quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

CRÔNICAS DA F.E.B. Chico Paraiba

CHICO PARAIBA
-Tenente Ithamar! A Policia do Exército americana veio aqui e prendeu o Chico Paraíba. Dizem que vai ser julgado pela corte marcial.
Quem falava era o sargento Arlindo, encarregado do alojamento de uma companhia do 11º Batalhão de Infantaria de Montanha, da FEB-Força Expedicionária Brasileira. Estavam próximos à cordilheira dos Apeninos, e era o inverno italiano, no começo de 1945. O Tenente Ithamar, com seu grupo de reconhecimento, estava chegando de uma missão noturna junto às linhas alemãs. Não tinham havido baixas, felizmente. Mas nem por isso o humor do tenente era dos melhores. Para a perigosa missão, em terreno desconhecido, e à noite, só contava com um guia italiano, em quem, aliás, não confiara muito, desde o início. Soldados em combate desenvolvem um sexto sentido, e o seu não falhara. O italiano era um covarde, que os abandonara na escuridão de uma encosta, em meios a restos de neve, quando uma sentinela alemã, percebendo os ruídos do grupo, rolara uma granada morro abaixo. Que felizmente não explodira muito perto. Escafedera-se o carcamano, e os brasileiros não mais haveriam de ouvir falar nele. Também pudera... Se o encontrassem depois daquilo, iriam moê-lo de pancada, no mínimo. O tenente, quando pensava nele, praguejava entre dentes. Sem orientação, tivera que arriscar uma retirada que só era segura morro abaixo. No sopé, sem direção, poderia cair numa trincheira inimiga e seria um desastre. O jeito fora esperar o inicio da manhã e se guiar, mal e mal, pela bússola. Foi o que fez, e conseguiram retornar, embora os alemães, como todos os combatentes veteranos, tendo desenvolvido uma visão mais acurada, os tivessem percebido, e enviado algumas rajadas de metralhadora, quando se deslocavam. Mas nessa altura já estavam fora de alcance. Era, pois, um tenente Ithamar tenso, sujo, com frio, fome e cansaço quem recebia a má notícia.
- O que o Chico fez para ser preso?
- Disse que estava cansado dessa ração americana e queria fazer uma sopa. Deu um tiro de fuzil numa galinha e fez a sopa. O italiano dono da galinha foi no quartel dos americanos e deu queixa. Eles vieram aqui e levaram o Chico. Tentei discutir com eles, mas não adiantou. Disseram que é crime e está previsto nos regulamentos.
- Mas também está nos regulamentos que quem julga nossos soldados somos nós mesmos. Você não disse isso a eles?
-Sim, disse, mas não quiseram ouvir. Eu não sabia o que fazer, eram muitos. Achei melhor esperar o Sr. chegar.
-Você, Arlindo, que fala inglês, venha comigo. Chame o Gaúcho, e pegue o jipe.
-Vamos só nós?
-Não é preciso mais ninguém.
- Vamos desarmados?
-Não, armamento completo.
No trajeto, Ithamar, também paraibano, ia pensando no seu subordinado e conterrâneo. Chico era um cidadão muito popular na tropa. Sem muita instrução, era, contudo um ás na musica nordestina, cantor, tocador de sanfona, dançarino, contador de causos e piadas. Seu sotaque carregado ajudava. Desinibido e folgazão. Sei que conhecem o tipo. Faz sucesso também em política. Chico era, além disso, bom soldado. Fazia-se respeitar no momento do combate.
-Arlindo, por que você não impediu o Chico de fazer essa besteira? Perguntou Ithamar.
-Quando vi, já tinha feito. Disse a ele que ia ter problema, mas ele disse que estávamos numa guerra de matar homens, e que problema ia ter matar uma galinha?
-Bem próprio da simplicidade do Chico, pensou Ithamar, quando já estavam chegando no quartel americano.
- Arlindo, quero que você traduza exatamente o que eu disser, seja lá o que for. Entendido?
- Entendido, meu tenente.
O sentinela americano relutou em levar até o oficial de dia aquele tenente com o fardamento sujo e seus dois acompanhantes, mas não podia fazer diferente.
Foram recebidos por um capitão americano com quase dois metros de altura, bem fardado, saudável, acompanhado de quatro outros yanques, que os olhou com certo enfado.
- Diga a ele que lamento aqui comparecer sem estar devidamente fardado, mas que acabo de chegar de missão recebida do comando conjunto e não tive tempo de me trocar. Arlindo traduziu, e o capitão mudou um pouco sua postura, ao notar o olhar cansado do tenente.
- Ele pergunta em que pode ajudar, meu tenente.
- Venho buscar um soldado meu comandado, indevidamente preso pela Policia do Exercito americana, que segundo ela, cometeu transcrição disciplinar, e a parte correspondente, para que possamos julgá-lo e puni-lo, se for o caso, em corte brasileira, como manda o regulamento.
- Ele diz que o soldado preso já tem processo em andamento, e pode ser julgado pelos americanos, pois o chefe do comando conjunto é americano. Assim, não pode entregá-lo. -traduziu Arlindo a resposta.
- Diga a ele que não sairemos daqui sem meu soldado, pois não aceito a interpretação dele e sou inteiramente responsável por cada um dos meus.
O americano ouviu, esboçou um sorriso, olhou para os outros americanos e perguntou, logo traduzido por Arlindo:
- Só vocês três? E como vocês pensam em levá-lo?
- Arlindo, traduza exatamente, repetiu Ithamar: Eu não disse que iremos levá-lo. Disse que não sairemos daqui sem ele. Isso significa que, se preciso for, combateremos para levá-lo, embora sejamos minoria e provavelmente morramos aqui.
- O americano ouvia com espanto crescente a tradução. Já se preparava para o pior, quando olhou bem no fundo dos olhos do atarracado tenente brasileiro. O que viu lá não foi do seu agrado. Também não foi o que não viu. Não viu medo. Não viu raiva nem hesitação. Viu uma calma determinação que não deixava margem a dúvidas. Viu que a afirmação que ouvira com espanto era a pura expressão da verdade. Prova é que o tenente estava aferrado à sua Thompson, e por certo faria um estrago antes de morrer, se um tiroteio começasse ali. E ele estava diretamente na frente, enquadrado na linha de tiro. Ou então – quem sabe? – sentiu admiração por aquele tenente exausto, que como ele, lutava longe de casa pela liberdade, e não abandonava um dos seus nas mãos de estrangeiros, ainda que aliados.
O silêncio era gritante. Dizia muitas coisas. Mas não durou muito, embora parecesse não acabar mais. Um minuto? Menos.
O americano virou-se para um subordinado: - Busque aquele caipira e entregue a eles!
Ninguém falou mais nada. Nem quando Chico Paraíba, risonho, sem saber da tragédia que quase tinha provocado, entrou na sala.
Ithamar fez a continência de praxe, voltou-se e saiu, com seus soldados e um Chico já tagarelando de alegria. Ouviu o americano falar algo para seus companheiros. Mas nem perguntou a Arlindo o que era. Já não interessava mais. Se tivesse pedido a tradução, seria: “Esses brasileiros são loucos. Morreram às dúzias para tomar o Monte Castelo. Verdadeiros suicidas.”
(Essa crônica é uma homenagem a Ithamar Viana da Silva, que recebeu várias condecorações por bravura na Itália. Na volta da guerra, fez o curso de engenheiro no IME- Instituto Militar de Engenharia. Reformou-se como coronel, casou-se com uma goiana e aqui constituiu família. Foi professor universitário em Brasília e ocupou, com dedicação e honestidade exemplares, vários cargos públicos em Goiás. Faleceu em 1999).

