terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Estojo do binóculo usado pelo Brasil na época da Segunda Guerra

Raro estojo do binóculo DFV fabricado para o Exercito Brasileiro de 1943 era cópia do M3 americano, mesmo modelo usado pela FEB na Segunda Guerra.
DFV
Nascido em 1908, na cidade portuária de Santos (SP), Décio Fernandes de Vasconcelos tornou-se um marco na história do desenvolvimento de instrumentos ópticos de alta precisão no Brasil. Topógrafo por formação, autodidata em Física e Matemática, Décio Vasconcelos era um inventor nato.Durante os seus primeiros 10 anos dedicados, exclusivamente, à fabricação de instrumentos militares.
(acervo O Resgate FEB)
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Vicente Gratagliano 6º Regimento de Infantaria - Regimento Ipiranga


“Em uma guerra, você mata gente que não conhece, gente que nunca lhe fez mal”
Nasceu em 6 de julho de 1919, no bairro do Brás, na cidade de São Paulo. Filho de italianos, não tem lembrança alguma do pai, que morreu quando ele tinha um ano e meio de idade. Passou a infância “jogando bola na rua”. Palmeirense, chegou a treinar no clube. “Marcava muitos gols.” Mas a infância foi curta, porque com 12 anos de idade já trabalhava para ajudar a família, engraxando sapatos.

Gratagliano freqüentou a escola por apenas um dia, em toda a sua vida. Ele foi expulso da escola aos oito anos de idade. “Puxei o cavanhaque do professor quando ele me repreendeu por falta de atenção na aula, ele então me jogou na rua e disse para nunca mais voltar lá”, relata. “Eu não voltei." Foi alfabetizado pelo irmão engenheiro e deve sua formação cultural à leitura de livros, jornais e revistas. “Aprendo rápido”, diz. A mulher, Maria, corrobora a afirmação do marido: “Eu fiz até a quarta série do primário e sei bem menos coisas do que ele”, e elogia: “Vicente é esperto, inteligente.”
Ele vendeu peixes em uma feira livre dos 14 aos 21 anos, quando foi convocado pelo Exército. Em 2 de julho de 1944, embarcou em um navio a caminho da Itália. Esse foi o primeiro contingente de soldados, que somariam depois 25 mil brasileiros na Europa, todos da Primeira Divisão Expedicionária, que juntou-se às forças norte-americanas. Gratagliano integrava o 1º pelotão, da 1ª companhia, do 1º batalhão do 6º regimento.
Para o rapaz que antes nunca saíra do País, a viagem de 14 dias foi penosa. “Nos primeiros dias, vomitava a toda hora”. O desembarque, em Nápoles, sul da Itália, ocorreu ao anoitecer, e a primeira noite foi passada ao relento. Após treinamento de dois meses, foi convidado a fazer seu testamento. “O tenente chegou e perguntou para quem deveria enviar meus pertences e proventos, caso eu morresse em combate.” Vicente indicou a mãe. “Esse foi o primeiro choque; antes a guerra parecia algo distante, mas nesse dia ficou claro o risco que corria.”
Medo e valentia - O medo começava a ganhar forma, mas o orgulho impedia que o sentimento fosse exposto entre os soldados. “Todos morriam de medo, mas ao mesmo tempo a gente tentava mostrar valentia diante dos companheiros, para não parecer fraco”, conta. O frio era outro problema. Acostumados com o clima tropical, nem as pesadas roupas cedidas pelos norte-americanos os deixavam suficientemente aquecidos. “Usávamos duas meias, mas os pés estavam sempre gelados.”
