quarta-feira, 30 de abril de 2014

Geninho, o craque que virou pracinha da F.E.B

Filho de Geninho relembra 'pausa' do pai para servir Exército na Segunda Guerra Mundial.
Geninho (agachado, segundo da esq. para dir.) foi campeão carioca em 1948.
Geninho com as mãos na bola ao lado do técnico Gentil Cardoso, de boné. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública ( Jornal Última Hora )
Ex-jogador do Botafogo, ao lado de três companheiros, serviu à Força Expedicionária Brasileira e testemunhou morte de colegas durante conflito.
Fotografia registra retorno de Geninho e outros pracinhas ao Brasil após a guerra.
Geninho chegou ao Rio de Janeiro, para vestir a camisa do Botafogo, em 1940. Ao desembarcar, imaginava que defender o clube seria sua grande missão nos anos seguintes. Até aparecer outra tarefa, fora dos gramados: servir a Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Segunda Guerra Mundial. A invasão da Sicília, no sul da Itália, em 10 de julho de 1943, foi o estopim para participação brasileira, que declarou guerra à Alemanha e à Itália (assista ao vídeo ao lado). Setenta anos depois, o filho do ex-jogador relembra essa história e a tentativa do pai de não se juntar aos pracinhas, em vão.Ele tentou de todas as maneiras... foi pra uma junta médica, aí disseram: "Pô, Geninho, você está todo dia no jornal, joga pelo Botafogo, como vou dizer que você está sem condição física... não posso te liberar" - contou Zeca Bahiense.
Ephigênio de Freitas Bahiense, craque botafoguense que ficou conhecido como Geninho, nasceu na cidade de Belo Horizonte em 10 de setembro de 1918. 
Efigênio de Freitas Bahiense, o Geninho, embarcou para a Itália em setembro de 1944. Ele e outro três jogadores do Glorioso estavam entre os 25 mil pracinhas que lutaram na Segunda Guerra. O jogador retornou e pôde dar continuidade à carreira, mas nem todos tiveram a mesma sorte. O filho lembra uma das histórias, recheada de tristeza.
A questão de ele estar sentado com um grupo, levantar e se dirigir para um outro grupo. Ele deu dez passos, veio uma bomba e matou todo mundo que tava sentado... ele falou, por que Deus me tirou daqui?! Os caras falaram, você está vivo, você está vivo... não sobrou ninguém de onde ele estava - disse.
Cerca de 470 pracinhas brasileiros morreram na guerra, que terminou em setembro de 1945 com a vitória dos aliados, a quem o Brasil ajudou a reforçar. A volta para casa foi emocionante. Em casa, Geninho pôde voltar a vestir as cores do Botafogo e, no futebol, também venceu: fez parte do ataque campeão carioca de 1948, que quebrou um jejum alvinegro de 13 anos sem títulos.
Mineiro de Belo Horizonte, onde iniciou a carreira no Palestra Itália, atual Cruzeiro, acabou eternizado no Rio de Janeiro como "Arquiteto", apelido que recebeu no Botafogo pela facilidade com que projetava as jogadas no meio-campo. Talento que mostrou diante dos italianos durante a guerra, em jogo que relatou por carta ao presidente do Botafogo na época, Adhemar Bebiano.
Botafogo no início de 1949 no Estádio do Pacaembu: Em pé: Gerson. Ari. Nilton Santos. Rubinho. Avila e Juvenal. Agachados: Paraguaio. Geninho. Pirillo. Otavio e Braguinha.
Modéstia a parte, nesse jogo dizem que ele comeu a bola - contou o filho, orgulhoso.
Fascinado pelo maior conflito entre países do século XX, o músico e escritor João Barone, autor de dois livros sobre o assunto, explica que era comum os exércitos organizarem eventos como jogos de futebol. Ele também destaca o papel do país e de seus combatentes na guerra.
Os brasileiros cumpriram com muito brio, coragem e muita honra esse esforço contra o nazifascismo na Itália. Além de ter sido um pracinha e brilhado como jogador, Geninho ainda escreveu história como treinador e foi o primeiro técnico campeão brasileiro, com o Bahia, em 1959. Também comandou clubes como Botafogo, Cruzeiro e Palmeiras. 