Fonte:Jornal Diaário da Manhã de Goiânia

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Pulseira F.E.B

Rara pulseira muito usado pelos pracinhas, pertenceu de um tenente da infantaria da FEB morador do Rio de Janeiro.
(acervo O Resgate FEB)
(clique na foto para ampliar)

domingo, 8 de janeiro de 2012

DA GLÓRIA AO ESQUECIMENTO F.E.B.

Estudos mostram importância da participação de tropas brasileiras na Segunda Guerra Mundial



Uma piada corrente no país, pouco antes de o Brasil entrar na Segunda Guerra Mundial, era que Hitler teria dito ser mais fácil ver uma cobra fumando do que os brasileiros conseguirem enviar tropas para a batalha. Quando, por não ter sido possível encontrar o número ideal de soldados necessários para compor um corpo expedicionário, o governo rebatizou o grupo para Força Expedicionária Brasileira (FEB) dizia-se que o Brasil não iria mais para a guerra porque havia “tirado o corpo fora”. Segundo novas pesquisas, indesejada pelas forças aliadas e pelos militares brasileiros, produto de uma negociação pragmática do Estado Novo, em busca de maior projeção global, a FEB foi à guerra e, ao retornar, ainda amargou o desprezo nacional e a censura militar sobre sua história.Carecemos de conhecimento sobre o papel dos expedicionários na guerra, o que resulta nas ideias simplórias e absolutas sobre o seu desempenho: heróis ou trapalhões. Para as novas gerações, a participação brasileira na guerra parece tão distante quanto a Independência”, afirma o historiador César Campiani Maximiano, da PUC-SP, autor de Barbudos, sujos e fatigados (Grua Livros, 448 páginas, R$ 59). O estudo revela como os pracinhas incomodaram os militares do chamado “Exército de Caxias”, a ponto de terem suas memórias reprimidas, e forneceram munição para os movimentos dos direitos civis dos negros americanos, por ser a única tropa de combate que não promoveu a segregação racial em suas fileiras.
A FEB foi composta por 25 mil jovens brasileiros, transformados em soldados-cidadãos para combater as forças do Eixo na campanha da Itália, entre 1944 e 1945, a única força combatente da América Latina na Europa. “Com a convocação para a FEB, mais de 20 mil famílias foram diretamente afetadas pela guerra”, diz o pesquisador. A proposta de sua criação surgiu em meados de 1943 como um grandioso projeto governamental, que pretendia colher resultados estratégicos, modernizar o Exército brasileiro e adquirir experiência necessária para lutar contra inimigos internos e externos, imaginários ou não, segundo os militares.
“A FEB foi o núcleo de um projeto político que deveria fortalecer as Forças Armadas e dar ao Brasil uma posição de importância global como aliado dos Estados Unidos. O problema foi fazer os americanos pensarem o mesmo”, explica Letícia Pinheiro, professora do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio. “No auge de seu esforço de guerra, os Aliados não queriam um parceiro que precisava ser vestido, alimentado, treinado e municiado, como o Brasil, e tentou-se desestimular as pretensões brasileiras. Mas o governo de Vargas insistiu no envio de uma força expedicionária para melhorar sua posição internacional na mesa de negociações do pós-guerra”, afirma o historiador Francisco César Ferraz, professor da Universidade Estadual de Londrina. As Forças Armadas, porém, não estavam preparadas para organizar uma expedição e os poucos oficiais com experiência de combate tinham lutado pela última vez em 1932. “A instrução do Exército era baseada na doutrina militar francesa de 1914, já ultrapassada, uma abordagem científica da guerra que, na Itália, se chocaria com uma realidade de incertezas, de necessidade de improvisação e de rápida tomada de decisões pelos oficiais”, diz Campiani.
“Tinha-se a percepção de que a fanfarronice encenada em campanhas nas coxilhas ou nos tiroteios contra estudantes paulistas destreinados seria suficiente para enfrentar o Exército alemão.” No ataque a Monte Castelo, por exemplo, o comandante brasileiro, general Zenóbio da Costa, dispensou o ataque prévio da artilharia sobre posições alemães dizendo: “Não precisa! Os meus meninos tomam aquela m. no grito!” (Como citado por César em seu livro, Barbudos, sujos e fatigados). “Quando os jovens foram convocados para a guerra, inaugurou-se uma nova organização para o Exército: a de cidadãos que eram convertidos em soldados para lutar pela pátria”, observa Ferraz. Mas não foi fácil. Os convocados depararam com a tradição francesa dos militares brasileiros. “Os oficiais eram muito ríspidos com seus subordinados e os praças recebiam prisões disciplinares pelos motivos mais insignificantes. A alimentação era de péssima qualidade e os uniformes vistosos dos oficiais contrastavam com o fardamento dos soldados, feitos de tecido barato que se rasgava com facilidade”, afirma Ferraz. Além disso, legiões de conscritos das classes mais altas logo trataram de arrumar “pistolões” que lhes garantissem a exclusão da FEB. O mesmo valeu para uma quantidade considerável de oficiais do Exército regular, que arrumaram meios escusos de fugir da obrigação. Para piorar, o exame de saúde seletivo era precário e, em muitos casos, deixou no Brasil convocados em condições de saúde satisfatórias para levar outros com problemas graves, que precisaram ser revolvidos da Itália em meio ao combate. Há mesmo o caso de um tenente que foi à guerra com olho de vidro. O principal motivo de exclusão, no entanto, era “dentadura insuficiente”.
Subnutrido – Mas não se sustenta o mito do “pracinha subnutrido”. “A FEB tinha mais a feição das colônias de imigrantes do Sul, dos bairros cariocas e paulistas e das cidades mineiras do que as alegorias cantadas pelos correspondentes que criaram a ideia de que ‘caboclinhos franzinos e cheios de ginga’ seriam, por natureza, superiores aos obtusos Übermenschen tedescos”, observa César. “Poucos soldados, porém, faziam ideia dos motivos que os haviam levado a combater alemães, o que preocupava os comandos pela ausência de motivação adequada de luta”, diz o pesquisador. A favor dos pracinhas foi a exigência americana de se adotar a doutrina de combate do Exército americano pela FEB, apesar de os manuais de instrução terem chegado em inglês. Os resultados futuros, no entanto, seriam positivos. “Para os soldados incorporados às forças aliadas, na Itália, a interação com combatentes americanos trouxe uma mudança drástica de atitude. Pela primeira vez soldados brasileiros estavam recebendo o mesmo tratamento de seus superiores, ao contrário da rígida disciplina das casernas nacionais. Não há veterano da FEB que não tenha ficado impressionado com a atenção que os americanos dispensavam aos convocados”, afirma César. Na guerra, a enorme variedade de equipamento disponível para a FEB incomodou muitos oficiais brasileiros que não podiam conceber a distribuição de artigos de qualidade superior para praças. Isso explicaria a demora, muitas vezes fatal, na distribuição para os pracinhas dos uniformes de inverno, que ficaram guardados nos armazéns militares quando eram fundamentais para suportar as temperaturas de 25 graus negativos. Depois a história oficial decidiu propagar a versão do “jogo de cintura” brasileiro: ao contrário dos americanos, os expedicionários não seriam soldados dependentes de bugigangas tecnológicas para derrotar o inverno, bastando-lhes a “criatividade intrínseca aos brasileiros”, nota César.