Os pés de Gratagliano só recebiam tratamento especial quando visitava Mafalda, uma italiana pela qual o soldado paulista se encantou. Sempre que conseguia uma folga, ele ia para Lucca, cidade em que morava a moça, para quem levava sabonetes e chocolates. “Ela esquentava tijolos e colocava nos meus pés”, lembra. “Mafalda era linda, e também me elogiava, dizendo que eu era molto bello.”
Batismo de fogo - A primeira experiência de Gratagliano em combate, quando teve que realmente disparar uma arma contra os inimigos alemães ocorreu nos arredores da cidade de Bolonha, durante uma madrugada de fevereiro de 1945. Gratagliano era o sentinela encarregado da ronda das 23h à 1h. Nevava bastante, e pouco se via à distância. Prevendo esse problema, durante o dia, um engenhoso companheiro, Armando Ferreira, preparara uma armadilha que acionaria um dispositivo sinalizador (que iluminaria a área durante um minuto), caso alguém esbarrasse em uma linha colocada próxima à trincheira.
Ocorreu o que os brasileiros temiam, mas esperavam cedo ou tarde: um grupo de alemães se aproximou, acionando o mecanismo preparado por Ferreira. Apareceram quatro alemães, todos de capa branca - para se camuflar na neve. Apavorado, mas consciente da sua missão naquele momento, Gratagliano disparou 20 tiros em direção aos inimigos enquanto a luz os iluminou, e em seguida recarregou a arma e disparou mais 20 tiros.
O soldado brasileiro ficou sabendo depois que dois alemães foram mortos na ocasião. Como prêmio por sua atuação no episódio, ganhou oito dias de licença em Roma e uma medalha. Ele jamais fez as contas de quantos alemães tirou de combate. “Não quero saber, porque não me orgulho disso; em uma guerra, você mata gente que não conhece, gente que nunca lhe fez mal.”
Amigos - A guerra serviu também para fazer amigos. “Criamos laços fortes, porque passamos muitos maus bocados juntos”, diz. “Não me sentia satisfeito quando ficava longe dos companheiros: mesmo quando estava de folga, eu me preocupava com eles, e só ficava tranqüilo quando voltava para o front.” Até hoje um grupo de veteranos se encontra toda primeira quinta-feira mês, em um restaurante italiano de São Paulo. Jantam, relembram acertos e lamentam os erros estratégicos, falam mal da maioria dos oficiais que os comandara, bem das mulheres italianas que conheceram, reinventam algumas histórias.
Gratagliano fez ainda amigos entre os europeus. Ele treinava seus conhecimentos do idioma italiano conversando com os moradores das cidades por onde passava seu regimento. Gostava particularmente de brincar com Bruno, um garoto na época com quatro anos de idade. De volta à Itália em 1994, em uma excursão de ex-combatentes, reencontrou o menino, então um engenheiro de 54 anos.
Terminada a Segunda Grande Guerra, os ex-combatentes brasileiros receberam homenagens, desfilaram pelas ruas do Rio de Janeiro e São Paulo. “Mas fomos desmobilizados na Itália mesmo, porque Getúlio era contrário à FEB”, afirma.
Depois do final da guerra, voltou à vida de feirante até 1977. “Como a maioria dos recrutados, eu era pobre, e ainda sou.” Católico, aposentado, com dois filhos e quatro netos, já não espera muito do futuro. Pessimista, acredita que o século 21 será pior do que o 20. Aos jovens, aconselha: “Seja honesto, não se envolva com drogas, creia em Deus. Cada médico do hospital, nos últimos meses, sabia de suas histórias com detalhes. A preferida era a da medalha -quando foi premiado por ter matado dois alemães em uma engenhosa emboscada no meio da neve.


