segunda-feira, 18 de março de 2019

Vigilia da Saudade

Antigos cartões convidando para "Vigília da Saudade" no Memorial aos Mortos da Segunda Guerra no Rio De Janeiro.
(acervo O Resgate FEB)
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segunda-feira, 11 de março de 2019

VICENTE GRATAGLIANO - FEB



“O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil concede a Cruz de Combate de Primeira Classe ao Soldado Vicente Gratagliano, por ter, na região de Boscaccio, após um contra-ataque alemão que obrigou o retraimento da tropa amiga que ocupava as posições, sido um dos elementos que, com seu comandante de grupo e sargento auxiliar, se destacou, demonstrando uma resistência física fora do comum, aliada a bravura pessoal e coragem, subindo a íngreme encosta que dava acesso às posições abandonadas e as ocupando em tempo oportuno para perceber uma patrulha alemã de infiltração, atirando e matando dois dos seus componentes que já se encontravam a 20 metros de distância. No dia 5 de março de 1945, no ataque ao Soprassasso, mais uma vez demonstrou coragem e sangue-frio, tendo localizado uma resistência inimiga que atirava na sua direção, lançou-se resolutamente para frente, debaixo de serrado bombardeio de artilharia e , posto seu FM em posição, metralhou a arma que hostilizava a progressão do seu pelotão, permitindo assim que prosseguisse o movimento.”( Citação da Medalha Cruz de Combate de 1ª Classe de Vicente Gratagliano).
Por vários atos de extraordinário heroísmo, Vicente Gratagliano, do 6° Regimento de Infantaria, recebeu a medalha Silver Star das mãos do Gen. Clark"
Museu da FEB BH - ANVFEB BH

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Mapa Histórico


Raro poster, O Brasil E A II Guerra Mundial, do Jubileu de Prata da Vitória de 8 de maio de 1970.
Um breve resumo com dados e fotos da participação da FAB, Marinha do Brasil e FEB.
(acervo O Resgate FEB)

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

TENENTE AMARO - Esquadrão de Reconhecimento da FEB


Amaro Felicíssimo da Silveira nasceu dia 4 de maio de 1914 e faleceu em combate em Gaggio Montano,Itália, no dia 20 de novembro de 1944.
Combateu com o Esquadrão de Reconhecimento da FEB, durante a Segunda Guerra Mundial. Tombou em cumprimento do dever comandando uma patrulha, na região de Montilloco nas encostas do maciço Belvedere La Torraccia a 20 de Novembro de 1944.
O Decreto Nº 20.060, de 17 de agosto de 1949 dá a denominação de “Esquadrão Tenente Amaro” ao 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado, em consideração às destacadas ações militares realizadas nos campos da Itália e em memória ao 2º Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira.