Autocrático – “O contato com os cidadãos-soldados de outros países e as necessidades da guerra mostraram aos expedicionários um novo modelo de exército, menos autocrático, uma cultura militar diferente da vivenciada no ‘Exército de Caxias’, no qual a superioridade hierárquica e suas emanações resultavam da tiranização dos praças às vontades e ordens nem sempre confiáveis dos oficiais”, nota Ferraz. Surgia o “Exército da FEB”. Uma de suas marcas era não segregar racialmente seus soldados, o que não significava a ausência de racismo individual. A irrestrita camaradagem entre brasileiros de diversas etnias chamou a atenção de correspondentes dos jornais americanos que eram ligados aos movimentos dos direitos civis. Havia nos EUA a chamada campanha do double V, a vitória no front da guerra e no dos direitos civis em casa. Já que soldados negros estavam arriscando suas vidas em combates, a campanha pregava ser inadmissível que eles não desfrutassem de direitos de cidadania em seu país”, observa César. Um jornalista americano, fascinado ao avistar brasileiros, brancos e negros, juntos num café, pediu a um grupo de pracinhas que definisse o seu Exército. “Só existe um Exército brasileiro e ele é composto de brasileiros”, foi a resposta. Num encontro entre soldados brasileiros e americanos, os últimos perguntaram aos febianos se os “negri brasiliani sono buoni”. O brasileiro respondeu que eram todos excelentes companheiros, ao que os americanos retrucaram: “Negri americani non buoni”. “Nada chocou mais os soldados brasileiros do que essas mostras de racismo. É certo que as notícias sobre a FEB revigoraram o questionamento do sistema de segregação da sociedade americana e deram um impulso adicional ao movimento negro dos EUA”, diz César. Antes de um desfile de tropas, Zenóbio da Costa teria emitido uma determinação de isolar ou retirar os expedicionários negros das colunas, ordem que foi amplamente ignorada pelos oficiais da FEB.
O “Exército da FEB”, por todas essas razões, não agradava aos líderes do “Exército de Caxias”, que fizeram procedimentos de desmobilização apressados no retorno ao Brasil com o término da guerra. A imprensa propagava a FEB como símbolo das “tropas de democracia”, criando assim grande expectativa para o retorno dos expedicionários. “Durante muito tempo acreditou-se que Vargas temia a volta dos soldados, que poderiam apressar o fim do seu regime. Mas as maiores desconfianças partiram das principais autoridades militares brasileiras, os generais Dutra e Goes Monteiro, e de setores políticos que teriam a perder com a livre expressão política dos febianos”, fala Ferraz. Foi estabelecido um prazo limite de oito dias para o uso de uniformes da FEB e os pracinhas foram proibidos, ainda na Itália, de emitir comentários sobre a guerra sem autorização do Ministério da Guerra.
Liberal – “Havia temores políticos: a ameaça que representava para o ‘Exército de Caxias’ esse novo tipo de força militar, mais profissional, liberal e democrático; o medo de que os oficiais febianos pudessem se tornar o fiel da balança político-eleitoral e fossem cooptados pelos comunistas; acima de tudo, temia-se que os expedicionários, entre os quais Vargas tinha grande popularidade, pudessem apoiá-lo e empolgar a população para soluções diferentes daquelas do pacto conservador das elites políticas para a sucessão de Vargas”, explica Ferraz. Um exemplo desse medo foi o veto à distribuição de medalhas para todos os soldados pelos americanos. Afinal, poderia ser “fonte de vexação” para os militares de carreira que haviam ficado no Brasil e teriam que medir forças políticas e profissionais com militares moldados em combate. “Havia uma flagrante má vontade para com a FEB por autoridade do governo e muitos militares temiam ser preteridos nas futuras promoções da carreira pelos oficiais e praças expedicionários que podiam exibir experiência de guerra”, diz Ferraz.
Muitos febianos viram, com amargura, que essa experiência, única na América do Sul, não iria ser aproveitada para moldar um novo Exército, sendo, em vez disso, destacados para guarnições distantes. O grosso do contingente ainda deparou com o desemprego, pois muitos patrões, obrigados a readmitir seus empregados mobilizados, logo os demitiam alegando desajuste, neuroses ou incompetência profissional. “As dificuldades de conseguir um emprego foram potencializadas pelo fato de a maior parte dos expedicionários ter sido recrutada na idade de aprendizagem de uma profissão”, lembra Ferraz. Os veteranos não conseguiam tampouco entender por que eram proibidos de falar sobre suas experiências de combate para civis e para a imprensa. “Era preciso passar a impressão de que fora a sua formação, não o duro aprendizado dos combates, que possibilitou aos brasileiros vencer um inimigo forte, uma questão de prestígio numa sociedade em que o Exército era o principal ator político. Os militares não podiam admitir limitações e falhas”, observa Ferraz. Sem poder de barganha com autoridades do governo, muitas das quais eram oficiais graduados durante a ditadura militar e haviam fugido à convocação à guerra, os veteranos se calaram para poder sobreviver. Por uma confusão ideológica, ironia do destino, a imagem dos ex-combatentes foi associada aos militares golpistas, o que questionou ainda mais a memória da FEB. Apenas em 1988, com a nova Constituição, os veteranos conquistaram o direito de uma pensão especial. Mas, dos 25 mil, pouco menos de 10 mil estavam vivos quando o reconhecimento foi aprovado”, diz Ferraz. A pergunta “você sabe de onde eu venho?”, da Canção do expedicionário, teima em ficar sem resposta.
FONTE: publicado pela Revista FAPESP em novembro de 2010
              Blog Forças Terrestres.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cruz da sepultura do soldado desconhecido. F.E.B

