domingo, 8 de novembro de 2015

Pagamento no acampamento

O salário de um soldado engajado era de 296,00 cruzeiros, equivalente a quase mil e quinhentas liras italianas (ou liras de ocupação).O soldado convocado recebia pouco mais de 80 cruzeiros. Segundo Aribides Pereira, que era engajado, recebia 200 liras, na Itália; outra cota era paga à família, em cruzeiros, e o restante era creditado em uma conta bancária, no Brasil.
Muitos pracinhas conseguiam multiplicar esse valor, pois, além da comida enlatada, recebiam chocolates e cigarros. Muitos não fumantes vendiam os cigarros para os soldados norte-americanos, aumentando a renda. Cada pracinha recebia um maço por dia. Pode parecer exagero, mas o maço de cigarros norte-americanos, dependendo da situação, podia ser vendido por até mil liras para os soldados estadunidenses. Havia também os cigarros nacionais, que eram mais fortes e mais baratos. Os cigarros não vendidos eram cedidos, graciosamente, aos amigos fumantes ou trocados por algum souvenir, com os prisioneiros alemães. Os chocolates tinham valor incalculável.
Neraltino Santos diz que, além do maço de cigarros diário que recebia e vendia por 100 liras, tinha outra fonte de renda: uma máquina Kodak, que adquiriu na Itália. “Quando descobriram que eu fotografava, vendi muitos retratos por lá. Soldados de outras baterias vinham tirar fotografias”. Recorda que, como soldado, tinha direito de depositar um número ‘x’ de liras em sua conta no Brasil. Como faturava muito mais, depositava o excedente na conta do Sargento D’Ambrósio. Desse modo, conseguiu fazer um belo pé de meia com a venda das fotografias. Esses valores, somados ao salário que recebia, permitiram que comprasse algumas cabeças de gado, após o retorno à terra natal. A título de curiosidade, Neraltino diz que um maço de cigarros correspondia ao preço de uma garrafa de champanhe francês.
Acervo de Wanda R. Pedroso (foto).
PORTAL FEB.

Um comentário:

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