domingo, 29 de março de 2015

Soldado USA Segunda Guerra

Montagem de um manequim de um soldado americano da Segunda Guerra com peças do acervo originais da época da guerra, infelizmente esqueci de acrescentar a lanterna TL 122 B, coldre de couro e a bússola Lensatic presa ao cinto A calça de la do uniforme Ike jacket (1944) para compor o modelo pois não fez parte do uniforme de campanha.
(acervo  o Resgate FEB)
Itens americanos do uniforme 
Capacete completo M 1,Jaqueta M 43, dogtag, gorro de la (wool kint cap) debaixo do capacete, divisa de sargento, patch do 5º exercito americano feito em Nápoles, luvas com palmas de couro, cinturarão porta munição onde estão presos uma baioneta do fuzil M 1, porta curativo individual, cantil, calça do uniforme ike jacket e bota de inverno (over shoe)

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segunda-feira, 23 de março de 2015

A Marinha do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

A Marinha do Brasil perdeu na guerra 467 homens, entre comandantes, oficiais, suboficiais e praças. Três de seus navios foram afundados – o Marcílio Dias, em 1944, por um submarino alemão; a corveta Camaquã, pelo mau tempo, em 1944, e o cruzador Bahia, destruído em 4 de julho de 1945, pouco antes do fim da guerra no Pacífico, por um explosão acidental em seu paiol de munição.
Foi no mar que o Brasil sofreu as mais pesadas perdas durante toda a guerra. Ao todo, cerca de 1.400 brasileiros morreram em consequência da ação de submarinos alemães e italianos e em outras operações de guerra.
Marinheiro vigia comboio no Atlântico Sul. Durante a guerra, a Marinha brasileira escoltou milhares de navios em comboios para garantir o comércio marítimo do País. Os comboios partiam do Rio, Salvador, e do Recife e iam até a ilha de Trinidad, no Caribe.
A história da Marinha brasileira durante a guerra é a menos conhecida entre as de nossas Forças Armadas – são poucos os livros que contam trabalho nos caça-ferro e caça-pau, os navios da guerra antissubmarina do Brasil no Atlântico. E, no entanto, ela foi a mais necessária de todas as forças naquela guerra – sem ela, não haveria gasolina – quase toda importada – ou comércio entre as regiões do País – as comunicações por terra entre as regiões inexistiam.
Lançamento de cargas de profundidade no oceano Atlântico. Essas bombas eram uma das principais armas contra submarinos .
A Marinha, com seus recursos escassos – seus primeiros equipamentos contra submarinos só chegaram em setembro de 1942, um mês depois da declaração de guerra -, garantiu a continuidade do comércio no litoral brasileiro.
Em 9 de setembro daquele ano, ela organizou o primeiro dos comboios. Partiu das margens do Potengi, em Natal, e foi até o Recife, protegido por três navios de escolta. Ao todo, brasileiros e americanos – os navios da Marinha brasileira foram incorporados à 4ª Frota dos EUA – escoltaram 503 comboios durante a guerra, em que estiveram protegidos 2.914 navios. “Cada passagem de um comboio era uma vitória”, conta o almirante Hélio Leôncio Martins, de 97 anos, que comandou um caça-pau durante a guerra.
Carga de profundidade é disparada por um navio brasileiro durante exercício de guerra antisubmarina na Segunda Guerra Mundial
Isso foi possível, em parte, porque nossa forças navais foram reequipadas com navios americanos durante a guerra, recebendo, por exemplo, contratorpedeiros de escolta.
Na galeria que publicamos aqui, estão fotos do Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Elas mostram a ação dos marinheiros nos comboios e na vigilância do Atlântico, exercícios de luta antissubmarina com o lançamento de cargas de profundidade e fotos de alguns dos navios brasileiros engajados na guerra.
 O encouraçado Minas Gerais em Salvador em 1942.
O encouraçado São Paulo foi comprado pelo Brasil em 1908 da Inglaterra e, com o Minas Gerais, tornaram a Marinha brasileira a mais poderosa da América do Sul. Ambos os navios eram da classe Dreadnought, a mais poderosa da época – tinham canhões de 305 mm. Durante a guerra, o São Paulo foi mantido ancorado no porto do Recife para guarnecê-lo.