Cruz da sepultura (foto) do soldado desconhecido do Cemitério Militar  Brasileiro de Pistóia (Itália) que acompanhou o translado dos restos mortais dos pracinhas para o Monumento Nacional aos Mortos  na Segunda Guerra Mundial no Rio de Janeiro (RJ)em 1960.
(clique na foto para ampliar)
Foto O Resgate FEB

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

CANTIL US/F.E.B.

Cantil americano, mas também usado pela FEB na Segunda Guerra Mundial, repare a marca US na lona de 1942 completo com a caneca.
(acervo o Resgate FEB)
O cantil igual exposto no Memorial Nacional aos Soldados Mortos na Segunda Guerra (Rio de janeiro)
(clique na foto para ampliar)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

6º RI .REGIMENTO DE INFANTARIA - F.E.B (Regimento Ipiranga)




O 6º RI - Regimento Ipiranga é uma das unidades de gloriosas tradições da Infantaria Brasileira. O seu nome está inscrito de maneira indelével na História Militar do Brasil.
Criado em junho de 1908, constituído pelos 16º, 17º e 18º Batalhões, de origens históricas dos 27º, 34º e 14º BI, respectivamente, foi instalado em 22 de março de 1909 no quartel do Bairro da Soledade, em Recife, estado de Pernambuco. Transferido, em 07 de junho de 1909, para Curitiba, combateu, entre 1913-1915, os rebeldes na Campanha do Contestado, disputa territorial entre o Paraná e Santa Catarina.
Foi reorganizado, posteriormente, em 08 de fevereiro de 1918, na Avenida Ribeiro da Silva nº 28, Campos Elísios, em São Paulo. Mais tarde, foi transferido para Caçapava/SP, instalando-se na antiga Fábrica de Tecidos da Cia. Industrial Ltda., adquirida pelo Exército.
O primeiro juramento à bandeira dos recrutas, em Caçapava, realizado em 30 de junho de 1918, na Associação Caçapavense, teve como paraninfo Olavo Bilac, patrono do Serviço Militar.
O 6º RI participou da Revolução Paulista de 1924; da Revolução constitucionalista de 1932, em defesa da democracia; debelou focos comunistas que ameaçavam a unidade durante a Intentona Comunista de 27 de novembro de 1935.
Integrou a 1ª D.I.E. - Divisão de Infantaria Expedicionária na Itália durante a 2ª Guerra Mundial. Foi a primeira tropa brasileira a entrar em ação, em 15 de novembro de 1944, e a unidade com maior números de jornadas em combate. Participou de revezes e vitórias de Loma Dissotto, San Quirico, Monte Castelo, Montese e Collecchio, do combate e do cerco de Fornovo di Taro, de 28 e 29 de abril de 1945. Culminou com a Rendição Incondicional da 148ª Divisão de Infantaria Alemã, remanescentes da Divisão da Itália e da 90ª Divisão Panzer Granadier, brilhante ação que consagrou o 6º RI nos campos da Itália . Foram 14.739 prisioneiros, cerca de 1.500 viaturas, 4.000 canhões e grande estoque de armamento e munição.

CITAÇÃO
6º Regimento de Infantaria
Por ter tido destacada atuação durante todo o longo período em que tomou parte nas operações do Vale do Serchio operou com brilhantismo na captura de Camaiore, Monte Prano e Barga. Apesar de extremamente fatigado pela série de combate e vigílias a que foi submetido, desde que entrou em linha, soube durante as operações do Vale do Reno, com energia e destemor confirma nas memoráveis jornadas de 3, 4 e 5 de março de 1945, seu conceito de Unidade Experimentada e eficiente.
Conquistou Santa Maria Voliana, Braine, Lê Vigne, Monte Della Croce, cotas 882 e 822 e capturou numa arrancada magnífica, o ponto forte inimigo de Castelnuovo. Essa esplendida ação do 6º Regimento de Infantaria, procedida na mesma jornada, da captura do Monte Soprassasso, perigoso ponto de apoio e observatório do inimigo, demonstrou com exuberância as notáveis qualidades desse Regimento, como Unidade de escol, confirmadas mais tarde pelas ações, no Vale do Panaro e na planície do Pó.
Por ocasião da ofensiva iniciada a 14 de abril, distinguiu-se nas ações de Montese, Zocca e Fornovo di Taro.
Partiu no dia 16 com o III Batalhão da área de Montese, em meio de um maciço Bombardeio de artilharia e morteiros e atacou decididamente o reduto tedesco da cota 927, sofrendo pesadas baixas devido ao fogo ajustado e violento de armas automáticas ali instaladas. Continuou a progressão e ao clarear do dia 21 tinha reduzido as fortes resistências inimigas situadas em Zocca.
Finalmente, nas operações decisivas da planície do Pó, o Ataque convergente do 6º RI sobre a histórica povoação de Fornovo, abalou o moral já combalido do inimigo e concorreu para a rendição da 148ª DI alemãs e remanescentes de outras duas grandes Unidades nazi-fascistas.
Escreveu assim o 6º Regimento de Infantaria, no conflagrado continente europeu, uma das mais brilhantes páginas da história gloriosa do Exército Brasileiro.
(Citação do Regimento por ocasião da condecoração com a Cruz de Combate de 1ª classe, colocada na Bandeira Nacional oferecida pelas Mulheres Paulistas, em cerimônia realizada a 19 de maio de 1945, na cidade italiana de Alessandria.)Pela Portaria Ministerial Reservada Nº 024, de 19 de junho de 1995, foi transformado em 6º Batalhão de Infantaria Leve.
Eis uma síntese da legendária Unidade que tem o seu nome ligado ao mais
importante acontecimento histórico da nossa Pátria, o "Grito do Ipiranga".
FONTE: 
Exército Brasileiro - Adaptado da Revista Verde-Oliva N.º 157 - Setembro/Outubro 1997.
Síntese Histórica - Livro "6º RI Expedicionário"
Arquivos Roberto R. Graciani.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

GORRO AMERICANO - Wool knit cap

Gorro de lã de fabricação americana usado pelos soldados da F.E.B. Podia ser colocado debaixo do capacete para proteger do inverno italiano.
(acervo O Resgate FEB)
General Mascarenhas de Morais com o gorro.
(clique na foto para ampliar)
                                           

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

¨Silver Star¨ Para um herói brasileiro.

Marcilio Luiz Pinto, momentos apos ter recebido a medalha "Silver Star"

Matéria extraída do Jornal O Cruzeiro de 1945, nela mostra a uma citação para medalha Silver Star para um de nossos heróicos pracinhas, que tão bravamente lutaram contra os alemães em campo de batalha italiano enfrentando grandes diversidades e despreparo.
Publicamos abaixo a citação para Medalha a “Silver Star” (Estrela de prata) concedida pelo Comando Norte-Americano ao Cabo Marcilio Luiz Pinto, por ação distinta em combate. Simultâneamente O Cru­zeiro do Sul tem o prazer de, regis­trando aquela citação do General Mark W. Clark, estampar a fotogra­fia do nosso bravo camarada que aparece ostentando, com justificado orgulho, a Medalha com que viu premiada a sua conduta audaz, exemplo para todos os que, vindos do Brasil, aqui se empenham e reafirmam as tradições de agressividade e heroísmo dos nossos soldados
Silver Star (Estrela de Prata) terceira maior valor ,exclusivamente para combatentes.
“Marcilio Luiz  Pinto, Cabo, Força Expedicionária Brasileira. — Por bravura em ação, em oito de novembro de 1944, na Itália.
Quando membro de uma patrulha em missão de reconhecimento nas vizinhanças do Monte ãe Torre de Nerorte, Itália, o Cabo Pinto participou de um ataque de surpresa a uma posição inimiga. Sem se preocupar com sua segurança pessoal, avançou sobre um ponto forte inimigo e capiturou vários prisioneiros bem como o seu respectivo equipamento.
Demonstrando sangue frio sob o fogo, o Cabo Pinto fez recuar uma patru­lha que tentou libertar os prisioneiros e durante a ação matou vários inimigos. Com outros membros da patrulha trouxe os prisioneiros e o equipamento capturado para as linhas amigas.
O Cabo Pinto, pela sua ação de bravura reflete a confiança em si próprio e está de acordo com as altas tradições dos Exércitos Aliados”.
* Mark W. Clark, Ten. General do Exercito dos Estados Unidos Comandante.
           Matéria: Ecos da Segunda Guerra

