Transferido, em 07 de junho de 1909, para Curitiba, combateu, entre 1913-1915, os rebeldes na Campanha do Contestado, disputa territorial entre o Paraná e Santa Catarina.
Foi reorganizado, posteriormente, em 08 de fevereiro de 1918, na Avenida Ribeiro da Silva nº 28, Campos Elísios, em São Paulo. Mais tarde, foi transferido para Caçapava/SP, instalando-se na antiga Fábrica de Tecidos da Cia. Industrial Ltda., adquirida pelo Exército.
O primeiro juramento à bandeira dos recrutas, em Caçapava, realizado em 30 de junho de 1918, na Associação Caçapavense, teve como paraninfo Olavo Bilac, patrono do Serviço Militar.
O 6º RI participou da Revolução Paulista de 1924; da Revolução constitucionalista de 1932, em defesa da democracia; debelou focos comunistas que ameaçavam a unidade durante a Intentona Comunista de 27 de novembro de 1935.
Integrou a 1ª D.I.E. - Divisão de Infantaria Expedicionária na Itália durante a 2ª Guerra Mundial. Foi a primeira tropa brasileira a entrar em ação, em 15 de novembro de 1944, e a unidade com maior números de jornadas em combate. Participou de revezes e vitórias de Loma Dissotto, San Quirico, Monte Castelo, Montese e Collecchio, do combate e do cerco de Fornovo di Taro, de 28 e 29 de abril de 1945. Culminou com a Rendição Incondicional da 148ª Divisão de Infantaria Alemã, remanescentes da Divisão da Itália e da 90ª Divisão Panzer Granadier, brilhante ação que consagrou o 6º RI nos campos da Itália . Foram 14.739 prisioneiros, cerca de 1.500 viaturas, 4.000 canhões e grande estoque de armamento e munição.

CITAÇÃO
6º Regimento de Infantaria
Por ter tido destacada atuação durante todo o longo período em que tomou parte nas operações do Vale do Serchio operou com brilhantismo na captura de Camaiore, Monte Prano e Barga. Apesar de extremamente fatigado pela série de combate e vigílias a que foi submetido, desde que entrou em linha, soube durante as operações do Vale do Reno, com energia e destemor confirma nas memoráveis jornadas de 3, 4 e 5 de março de 1945, seu conceito de Unidade Experimentada e eficiente.
Conquistou Santa Maria Voliana, Braine, Lê Vigne, Monte Della Croce, cotas 882 e 822 e capturou numa arrancada magnífica, o ponto forte inimigo de Castelnuovo. Essa esplendida ação do 6º Regimento de Infantaria, procedida na mesma jornada, da captura do Monte Soprassasso, perigoso ponto de apoio e observatório do inimigo, demonstrou com exuberância as notáveis qualidades desse Regimento, como Unidade de escol, confirmadas mais tarde pelas ações, no Vale do Panaro e na planície do Pó.
Por ocasião da ofensiva iniciada a 14 de abril, distinguiu-se nas ações de Montese, Zocca e Fornovo di Taro.
Partiu no dia 16 com o III Batalhão da área de Montese, em meio de um maciço Bombardeio de artilharia e morteiros e atacou decididamente o reduto tedesco da cota 927, sofrendo pesadas baixas devido ao fogo ajustado e violento de armas automáticas ali instaladas. Continuou a progressão e ao clarear do dia 21 tinha reduzido as fortes resistências inimigas situadas em Zocca.
Finalmente, nas operações decisivas da planície do Pó, o Ataque convergente do 6º RI sobre a histórica povoação de Fornovo, abalou o moral já combalido do inimigo e concorreu para a rendição da 148ª DI alemãs e remanescentes de outras duas grandes Unidades nazi-fascistas.
Escreveu assim o 6º Regimento de Infantaria, no conflagrado continente europeu, uma das mais brilhantes páginas da história gloriosa do Exército Brasileiro.
(Citação do Regimento por ocasião da condecoração com a Cruz de Combate de 1ª classe, colocada na Bandeira Nacional oferecida pelas Mulheres Paulistas, em cerimônia realizada a 19 de maio de 1945, na cidade italiana de Alessandria.)Pela Portaria Ministerial Reservada Nº 024, de 19 de junho de 1995, foi transformado em 6º Batalhão de Infantaria Leve.
Eis uma síntese da legendária Unidade que tem o seu nome ligado ao mais
importante acontecimento histórico da nossa Pátria, o "Grito do Ipiranga".
FONTE: 
Exército Brasileiro - Adaptado da Revista Verde-Oliva N.º 157 - Setembro/Outubro 1997.
Síntese Histórica - Livro "6º RI Expedicionário"
Arquivos Roberto R. Graciani.