Mas ele não se orgulhava dos tiros e preferia não fazer as contas que quantas "vidas inimigas" tirara na guerra. Orgulhava-se, porém, do amor por uma italiana, que até hoje azeda a memória da família. Desde então dedicava-se a fazer casinhas de papelão para as crianças do bairro.

Quando delirava, já internado na UTI, reclamava do tamanho da trincheira em que havia sido colocado - "não vai caber os outros soldados", balbuciava. Morreu pensando na guerra, no hospital em São Paulo, aos 88 anos.

Folha de São Paulo
Estadão (Lúcia Camargo)
ANVFEB
Blog O Resgate FEB

domingo, 25 de novembro de 2018

Coração do Brasil

O Coração do Brasil assim e chamado carinhosamente, foi a insignia bem antes da Cobra Fumar.O Coração do Brasil tiveram inúmeras variações,  eram feitas de tecido verde com a palavra BRASIL bordado em branco.Tiveram varias variações deste tão importante distintivo que fez historia nos campos de batalha da Itália.Mais um dos modelos.
(acervo O Resgate FEB)
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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Ary Rauen e Max Wolff Filho: “Nomes gravados na história sob o calor da Segunda Guerra Mundial”

Segundo Tenente Ary Rauen, Comandante de pelotão do 1º Batalhão, posto à disposição deste Batalhão, cumpriu todas as missões que lhes foram impostas com exatidão e presteza, durante o ataque da Unidade vizinha, ressaltando as qualidades demonstradas de firmeza de ação e sadio espírito de colaboração e cumprimento do dever”. “...durante o ataque de sua Unidade em Bombiana, Itália, o sargento Wolff demonstrou grande intrepidez de elevado espírito ofensivo. Tendo conhecimento que vários de seus camaradas jaziam feridos na “terra de ninguém”, conseguiu com dificuldade carregar os feridos para as nossas linhas. Muitas vezes o Sgt Wolff agindo como voluntário tem cumprido perigosíssimas missões no comando de patrulhas, tendo sido sempre bem sucedido.”
2º Tenente Ary Rauen
O 3º Sargento Max Wolff Filho“Rei dos Patrulheiros”
Com feitos marcantes pela Força Expedicionária Brasileira – FEB durante a campanha da Itália, os Riomafrenses Max Wolff Filho e Ary Rauen gravaram seus nomes na história do país durante a 2ª Guerra Mundial, responsáveis por ações memoráveis, mereceram grande destaque á época, revelando a essência do soldado brasileiro.
Impossível andar pelas ruas de Riomafra sem notar a presença dos nomes em logradouros públicos ou mesmo ler obras sobre a participação brasileira na 2ª Guerra Mundial, que não relatem os feitos de dois ilustres riomafrenses, o “Tenente Ary Rauen” e o “Sargento Max Wolff Filho”.Esses dois personagens, cujos nomes denominam ruas, praças, escolas, museus e até unidades militares do Exército como o 5º Regimento de Carros de Combate (Regimento Tenente Ary Rauen), em Rio Negro e o 20º Batalhão de Infantaria Blindado (Batalhão Sargento Max Wolff Filho), em Curitiba, tanto nesta região como Brasil à fora, tem, além da conterraneidade, inúmeras outras semelhanças e coincidências que os fazem figurar entre os vultos de nossa história, tanto local como nacional.A rigidez do Tenente e a flexibilidade do Sargento, dono de um notável tato com seus companheiros de farda, parecem uma das poucas diferenças de personalidade e postura profissional entre esses dois militares, integrantes do 11º Regimento de Infantaria (11º RI), cujas semelhanças, principalmente no que se refere à coragem demonstrada em combate, fazem de seus nomes presença obrigatória em qualquer obra que trate da participação brasileira na 2ª Guerra Mundial.
Ação, entusiasmo, juventude, energia e coragem”, a frase do General Meira Mattos define como nenhuma outra, a atuação do 2º Tenente Ary Rauen na Campanha da Itália. O jovem oficial de 22 anos, que estudou no Grupo Escolar “Duque de Caxias” (que funcionou nas instalações que atualmente abrigam a Guarnição Especial de Polícia Militar de Mafra), formou-se no centro de Preparação de Oficiais da Reserva de Curitiba, tendo por diversas ocasiões, sua atuação em combate destacada pelo Comando do 11º RI, como o ocorrido na permanência em posição durante o retraimento desordenado de seu Batalhão diante de um ataque alemão ou mesmo a iniciativa ofensiva adotada no ataque à vila de Montese.
O 3º Sargento Max Wolff Filho, aqui nascido e onde chegou a trabalhar no transporte de erva mate realizado à barco pelo rio Negro, recebeu o título de “Rei dos Patrulheiros”, um reconhecimento da mídia da época e dos próprios companheiros a quem era uma unanimidade entre a tropa brasileira. Assediado pela imprensa, o Sargento Wolff comandava um pelotão especial, responsável por missões altamente arriscadas, de incursões ao território inimigo ao resgate de feridos na “Terra de Ninguém”. Bem-humorado, voluntarioso e altamente eficiente, sua fama se espalhou pelos campos de batalha, sendo condecorado inclusive pelo exército Norte Americano.
Assim como a existência de semelhanças positivas entre Max e Ary, o fator trágico  também foi comum aos dois, “Heróis” por suas ações ou por seus ideais, esses riomafrenses não voltaram a ver esta terra. Como algo comum aos bravos, que são bravos porque realizam feitos não comuns aos demais, porque tem coragem, porque lutam e superam seus medos e, por conseqüência se expõe mais do que os outros, arriscando-se, não por ignorância ou imprudência, mas pelo sentimento do dever, um dever que extrapola a simples condição de soldado e que reflete a personalidade de homens fortes, o dever para consigo e tudo aquilo que amam e acreditam, a eles se reservam honrosos lugares em nossa História.
Andando pelas ruas de Riomafra é fácil perceber a presença de nomes como o do Tenente Ary Rauen e do Sargento Max Wolff Filho em diversos logradouros públicos, seja em uma das principais avenidas de Mafra, em praça central de Rio Negro.