Em 1955 Geninho iniciou sua passagem como treinador no próprio Botafogo, onde além das equipes de base, trabalhou também dirigindo o elenco de profissionais até a chegada de João Saldanha.Geninho faleceu aos 62 anos de idade, na cidade do Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1980.
Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista Esporte Ilustrado, revista do Esporte, revista O Cruzeiro – encarte ídolos do futebol brasileiro, datafogo.blogspot.com.br,radiobotafogo.com.brmuseudosesportes.blogspot.com.br,marretapopular.blogspot.com.br (Ronald Alzuguir),stadiumvarginhense.blogspot.com.br, Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora - blog O Futebol sem as fronteiras do tempo (Tardes de Pacaembu)

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Ricordo Di Roma e Pisa SOUVENIR.


Um lote bem raro de pré-Segunda Guerra Mundial, souvenir que muitos soldados levavam para casa como recordação.Livreto de capa dura estilo sanfona dobrável  em uma faixa longa composto por partes e cada um contém 32 imagens da Itália antes da guerra das cidades e seus monumentos históricos.No verso o comentário sobre cada foto em quatro idiomas (Italiano, francês, alemão e inglês) Sem data os livretos.
(acervo O Resgate FEB)
Livretos Ricordo Di Roma (Parte I), Pisa e Firenze.
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quinta-feira, 24 de abril de 2014

A Coluna da Liberdade

Evento: Patrocínio da Presidência da República Italiana 25-27 abril 2014

A FEB e bem lembrada na Itália e reconhecida.Na foto nossos pracinhas na conquista de Montese.
Enquanto no Brasil , todos nós sabemos o descaso com a memória o abandono e esquecimento da nossa história.

Cap Joaquim de Castro - Ex-Combatente da Segumda Guerra Mundial

 11º RI - Regimento Infantaria - Regimento Tiradentes
São João del-Rei - MG



Cap Joaquim de Castro
Ex-Combatente da Segunda Guerra Mundial

Nasceu em Nova Era, MG em 24 Fevereiro 1920. Filho de família numerosa, viveu sua infância e mocidade na vizinha cidade de Santa Bárbara.
Aos dezoito anos, em São João del-Rei, onde viajara a serviço, alistou-se no 11° Regimento de Infantaria. Naquela OM servia seu tio, Maj Int Francisco Castro, que deu todo apoio à sua escolha da carreira militar. Foi incorporado em 1939 e serviu na CCSv / Sv Aprovisionamento, no Pelotão do Rancho, inclusive depois de ser promovido a Cabo em 1942.
Em 1944, quando o 11º RI foi designado para integrar a Força Expedicionária Brasileira na II Guerra Mundial, se encontrava promovido a 3º Sargento de Infantaria, na 8ª Cia Fzo do III Batalhão. No dia 09 Março 1944, já noivo em São João del-Rei, deslocou-se junto com seu Regimento para os treinamentos preliminares na Capital Federal, Rio de Janeiro, aguardando o embarque para a guerra “em algum lugar do mundo”. Tudo ali era novidade para um mineiro que nunca havia visto o mar e nem tanta abundância de meios e equipamentos, aliada à intensa instrução de combate. O país de destino ainda era uma incógnita, por motivo do sigilo das informações.
Em 22 setembro de 1944 partiu para o Teatro de Operações da Europa com o 11° RI, no 3º Escalão da FEB, embarcado no navio "AP116 General Meigs". Somente no meio da travessia do Atlântico tomou conhecimento que desembarcariam na Itália. Em 06 de outubro, seu Batalhão desembarcou no porto de Nápoles, de onde seguiu para a região dePisa, para o acampamento de San Rossore, no Parque do Rei Vitor Emanuel, para adaptação ao clima e preparação para o combate. Sete semanas depois, em 20 de novembro, foi com a sua OM para a área de instrução do Castelo do Conde Julio, em Filetole, próximo à cidade de Lucca, na Toscana, mais próxima das linhas inimigas. As tropas alemãs recuavam para oeste em direção à Rota 64, que corre de Pistóia para Bolonha, mas se fixavam nos pontos mais elevados do terreno com a finalidade de fechar as estradas e barrar o avanço das tropas aliadas.
Vet Joaquim de Castro e sua
esposa Dª. Odete Resgalla 