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Patch do 5º Exército dos Estados Unidos feito ma Itália.

O Quinto exército dos Estados Unidos da America foi uma das principais formações do exército USA no Mediterrâneo durante a Segunda Guerra mundial. Foi ativado em 5 de janeiro de 1943 em Qujida, Marrocos Francês e responsável pela defesa da Argélia e Marrocos.Também foi dada a responsabilidade pelo planejamento da parte americana da invasão do continente Italiano. Era comandado pelo Tenente General Mark W. Clark. O Quinto Exército não só se tornou  o primeiro exército americano para iniciar a luta no continente europeu na Segunda Guerra , mas também é o primeiro a ganhar uma batalha  no continente  e os primeiros a libertar uma capital européia.A chegada dos brasileiros foi uma boa notícia para o General Mark Clark que precisava de reforços na Itália. A FEB se junta ao Quinto Exército ao qual estaria subordinada e ao 8º Exército Britânico que em suas fileiras reunia canadenses, sul africanos e indianos .Ao lado desses , também estavam membros da Resistência francesa, marroquinos e os partisans italianos (guerrilheiros antifascistas). Assim os brasileiros se juntavam aos exércitos de diferentes nações no esforço de guerra contra o nazismo.
Alguns exemplares de patchs do 5º Exército dos Estados Unidos da América,feitos pelas costureiras e bordadeiras italianas principalmente em Nápoles modelos muito trazido pelos pracinhas.
(acervo O Resgate FEB)
                                  
(clique na foto para ampliar)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

BATALHÃO DE ENGENHARIA DE COMBATE - F.E.B

Histórico do 9º Batalhão de Engenharia de Combate

O 9º BE Cmb foi criado pelo Decreto nº 4.799, de 6 de outubro de 1942, e organizado no quartel do 1º Batalhão de Engenharia de Combate, na cidade do Rio de Janeiro. Seu primeiro comandante foi o capitão Francisco de Paula Gonzaga de Oliveira. A unidade está sediada na cidade de Aquidauana - MS.
Incorporado à Força Expedicionária Brasileira, o Batalhão participou da II Guerra Mundial, tendo cooperado para o êxito da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária nas conquistas de Monte Castelo, Castelnuovo e Montese. Foi distinguido com a Citação de Combate. A Bandeira Nacional da unidade recebeu a Cruz de Combate de 1ª classe com a Ordem do Mérito Militar. É denominado “Carlos Camisão” em homenagem a esse chefe militar que esteve à frente das forças brasileiras na Retirada da Laguna, durante a Campanha da Tríplice Aliança.
O estandarte do 9º BE Cmb foi criado pelo Decreto nº 39.766, de 13 de agosto de 1956, e recebido na unidade em 19 de dezembro daquele ano. O Estandarte Histórico retrata, em suas cores e símbolos heráldicos, a participação heróica da única unidade de Engenharia do Exército Brasileiro que lutou na 2ª Grande Guerra.