Fonte: Fábio Reimão de Mello (Professor e historiador) 
blog: Guia Riomafra

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Coração do Brasil

Peça histórica e marcante é o "Coração do Brasil" distintivo em tecido e bordado, usado antes do embarque e durante a guerra. 
(acervo O Resgate FEB)

Pracinha de Curvelo (MG), uniforme antes do primeiro embarque para Itália.
Repare na foto do General Mascarenhas de Morais (direita) com o Coração do Brasil no uniforme quando sua passagem por uma cidade italiana.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Montese já conquistada.


Soldados brasileiros na cidade de Montese já conquistada.
Fotos dos livros “Battaglie sul Crinale”, de Walter Bellisi com auxílio Marília Cioni e de “Fratelli Sulla montagna” de Daniele Amicarella e Giovanni Sulla.

Matéria: V de Vitória
Soldados perto da enfermaria na Via Augusto Righi
Entrada dos brasileiros na via Augusto Righi

Soldado Sérgio Gomes Pereira em 16 de abril na Via Augusto Rghi
Notem a cidade ao fundo, atrás deles, mais perto, passam jipes e há carros de combate estacionados.

General Zenóbio na Via Augusto Righi com a cidade já em poder dos brasileiros 
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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

XIX Encontro Nacional da FEB

Medalha da Associação Nacional dos Veteranos da FEB - Seção Curitiba.
XIX Encontro Nacional de 7 a 10 de novembro de 2007

(acervo O Resgate FEB)
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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Rendição da 148a Divisão de Infantaria Alemã

Grupo de alemães chegando para se entregar os brasileiros.
 Rendição Alemã em Collecchio/Fornovo, fotos clássicas e novas do evento, que se deu em 29 de abril de 1945. Os brasileiros cercaram e obrigaram a se render quase 15 mil alemães de uma só vez. 
Fotos dos livros “Battaglie sul Crinale”, de Walter Bellisi com auxílio Marília Cioni e de “Fratelli Sulla montagna” de Daniele Amicarella e Giovanni Sulla.
V de Vitória
Viaturas alemães entregues pelos alemães, inclusive com carroças. Só cavalos entregues foram quatro mil.

Prisioneiro alemão chega ferido na rendição e é atendido por brasileiros.Tem um médico ou enfermeiro alemão aqui no canto direito para acompanhar.

General Mascarenhas de Morais e General Zenóbio da Costa
Brasileiro vigia prisioneiros alemães que descansam em um pasto onde deixaram os cavalos que usavam nos Apeninos
Soldados alemães se apresentam no posto de recebimento de prisioneiros do Brasil
Chegada do General Otto Fretter-Pico, da 148a Divisão de Infantaria Alemã, para se entregar ao General Olympio Falconiére da Cunha. Pico fez-se acompanhar por 31 oficiais do seu Estado Maior e foi o último a se entregar.


Prisioneiros alemães sendo levados dos campos brasileiros para os campos americanos. 

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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Fotos F.E.B


Algumas fotografias originais da FEB, durante a guerra e pós guerra no Brasil.
1ª da esquerda : Mascarenhas de Morais, Zenóbio da Costa e Cordeiro de Farias.
2º da direita:Desfile da FEB na Avenida Rio Branco em 1945 no Rio de Janeiro.
As demais o cotidiano dos soldados brasileiros na Itália.
(O Resgate FEB)
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domingo, 30 de setembro de 2018

Fotos inéditas do sapador Leonardo De Léo na Itália


Leonardo De Leo, nasceu em Curvelo (MG) em 24 de abril de 1920, deixando ainda adolescente a cidade natal, para viver em Belo Horizonte.
Convocado pelo exército para participar no teatro de operações da Itália na Segunda Guerra.Tendo a missão de desarmar e retirar as minas terrestres, indo a frente do batalhão.Função que exigia coragem, determinação e sangue frio.

Fotos exclusivas  para O Resgate FEB, enviada pela sua filha Míriam De Leo.
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