 Um pouco mais sobre o Herói Tenente Amaro
Visitei o Esquadrão de Reconhecimento e acabei dormindo por lá. Pela manhã, antes da instrução, todos os homens que não estavam dando serviço de patrulha ou vigilância, formaram em um pátio debaixo de algumas árvores, e o comandante, capitão Plínio Pitaluga, falou:
“Ante-ontem, dia 4 de abril, fui a Pistóia com um tenente e 12 praças assistir ao sepultamento do tenente Amaro Felicíssimo da Silveira. Todos vocês conheceram o tenente Amaro e sabem como ele morreu. Ele veio para a FEB como voluntário. Afastado da relação de embarque, fez tudo para ser incluído. Aqui. Trabalhando como meu auxiliar na Manutenção, ele insistiu em ir para um Pelotão. Queria as missões mais difíceis, queria estar com vocês nas horas e nos momentos de maior perigo. Morreu a frente de um patrulha, no cumprimento do dever. Que a sua morte, e a morte de tantos outros companheiros da FEB, não seja em vão. O tenente Amaro era um verdadeiro democrata. Era um homem que odiava o nazismo e toda a espécie de fascismo, e achava de seu dever lutar por um mundo melhor. Que a sua morte sirva para ajudar a criação, para nós ou nossos filhos, de um mundo melhor, um mundo de justiça e de solidariedade. Despedindo-me dele à beira do túmulo, eu disse, em nome de nós todos, que a lembrança do seu exemplo há de nos encorajar na luta, vem nos trazer mais um motivo para lutar, com todas as forças, contra o nazismo, pela liberdade. Em homenagem ao tenente Amaro, um minuto de silêncio!”
Depois o capitão continuou dizendo que o Esquadrão foi elogiado como unidade da FEB em que o material está mais bem cuidado e conservado, e lembrando que aqueles carros de reconhecimento, as viaturas e armas fornecidas pelos americanos serão pagos pelo povo do Brasil – “O nosso povo tão pobre que terá de pagar isso, e vocês, que são homens desse povo, têm o dever de conservar com o maior cuidado esse material e essas armas. Muito breve receberemos missões de importância, e então tudo deve estar funcionando da melhor maneira para que possamos matar mais nazistas perdendo menos homens.”
Não é mais “Desaparecido”
Só agora o nome do tenente Amaro passa da lista oficial dos “desaparecidos” para a dos mortos, mas há muito no Esquadrão, ninguém tinha dúvidas sobre a sua morte.
No dia 20 de novembro de 1944 ele foi incumbido de fazer a sua primeira patrulha. Às 3 horas da tarde partiu de Gaggio Montano, uma linda e singular aldeia, com uma espécie de penedo no meio, que os homens do Esquadrão tinham ocupado na véspera. Um pouco acima, em Montilocco, divisou uma casa onde, de acordo com informações dos “partigiani” deveria haver nazistas. Amaro dispôs os seus homens e avançou até cerca de 50 metros da casa. A patrulha foi então alvejada por fogo de armas automáticas. O tenente deslocou-se um pouco para a direita, em companhia dos cabos Alzemiro Nunes e Dorcelino da Silva. Ia se abrigar atrás de uma árvore quando foi atingido por uma rajada, e caiu.
A princípio o sargento Jesus Campos, que estava com alguns homens um pouco mais a direita, julgou que o tenente houvesse deitado para se abrigar. Como porém ele não desse nenhum sinal, mandou até lá um homem. Esse homem foi o bagageiro do tenente, o soldado Vicente Bernardino de Souza. (“Sei que Vicente estará ao meu lado na hora de maior perigo”, escrevera dias antes o tenente em seu diário”).
Vicente deu um lance e se aproximou do tenente, vendo então que ele estava morto. Quis puxar o seu corpo, mas os alemães abriram fogo novamente. Depois de algumas tentativas, e verificando que o tenente estava mesmo morto, Vicente retirou-se, entre rajadas de metralhadora.

E pouco depois o sargento Jesus dava ordem de retrair. A patrulha cumprira sua missão, mas perdera o seu comandante.
Estudante e Funcionário
Amaro era da reserva de 2ª classe. Fez o CPOR na Faculdade de Medicina, que cursou até o quarto ano. Era funcionário da Prefeitura, e casado com Ruth Albuquerque da Silveira, residente à Rua Anchieta, 24 em Copacabana.
Como o simples depoimento de Vicente não podia, do ponto de vista oficial, servir como prova de morte, Amaro foi considerado como “desaparecido”. Sua família, até tempos atrás, alimentava esperança de que ele tivesse caído prisioneiro. O capitão Franco Ferreira, que a princípio comandava o Esquadrão e há tempos foi para o Rio, em virtude de doença, deve ter feito sentir à família de Amaro que ela não devia alimentar muitas 
Algum tempo depois da patrulha, Montilocco foi ocupado, mas o corpo não foi encontrado. É que os alemães o tinham transportado uns 50 metros e enterrado atrás da casa. Os homens que ocupavam aquela posição pouco iam naquele lado da casa, pois o inimigo dominava uma elevação próxima. Depois veio o inverno, e cobriu tudo de neve. Nossa linha avançou muito além de Montilocco, e os italianos que residiam ali voltaram para sua casa. Só agora, quando fazia uma limpeza no quintal, uma velhinha italiana descobriu a sepultura rasa em que estava Amaro, e deu aviso a um “partigiano” que avisou aos brasileiros.
FONTE: Do livro “Com a FEB na Itália” de Rubens Braga
FOTOGRAFIAS: 1º Esquadrão de Cavalaria Leve – Esquadrão Ten Amaro
Matéria Blog Ecos da Segunda Guerra.


domingo, 10 de fevereiro de 2019

Chaveiro de 1985 da Legião Paranaense do Expedicionário.