Estandarte Histórico do 9º BE Cmb
Descrição Heráldica
“Forma retangular, tipo bandeira universal, franjado de ouro. Campo de cor azul-turquesa, da Engenharia, com três faixas e três palas, em amarelo-ouro, lembrando a organização ternária do 9º Batalhão de Engenharia Expedicionário – três companhias a três pelotões. Em chefe, a legenda “Batalhão Carlos Camisão”, em letras de ouro. Ao centro, brocante, orlado de ouro, o escudo do brasão de Mato Grosso, lembrando o Estado de onde a histórica Unidade partiu para cobrir-se de louros na Campanha da Itália. Sobre o escudo, estilizados, montanhas em vermelho e rios em prata, que representam, em planos sucessivos, o rio Arno, os Apeninos e o rio Pó – as batalhas em que o 9º Batalhão de Engenharia Expedicionário tomou parte, de 4 de setembro de 1944 a 2 de maio de 1945, incorporado ao IV Corpo do 5º Exército e à Força Expedicionária Brasileira. 
Ao fundo, os Alpes, em dois grupos de montanhas, à destra e à sinistra, lembrando a região em que elementos de vanguarda do 9º B. E. Expedicionário foram dos primeiros a atingir e a entrar em contato com as vanguardas do Exército Francês que progrediam para o Sul da Península Itálica, a 2 de maio de 1945. No escudo, em chefe, três estrelas de prata, com raios de ouro, representando as vitórias nas batalhas do rio Arno, dos Apeninos e do rio Pó em que o 9º B. E. Expedicionário tomou parte integrando a FEB e o 5º Exército Americano. Em contrachefe, na cor verde, as planícies da Itália, cortadas pelos rios Arno e Pó. Por sobre os “Apeninos”, em vermelho, significando o sangue derramado pelos soldados do 9º B. E. Expedicionário nos combates em que tomou parte, a “Cobra Fumando”, símbolo da Força Expedicionária Brasileira. Ao centro do escudo, brocante, o castelo de Engenharia, em prata, com o nº 9, em ouro, na base. Nos cantos – os nomes Camaiore, Monte Castello, Castelnuovo e Montese, combates em que o 9º B. E. Expedicionário tomou parte, em apoio às demais armas e serviços. Laço militar nas cores nacionais com a inscrição de ordem: 9º Batalhão de Engenharia de Combate, em letras de ouro.” (Dec Nr 39.776, de 13 Ago 1956)
(Um pouco de história...)
Relato da participação do 9º BE Cmb na FEB
pelo Marechal Mascarenhas de Moraes
Ponte construída pelo Batalhão de Engenharia da FEB.
Ponte construída pela FEB perto de Pisa
Ponte no Rio Pó (Itália)
Sob o comando do então coronel José Machado Lopes, foi a primeira tropa de engenharia a atravessar o Equador para lutar na Europa e também a primeira unidade do Exército Brasileiro a entrar em ação na Itália, com participação em todas as operações de combate afetas às tropas brasileiras, fosse integrando o destacamento da FEB ao norte de Pisa e no vale do Serchio, fosse atuando no âmbito divisionário, desde os contrafortes da área de Porreta até o vale do Rio Pó.
A primeira tropa brasileira a cumprir missão de combate em território italiano foi a 1ª Companhia do 9º Batalhão de Engenharia, comandada pelo Capitão Floriano Möller. Essa companhia, desde o dia 6 de setembro de 1944, vinha operando, ativa e eficientemente, numa das pontes do Rio Arno, às ordens do IV Corpo de Exército.
A Engenharia brasileira intensificou os trabalhos de restabelecimento das comunicações. Assim, em 16 de outubro, conseguiu realizar o lançamento, na região noroeste de Castellacio, de uma ponte, que proporcionou melhores condições de exeqüibilidade, na margem ocidental do Sercchio, aos movimentos de qualquer natureza.
Prosseguia a engenharia, incansavelmente, na sua tarefa de deixar abertas ao tráfego, apesar da freqüência e abundância das chuvas, as estradas vitais para o desenvolvimento das operações sobre Castelnuovo di Garfagnana.
Ao 9º Batalhão de Engenharia se incorporou, nessa data, a sua 1ª Cia., que integrava o Destacamento FEB. Com a chegada desses elementos, terminou o fluxo ao vale do Reno das tropas brasileiras que estiveram atuando na frente de Garfagnana. Dois dias depois, isto é, em 9 de novembro de 1944, o General Mascarenhas de Morais assumia o comando do setor Marano-Riola, que englobava a Força Gardner