Em entrevista, o almirante Hélio Leôncio Martins fala sobre a participação da Marinha do Brasil no conflito.
Mais brasileiros morreram no mar (1.081) do que nos campos da Itália (466). Para manter o comércio, o Brasil não podia deixar suas águas. Durante a guerra, o almirante Hélio Leôncio Martins comandou um navio antissubmarino. É ele quem conta a atuação da Marinha do País no conflito.
A Marinha estava preparada para a guerra?
Quando começou a guerra… zero. Pode pôr zero. Zero mesmo. Não sabíamos nada de defesa antissubmarina, não tínhamos arma nem equipamento. Começamos a guerra em agosto. Os dois primeiros navios antissubmarinos caça-ferro, comprados na véspera da guerra, só chegaram em setembro.
Como foi o começo da guerra?
Minha primeira experiência foi em um destróier de 1908, sem nada. Tinha bombas de profundidade de 40 libras. Para se ter uma ideia do que era isso, depois nós usamos bombas de 300, de 600 libras. Usávamos de 40 amaradas com cabo. Não tínhamos lançador nem nada. Não tínhamos nada. Felizmente, nenhum submarino se lembrou de pôr a pique um daqueles navios. Não puseram a pique porque não quiseram. Mas tínhamos uma Marinha com mais de cem anos de existência, com tradição e história. Foi isso que permitiu que a gente fosse para o mar.
O senhor chegou a enfrentar os submarinos alemães?
Nós estávamos na altura da Venezuela, em um comboio americano. O único navio-patrulha éramos nós quando um petroleiro de avião foi bombardeado. Foi um fogaréu enorme. Aí nós tivemos um contato. Depois, eu tive mais uns dois contatos. Um deles foi com uma baleia. A baleia estava andando devagar, parecia um submarino. Foi destruída.
Qual foi a principal tarefa da Marinha brasileira na guerra?
Na guerra inteira a nossa função era passiva, defender comboio. Os americanos faziam caça e destruição. A nossa função era fazer passar o comboio. Cada passagem do comboio era uma vitória. Não era uma coisa que se contasse por destruição do inimigo, ou tomada de uma ilha. A nossa vitória era a passagem de um comboio.

Medalha de Serviços de Guerra
 Criada por Dec-Lei 6095, de 13 dez 1943; 6774, de 7 ago 1944 e 1638, de 16 ago 1944. Destinou-se a ser conferida aos militares das Marinhas de Guerra Nacional e Aliadas, da ativa, da reserva ou reformados, e aos oficiais tripulantes dos navios mercantes nacionais e aliados, que tenham prestado valiosos serviços de guerra, que a bordo dos navios, quer em comissões em terra. 


Fotos:Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha.
Medalha: forum Supremacy.
Autor :Marcelo Godoy
Fonte:O Estadão
Blog:Tok de História
O Resgate FEB

terça-feira, 17 de março de 2015

Telefone de campo (EE8 Field Phone) usado pela F.E.B

Os telefones de campo foram utilizados pela primeira vez na Primeira Guerra Mundial.Eles substituíram sinais de bandeiras e o telégrafo como um meio eficiente de comunicação.
O Telefone de Campo ( EE-8 Field Phone) foi usado pelo Estados Unidos  antes e durante toda a Segunda Guerra Mundial e através da guerra do Vietnã. Ele foi alojado em couro, em seguida lona, e sua última produção nylon.
Telefones de campo são telefones móveis destinados a uso militar, projetado para resistir as condições de guerra.Eles podem extrair energia a partir de sua própria bateria ou a partir de uma central telefônica.
O EE-8 Telefone de Campo foi padronizado em 1932 e aquisição começou em 1937, proporcionando uma unidade mais leve e funcional a tempo da grande mobilização dos militares dos EUA para a Segunda Guerra Mundial. Entre outras melhorias, o EE-8 aumentou a faixa máxima de transmissão do predecessor EE-5 por seis milhas ou mais.
Telefone de Campo foi usado pela Força Expedicionária Brasileira na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.Os telefones portáteis era uma forma mais eficaz e eficiente para os comandantes e as tropas para manter contato no campo de batalha.Esse das fotos e de lona de  fabricação 43/44 apenas a F.E.B usou,  pois muitos aparelhos foram dados usados pelos EUA, ai o Brasil mandou fazer essas capas em lona.
(acervo O Resgate FEB)

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domingo, 8 de março de 2015

Artilharia Divisionária F.E.B (1ª Divisão de Exército)