Antigo chaveiro comemorativo da Legião Paranaense do Expedicionário dos 40 anos do fim da Segunda Guerra Mundial.
(acervo O Resgate FEB)
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domingo, 3 de fevereiro de 2019

Destruição de Montese


Em 15 de abril de 1945. A batalha por Montese continuava. Quando acabou, este foi o estado da cidade: das 1.121 casas, 833 estavam no chão ou bastante avariadas.
Fotos dos livros “Battaglie sul Crinale”, de Walter Bellisi com auxílio Marília Cioni e de “Fratelli Sulla Montagna” de Daniele Amicarella e Giovanni Sulla.
V de Vitória

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Vinho italiano em homenagem a FEB

Vinho italiano em homenagem a FEB, vinho RossoToscano do produtor Calugi Paolo.
(acervo O Resgate FEB)
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Presidentes da Legião Paranaense do Expedicionário

Homenagem ao admirável povo paranaenses  nas ações que consagram a  FEB  na Segunda Guerra Mundial , aos cinco  primeiros  presidentes da Legião Paranaense do Expedicionários.
Os heróis nunca morrem !
(clique na foto para Ampliar)
Fonte: O Paraná na FEB
Agostinho José Rodrigues
2 Edição (1954)
Matéria: O Resgate FEB

domingo, 13 de janeiro de 2019

Medalha Marechal Mascarenhas de Moraes

A "Medalha Marechal Mascarenhas de Moraes" foi criada por uma decisão do Conselho Deliberativo da Associação Nacional dos Veteranos da FEB (ANVFEB), em sessão de 14 de agosto de 1969 (no ano seguinte ao falecimento do oficial), com a finalidade de homenagear de forma permanente, objetiva e condigna, pessoas físicas e jurídicas, que tenham prestado significativos serviços à FEB, ou que venham a prestar relevantes serviços à Associação ou à classe por ela assistida.
“A elevada expressão dessa homenagem que os veteranos da FEB prestam a alguns de seus colaboradores, está bem sintetizada no nome escolhido para definir a condecoração: o de nosso próprio comandante, figura impecável de soldado e de chefe insuperável, que não deixamos de admirar e reverenciar”. (texto que acompanha a medalha)
Medalha modelo mais recente com a barreta.
(acervo O Resgate FEB)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

José Bernardino de Souza "Procópio" herói da F.E.B

Durante a Sessão Solene do dia 16/09/2015, foi realizada uma grande homenagem ao ex-combatente, 2º Tenente do Exército José Bernardino de Souza “Procópio”.
“Meu coração está muito feliz por voltar a Pompeia”, disse Procópio durante a solenidade, que contou com a presença de diversas autoridades, seus familiares, amigos e convidados.
José Bernardino de Souza nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 02 de outubro de 1920. Filho da cozinheira Sofia e do lavrador Sebastião.
 Em busca de melhores condições de vida a sua família vagou pelo interior de São Paulo, até se estabelecerem em Pompeia no final da década de 20.
No município, que acabara de ser fundado, “Procópio” como era conhecido, se destacava por ser muito bom jogador de futebol. Foi dos campos que veio esse apelido.
José Bernardino sempre teve o sonho de ser soldado e defender a Pátria a qualquer custo. Alistou-se voluntariamente no Tiro de Guerra de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul.
No início dos anos 40, Bernardino foi convocado para a FEB (Forças Expedicionárias do Brasil), indo para o Rio de Janeiro, onde embarcou para a Itália, rumo ao combate na 2ª Guerra Mundial, em 1944.
A viagem de navio durou 16 dias. Nesse período foram atormentados por submarinos alemães, mas triunfaram.
Desembarcaram em Nápoles debaixo de muito frio. Nevava. As condições dos acampamentos eram péssimas num cenário de destruição causada pelos alemães.
 Passou em batalha por Livorno, Lucca, Pistola, Monte Victorino, Torre de Nerone, dentre outras cidades. Porém, a batalha de Monte Castelo foi a mais sangrenta e dolorosa para José Bernardino. Nela ele perdeu amigos.
Em Castel d’Aiano e Montese as batalhas foram sangrentas e José Bernardino viu a morte do também pompeense Osvaldo Néres, um dos cinco amigos que foram para a Itália.
Após muitas batalhas, mortes, sofrimento e saudade da família e de sua terra natal, José Bernardino regressou ao Brasil agora com ares de alívio pela vitória de seus aliados.
Foi recebido no Brasil com seus companheiros no Rio de Janeiro e posteriormente em Pompeia, em agosto do ano de 1945.
A recepção na nossa cidade foi com muita festa, desfile cívico, homenagens, entrevistas em rádio, jornais, um verdadeiro herói.
José Bernardino é casado com Dona Augusta desde 1946. Se mudou mais tarde para Queiroz para trabalhar na Secretaria de Educação.
Mudou-se para São Paulo, em busca de melhores oportunidades de estudo e trabalho para seus filhos.
José Bernardino foi reincorporado e alçado ao posto de 2º Tenente da Reserva.