Com o objetivo de executar a ordem do IV Corpo, o comando brasileiro organizou um grupamento de ataque, com a missão de conquistar Monte Castelo e ocupar e manter a linha: cabeceiras orientais do arroio que passa em C. Zolfo – vertente norte de Monte Castelo – região de Carvrullo. O 9º BE foi empregado na preparação das estradas e ficou em condições de acompanhar os blindados norte-americanos, se estes tivessem avançado.
Para cumprir a missão da ação ofensiva principal, sobre Monte Castelo – La Serra, o Regimento Sampaio passou a dispor da 1ª Cia do 9º BE, em missão de acompanhamento.
O 9º BE, comandado pelo Coronel Machado Lopes, deveria destacar duas companhias para a conservação e restabelecimento das estradas, em particular a de Gaggio – Le Roncole – Abetaia, enquanto a outra companhia, em acompanhamento ao ataque do Regimento Sampaio, incumbir-se-ia do levantamento de minas em proveito dos carros-de-combate norte-americanos.
Em janeiro de 1944, o 9º BE deslocou-se para Três Rios , Estado do Rio de Janeiro, onde ficou concentrado.
Em junho de 1944, embarque no cais do porto do Rio de Janeiro, dos elementos precursores do 1º Escalão de Embarque.
Em 16 de julho, chegada a Nápolis do navio conduzindo o 1º Escalão de Embarque.
Em 6 de setembro, a 1ª Cia. De Engenharia passa à disposição do IV Corpo; é a primeira tropa brasileira a entrar em ação.
Em 13 de novembro, o 9º BE completou sua reunião em Suviana. “
Do livro: A FEB pelo seu Comandante
J. B. Mascarenhas de Moraes
Citação de Combate ao 9º BE Cmb
Além das medalhas, condecorações e citações de combate a que fizeram jus seu integrantes, o 9º Batalhão de Engenharia mereceu do Comandante da FEB uma significativa Citação de Combate, cujo texto é consignado na íntegra, a seguir:
Pelotão caça-minas ( 9º Batalhão de Engenharia )
“A 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária teve no 9º Batalhão de Engenharia uma unidade à altura do seu renome, nesta Campanha da Itália, em que participaram, vitoriosamente, as Armas brasileiras.
Unidade de escol, teve a feliz oportunidade de ter sido a primeira tropa a ser engajada contra o inimigo.
Participou, sem conhecer canseiras e mostrando sempre o alto padrão de sua eficiência, de todas as operações de guerra afetas às tropas brasileiras, seja integrando o Destacamento FEB ao norte de Pisa e no vale do Sercchio, seja atuando no âmbito divisionário, desde os contrafortes da área de Porreta até o vale do Rio Pó.
Entre os seus mais assinalados feitos, sobrelevam-se, indelevelmente, as jornadas estafantes da preparação das estradas, reconstrução de pontes e a desobstrução do túnel de Castelacio, que serviram para facilitar e consolidar as memoráveis vitórias que obtivemos no vale do Sercchio; sobressaem repletas de glórias e sacrifícios as páginas que escreveu para a conquista de Monte Castelo, Castelnuovo e Montese, onde a sua colaboração foi particularmente eficiente, a despeito da ação mortífera e aproximada do inimigo, nas missões de acompanhamento, remoção e balizamento de campos minados e desobstrução das comunicações; mais tarde, já nas operações de exploração de êxito e perseguição, seus elementos avançados, na árdua tarefa de busca e neutralização das minas esparsas e campos minados, proporcionaram às tropas brasileiras elementos de real valia na manobra divisionária, que culminou com o aprisionamento da 148º DI alemã. O 9º BE confirmou, portanto, nos campos de batalha da Península Itálica o acerto de sua escolha como participante da FEB e o valor inconfundível do moderno soldado de engenharia, dirigido por quadros capazes e por um comando sereno e proficiente.
Concorreu, assim, brilhantemente para que à nossa Pátria fosse reservado um lugar de relevo entre as nações que velarão pela paz vindoura e futura reconstrução de um mundo livre e feliz.”