 Antigo pin da artilharia da FEB.
(acervo O Resgate FEB)
A Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Exército (AD/1), conhecida também pelo nome histórico Artilharia Divisionária Cordeiro de Farias, é um Grande Comando de Artilharia subordinado à 1º Divisão do Exército.Sua sede localiza-se em Niterói no estado do Rio de janeiro.Seu nome histórico é uma homenagem ao Marechal Osvaldo Cordeiro de Farias, comandante na Segunda Guerra Mundial
Criada em 23 de fevereiro de 1915 com a denominação de 3ª Brigada de Artilharia, englobava o QG, o 1º RAM, o 6º RAM e o 3º GO (3º Gp Art Pesada), todos no Rio de Janeiro. Em 1919, a 3ª Brigada de Artilharia passou a denominar-se 1ª Brigada de Artilharia, englobando novas OM.
Na década de 1930, ocorreu a substituição da 1ª Brigada de Artilharia pela Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Infantaria. Em 1943, com a criação da 1ºDivisão de Infantária Expedicionária, constituiu o núcleo da Artilharia Divisionária da 1ª DIE, sendo responsável pelo apoio de fogo que tornou possível as vitórias da Força Expedicionária Brasileira nos campos da Itália
A Artilharia de Campanha é o principal meio de apoio de fogo da força terrestre. Suas unidades e subunidades podem ser dotadas de canhões, obuses e foguetes.
Suas características são a precisão e a rapidez, para destruir ou neutralizar as instalações, os equipamentos e as tropas inimigas localizadas em profundidade no campo de batalha.

Emblema pintado pelos pracinhas na Itália no trator M 5
Foto O Resgate F.E.B
Blog o Resgate FEB

terça-feira, 3 de março de 2015

A Estrada 47

Esperado longa A Estrada 47 chega as telonas do Brasil no dia 7 de maio para contar a história de cinco brasileiros na segunda guerra.

Mais de 25 mil homens partiram do Brasil com um destino incerto no Sul da Itália para lutar contra as forças de Aldof Hitler: assim nascia a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Mais de 70 anos depois, o diretor Vicente Ferraz presenteia o público com A Estrada 47, um longa que conta parte desta história. 
Uma esquadra formada por caçadores de minas da FEB acaba se perdendo no meio da guerra e tem que decidir entre encarar a Corte Marcial e o Combate. Mesmo despreparados e sem mantimentos, a escolha de Guimarães (Daniel de Oliveira), Tenente (Júlio Andrade), Piauí (Francisco Gaspar) e Laurindo (Thogum) é desarmar um temido campo minado. 
Durante o caminho eles conhecem Roberto (Sérgio Rubini), um desertor fascista italiano arrependido e um oficial alemão cansado da guerra, Coronel Mayer (Richard Sammel). Com a ajuda dos novos amigos, os pracinhas conseguem realizar uma das mais impossíveis façanhas já imaginadas.
Assista o trailer do filme A Estrada 47:
Durante a Segunda Guerra Mundial, no sopé de uma montanha na Itália, uma esquadra de caçadores de minas da Força Expedicionária Brasileira sofre um ataque de pânico e acaba se perdendo em plena “terra de ninguém”. Desesperados, com frio, fome e sede, os despreparados pracinhas têm de optar por enfrentar a Corte Marcial ou encarar novamente o inimigo. É então que os remanescentes do grupo decidem rumar para outro ousado objetivo militar: desarmar o campo minado mais temido da Itália. No caminho, acabam encontrando outros desertores: um fascista arrependido e um oficial alemão cansado da guerra. Com a inesperada ajuda dos inimigos, os pracinhas conseguem realizar uma das mais impossíveis façanhas já imaginadas em todo o conflito.