Matéria:Prefeitura Municipal de Pompeia
O Resgate FEB

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Estojo do binóculo usado pelo Brasil na época da Segunda Guerra

Raro estojo do binóculo DFV fabricado para o Exercito Brasileiro de 1943 era cópia do M3 americano, mesmo modelo usado pela FEB na Segunda Guerra.
DFV
Nascido em 1908, na cidade portuária de Santos (SP), Décio Fernandes de Vasconcelos tornou-se um marco na história do desenvolvimento de instrumentos ópticos de alta precisão no Brasil. Topógrafo por formação, autodidata em Física e Matemática, Décio Vasconcelos era um inventor nato.Durante os seus primeiros 10 anos dedicados, exclusivamente, à fabricação de instrumentos militares.
(acervo O Resgate FEB)
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Vicente Gratagliano 6º Regimento de Infantaria - Regimento Ipiranga


“Em uma guerra, você mata gente que não conhece, gente que nunca lhe fez mal”
Nasceu em 6 de julho de 1919, no bairro do Brás, na cidade de São Paulo. Filho de italianos, não tem lembrança alguma do pai, que morreu quando ele tinha um ano e meio de idade. Passou a infância “jogando bola na rua”. Palmeirense, chegou a treinar no clube. “Marcava muitos gols.” Mas a infância foi curta, porque com 12 anos de idade já trabalhava para ajudar a família, engraxando sapatos.