Do livro: "Quebra Canela"
Gen Raul da Cruz Lima Jr., Bibliex, RJ
(Um pouco de história...
)
“Quebra canela” – inimigo invisível na batalha de Rocca Pittigliana
"Às 4h 50 min da madrugada do dia 3 de março de 1945, o Ten Viveiros, Comandante do 4º Pelotão de Engenharia, recebeu , em Seneveglio, a péssima notícia de que houvera um acidente com a turma de mineiros que operava na direção de Oratorio de La Sassane. A Divisão Brasileira havia conquistado Monte Castelo no dia 21 de fevereiro, e agora operava no vale do rio Marano, com o objetivo de conquistar Rocca Pittigliana. 
A região estava fortemente minada; protegidas pela noite, patrulhas mistas de Infantaria e Engenharia abriam passagens nos campos minados, facilitando o ataque imediato. Naquela madrugada, os mineiros balizavam o caminho à frente da Infantaria, com a finalidade de assegurar uma boa partida para o ataque que se realizaria na manhã do mesmo dia, quando ocorreu a tragédia. Imediatamente, o tenente deslocou-se para o local, encontrando, logo adiante, com o rosto coberto de sangue, o cabo José Galdino, transportando nos braços o seu companheiro, o Cabo Arlindo dos reis, que além de ferimentos por todo o corpo, apresentava, no lugar da sua perna esquerda, um coto sangrento. Assim agindo, não obstante os ferimentos, o Cabo Galdino partira com o companheiro em busca de socorro, salvando-lhe a vida. O bravo pelotão de Infantaria do Ten Iporan foi a primeira tropa do 11ºRI a penetrar na cidadela de Montese, na tarde do dia 14 de abril de 1945; fê-lo com tal ímpeto que surpreendeu os observadores inimigos postados na torre da igreja. Com ele estavam os elementos do 6º Pelotão de Engenharia, sob o comando do Ten Vinhaes, que o acompanharam desde a linha de partida, com a finalidade de remover obstáculos e abrir brechas em campos minados. Sob forte bombardeio, durante a noite de 14 para 15, por várias vezes as ligações com retaguarda foram cortadas, temendo-se pela vida daquele pugido de valorosos combatentes. 
Na manhã do dia 15, o Ten Vinhaes recebeu um pedido urgente para socorrer um grupo de soldados que havia caído em campo minado; os engenheiros levavam algum tempo para abrir a brecha através das minas até alcançar os feridos. Depararam-se com um quadro terrível; os rostos estavam deformados e sujos de lama, para aliviar a sede colocaram terra molhada na boca e no lugar dos pés restava, apenas, uma mancha de sangue. 
Do livro: "Quebra Canela"
Gen Raul da Cruz Lima Jr., Bibliex, RJ
Ilustração: Henrique Moura





segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Military Police . MP.


A polícia militar (MP do inglês military police) segundo o conceito usado internacionalmente - é a corporação que exerce o poder de polícia no âmbito interno das forças armadas, garantindo a segurança, a ordem e a lei no seu seio. Geralmente, a sua ação limita-se apenas às instalações e aos membros das forças armadas.
Em tempo de guerra, além das anteriores missões, a polícia militar também se pode encarregar da defesa imediata de infraestruturas estratégicas, da proteção de altas individualidades militares e civis, da administração dos prisioneiros de guerra, da regulação do tráfego rodoviário e da segurança pública nas regiões sujeitas a administração militar.
Tarja MP usada pela FEB/US na Segunda Guerra e o apito de metal US ARMY.

(acervo O Resgate FEB)

MPs no desembarque no Brasil
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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Monumentos em homenagem aos pracinhas da F.E.B.

Algumas fotos de vários monumentos em homenagem aos pracinhas da FEB em varias cidades do interior e capitais do Brasil.Aos poucos divulgarei novas imagens destes monumentos espalhados por todo o pais.                                                                  
Monumento à FEB instalado no quartel do Regimento Ipiranga. 
Monumento aos Ex Combatentes. CANDEIAS- MG
Salvador (Bahia) inaugurado em 2005
Manhumirim- MG.(pracinhas:Heráchito Julião Araujo, Jairo Breder e Rene Rabello)
Monumento à patrulha de Max Wollf Filho. 20º Batalhão de Infantaria Blindado. Curitiba-PR.
Mogimirim - SP.
Monumento na Praça FEB.1º Regimento de Cavalaria Mecanizado. Regimento Sá Brito, Itaqui - RS.
Monumento aos Expedicionários Campos dos Goytacazes - RJ.
Henrique Moura
Pesquisa:ANVFEB.