 Filipe Rosenbrock @jedielsonck                    

segunda-feira, 2 de março de 2015

Cabo Geraldo Santana: Uma carta de pai para filho

"Este ano, coloquei-me na missão de pesquisar a respeito do meu único conterrâneo a morrer em combate na Segunda Guerra Mundial, Cabo Geraldo Martins Santana, que neste 2013 faria 90 anos de idade. Seu irmão caçula foi bastante gentil comigo, cedendo uma grande quantidade de documentação, que hoje está no arquivo da Sala de Guerra.
Entre a documentação que recebi, uma carta me chamou a atenção. Emocionei-me muito da primeira vez que passei os olhos sobre este documento, perdido há quase 70 anos. As palavras nele contidas são as angústias sinceras de um pai entregando a vida do filho à nobre causa da defesa da Pátria – fato que o destino consumou apenas 13 dias depois.
Geraldo Santana morreu em combate em 9 de novembro de 1944, sem nunca ter recebido esta carta; e é muita sorte que uma cópia tenha sobrevivido até nossos dias. Todos a quem mostrei este documento são unânimes em dizer que jamais viram algo semelhante sobre FEB. É um testemunho de abnegação e dever patriótico que vai acima do amor familiar – quando o Sr. Antônio Santana despede-se do filho e pede-lhe para não sentir medo da morte.
Sentindo-me no dever de compartilhar esta carta com todos vocês, faço dela, finalmente, imortal:"
Montes Claros, 28 de outubro de 1944
Querido filho Geraldo:
Saudades…
Recebi do Quartel-General do Rio de Janeiro comunicação que foste incorporado à Força Expedicionária Brasileira.
Não foi pra mim nenhuma surpresa, porque o soldado está sempre sob as ordens dos seus superiores e deve acatar essas ordens com todo o respeito.
Foste incorporado porque era necessário que a Pátria insultada respondesse à agressão dos corsários Nazistas que agiram debaixo de espesso nevoeiro, matando nossos irmãos.
Aqui, em casa, todos receberam com imenso orgulho essa notícia. Filho, jamais surja em teu cérebro o pensamento de um homem covarde. Seja firme no cumprimento do dever, principalmente quando a nossa Pátria foi traiçoeiramente atacada pelos vilões de além-mar.
Não importa que o intenso inverno dificulte a nossa marcha ou que o sol abrasador faça demorar o avanço, o certo é que precisamos chegar até o fim do nosso itinerário ombro a ombro com as FORÇAS ALIADAS.
Ainda me recordo daquela bela poesia que diz em uma de suas estrofes:
Para a frente que importa a invernada,
Temporal, inclemência de sois.
Quem for fraco, que fique na estrada,
Que a vanguarda é o lugar dos heróis.
Pedimos a Deus para conservar tua pessoa ilesa das balas assassinas dos Nazistas; porém, se for do agrado do Altíssimo que o teu corpo tombe no campo de batalha, para que muitos outros vivam, seja feita a vontade de Deus.
O ataque deve ser repelido embora sucumbam alguns dos nossos. Que papel faríamos se permanecêssemos de mãos cruzadas quando o inimigo comum tentou ultrajar a nossa soberania?
Seremos por ventura alguma estátua onde o sangue não circula?
É legal trair nossa tradição?
Não, isto não.
Dos túmulos de Caxias, do Tenente Antônio João, de Camisão e outros mais, ouviríamos o grito da dor do insultado dizendo-nos:
Irmãos, hoje mais do que nunca o Brasil precisa vingar os seus filhos.
Levai em resposta à agressão a esses Nazistas o brilho de uma baioneta empunhada para que os nossos sejam vingados.
E, assim, acalmarão as ondas tempestuosas do mar furioso, e a bonança reinará para todos os povos do mundo, que foram vítimas dos sutis ataques do Eixo.
Portanto, filho, não queiras ter maus pensamentos e jamais haja em tua pessoa o desespero.
Seja também calmo. Porque todos nós temos que morrer um dia; logo, é desnecessário e mesmo indecente o desespero.
Muitos se enganam com a morte.
Ela não causa assombro a ninguém, porém enobrece a muitos. Se for preciso, morre em honra da Pátria e viverás eternamente. A tua lembrança ficará sempre conosco.
Um conselho: conserve sempre a tua fé em Deus e jamais a deixe seduzir por outrem. Todos nós estamos indo bem graças a Deus.
O que sentimos são saudades tuas, mas esperança de que em breve estarás aqui em Montes Claros conosco.
Terminando, pedimos a Deus por tua pessoa e pela honra e glória do Brasil e o cabal êxito da FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA.
Queira aceitar a benção de teu pai e os abraços que teus irmãos, tias e cunhados lhe mandam.
Teu pai,
Antônio Martins de Santana Primo 



O túmulo de Geraldo Santana no Cemitério Militar Brasileiro de Pistoia, que abrigou seus corpo entre 1945 e 1959. 

Blog Sala de Guerra
Foto: Mario Pereira.