Gratagliano freqüentou a escola por apenas um dia, em toda a sua vida. Ele foi expulso da escola aos oito anos de idade. “Puxei o cavanhaque do professor quando ele me repreendeu por falta de atenção na aula, ele então me jogou na rua e disse para nunca mais voltar lá”, relata. “Eu não voltei." Foi alfabetizado pelo irmão engenheiro e deve sua formação cultural à leitura de livros, jornais e revistas. “Aprendo rápido”, diz. A mulher, Maria, corrobora a afirmação do marido: “Eu fiz até a quarta série do primário e sei bem menos coisas do que ele”, e elogia: “Vicente é esperto, inteligente.”
Ele vendeu peixes em uma feira livre dos 14 aos 21 anos, quando foi convocado pelo Exército. Em 2 de julho de 1944, embarcou em um navio a caminho da Itália. Esse foi o primeiro contingente de soldados, que somariam depois 25 mil brasileiros na Europa, todos da Primeira Divisão Expedicionária, que juntou-se às forças norte-americanas. Gratagliano integrava o 1º pelotão, da 1ª companhia, do 1º batalhão do 6º regimento.
Para o rapaz que antes nunca saíra do País, a viagem de 14 dias foi penosa. “Nos primeiros dias, vomitava a toda hora”. O desembarque, em Nápoles, sul da Itália, ocorreu ao anoitecer, e a primeira noite foi passada ao relento. Após treinamento de dois meses, foi convidado a fazer seu testamento. “O tenente chegou e perguntou para quem deveria enviar meus pertences e proventos, caso eu morresse em combate.” Vicente indicou a mãe. “Esse foi o primeiro choque; antes a guerra parecia algo distante, mas nesse dia ficou claro o risco que corria.”
Medo e valentia - O medo começava a ganhar forma, mas o orgulho impedia que o sentimento fosse exposto entre os soldados. “Todos morriam de medo, mas ao mesmo tempo a gente tentava mostrar valentia diante dos companheiros, para não parecer fraco”, conta. O frio era outro problema. Acostumados com o clima tropical, nem as pesadas roupas cedidas pelos norte-americanos os deixavam suficientemente aquecidos. “Usávamos duas meias, mas os pés estavam sempre gelados.”
Os pés de Gratagliano só recebiam tratamento especial quando visitava Mafalda, uma italiana pela qual o soldado paulista se encantou. Sempre que conseguia uma folga, ele ia para Lucca, cidade em que morava a moça, para quem levava sabonetes e chocolates. “Ela esquentava tijolos e colocava nos meus pés”, lembra. “Mafalda era linda, e também me elogiava, dizendo que eu era molto bello.”
Batismo de fogo - A primeira experiência de Gratagliano em combate, quando teve que realmente disparar uma arma contra os inimigos alemães ocorreu nos arredores da cidade de Bolonha, durante uma madrugada de fevereiro de 1945. Gratagliano era o sentinela encarregado da ronda das 23h à 1h. Nevava bastante, e pouco se via à distância. Prevendo esse problema, durante o dia, um engenhoso companheiro, Armando Ferreira, preparara uma armadilha que acionaria um dispositivo sinalizador (que iluminaria a área durante um minuto), caso alguém esbarrasse em uma linha colocada próxima à trincheira.
Ocorreu o que os brasileiros temiam, mas esperavam cedo ou tarde: um grupo de alemães se aproximou, acionando o mecanismo preparado por Ferreira. Apareceram quatro alemães, todos de capa branca - para se camuflar na neve. Apavorado, mas consciente da sua missão naquele momento, Gratagliano disparou 20 tiros em direção aos inimigos enquanto a luz os iluminou, e em seguida recarregou a arma e disparou mais 20 tiros.
O soldado brasileiro ficou sabendo depois que dois alemães foram mortos na ocasião. Como prêmio por sua atuação no episódio, ganhou oito dias de licença em Roma e uma medalha. Ele jamais fez as contas de quantos alemães tirou de combate. “Não quero saber, porque não me orgulho disso; em uma guerra, você mata gente que não conhece, gente que nunca lhe fez mal.”
Amigos - A guerra serviu também para fazer amigos. “Criamos laços fortes, porque passamos muitos maus bocados juntos”, diz. “Não me sentia satisfeito quando ficava longe dos companheiros: mesmo quando estava de folga, eu me preocupava com eles, e só ficava tranqüilo quando voltava para o front.” Até hoje um grupo de veteranos se encontra toda primeira quinta-feira mês, em um restaurante italiano de São Paulo. Jantam, relembram acertos e lamentam os erros estratégicos, falam mal da maioria dos oficiais que os comandara, bem das mulheres italianas que conheceram, reinventam algumas histórias.
Gratagliano fez ainda amigos entre os europeus. Ele treinava seus conhecimentos do idioma italiano conversando com os moradores das cidades por onde passava seu regimento. Gostava particularmente de brincar com Bruno, um garoto na época com quatro anos de idade. De volta à Itália em 1994, em uma excursão de ex-combatentes, reencontrou o menino, então um engenheiro de 54 anos.
Terminada a Segunda Grande Guerra, os ex-combatentes brasileiros receberam homenagens, desfilaram pelas ruas do Rio de Janeiro e São Paulo. “Mas fomos desmobilizados na Itália mesmo, porque Getúlio era contrário à FEB”, afirma.
Depois do final da guerra, voltou à vida de feirante até 1977. “Como a maioria dos recrutados, eu era pobre, e ainda sou.” Católico, aposentado, com dois filhos e quatro netos, já não espera muito do futuro. Pessimista, acredita que o século 21 será pior do que o 20. Aos jovens, aconselha: “Seja honesto, não se envolva com drogas, creia em Deus. Cada médico do hospital, nos últimos meses, sabia de suas histórias com detalhes. A preferida era a da medalha -quando foi premiado por ter matado dois alemães em uma engenhosa emboscada no meio da neve.


Mas ele não se orgulhava dos tiros e preferia não fazer as contas que quantas "vidas inimigas" tirara na guerra. Orgulhava-se, porém, do amor por uma italiana, que até hoje azeda a memória da família. Desde então dedicava-se a fazer casinhas de papelão para as crianças do bairro.

Quando delirava, já internado na UTI, reclamava do tamanho da trincheira em que havia sido colocado - "não vai caber os outros soldados", balbuciava. Morreu pensando na guerra, no hospital em São Paulo, aos 88 anos.

Folha de São Paulo
Estadão (Lúcia Camargo)
ANVFEB
Blog O Resgate FEB