Com uma semana de preparo, em 27 de novembro o III Batalhão, sob o comando do Maj Cândido Alves da Silva, deslocou-se para Sila, para participar do “Batismo de Fogo” do 11º RI Expedicionário no terceiro ataque a Monte Castelo, principal posição fortificada do inimigo na área. Os dois ataques anteriores não tinham logrado sucesso, tanto pela forte resistência dos alemães quanto pela hostilidade do clima gelado e pelo terreno íngreme que não era favorável aos atacantes. Nesse terceiro ataque, o III Batalhão, junto com a Companhia de Obuses, apoiaria o ataque principal feito pelo 1º RI Expedicionário, do Rio de Janeiro, no dia 29 de novembro. A 8ª Companhia, a comando do Cap João Manoel de Faria Filho, era uma das subunidades que primeiro enfrentariam o inimigo, depois da intensa “guerra de nervos” vivida no Brasil, no Atlântico e nas longas semanas na Itália. Disputava em expectativa e vibração com a 9ª Companhia, do Cap Hugo de Andrade Abreu, que posteriormente ficaria famoso como general pára-quedista. Desde as 18h do dia 28, todos já ocupavam suas posições de ataque, “com o mais sadio patriotismo, alevantado moral e os olhos fitos no Brasil” como relataria o Comandante do Batalhão. Na noite da véspera foram intensas as patrulhas de reconhecimento realizadas por aquela “mineirada irrequieta”.
Fotografia do Cap Ref  FEB  Joaquim de Castro quando Sgt do 11º RI (8ª Cia Fzo). São os graduados da 8ª Cia Fzo, antes do embarque para a Itália (farda de passeio).O então 3º Sgt Castro é o agachado, no centro.
Às 04h do dia 29 de novembro, a 8ª Companhia se deslocou para a linha de partida, de onde saiu às 08h para o ataque de flanco no setor de Abetaia, chamado de “corredor da morte”. O 3º Pelotão, comandado pelo2º Ten Agostinho José Rodrigues, avançava alinhado com os demais, sob o terrível “fogo amarrado” dos tedescos (alemães) entrincheirados, repleto de cercas farpadas, obstáculos, neve e muita lama. Com esse esforço concentrado, a 8ª Companhia atingiu seu objetivo inicial, um ponto cotado a 1 km além da linha de contato. Por causa do insucesso das ações do 1º Batalhão do 1º RI no ataque principal contra uma defesa mais forte, à esquerda do dispositivo de ataque, o Cmt do III Batalhão do 11º RI deu a ordem de retraimento às 7ª e 8ª Companhias. Seus Pelotões acabaram por recuar novamente até a linha de partida, trazendo consigo, do campo de luta, cinco combatentes mortos e vinte e três feridos.
Entre esses últimos, o 3º Sgt Joaquim de Castro, Cmt do 1º Grupo de Combate do 3º Pelotão da 8ª Companhia. Durante o ataque, ao avançar com seu GC, ultrapassava as linhas de trincheiras inimigas “fox holes” consideradas abandonadas. A neve estava acumulada sobre a camuflagem das trincheiras quando, se desviando dos tiros frontais, o Sgt Castro sentiu o chão ceder e caiu dentro de uma delas. De seu interior pulou para fora, em disparada, um “tedesco” que a ocupava e que aproveitou para disparar uma rajada de sua metralhadora de mão (a famigerada “Lurdinha”) tentando eliminar de vez aquele brasileiro atrevido. Nesse ponto, valeu a instrução individual do rolamento para o lado, o que veio a trocar a perda da sua vida pela perda dos ossos de seu pé esquerdo, atingido pelos tiros. Pelo estrago feito, até hoje existe a dúvida se esses tiros não vieram de metralhadora alemã pesada, MG-34 ou MG-45 sobre tripé, que varria a frente dos defensores. Imediatamente foi substituído no comando do GC (Grupo de Combate) pelo seu Cabo Auxiliar e, após o retraimento da subunidade, mandado para o posto de evacuação da Companhia, de onde foi encaminhado para o hospital de campanha do Batalhão de Saúde da 1ª DIE.
 O relato desse evento está no livro “Oitava Companhia, Terceiro Pelotão” de autoria do Ten Agostinho, Cmt do Pelotão, hoje residente em São Paulo. O citado livro conta também sobre o arrombamento, invasão e vistoria de uma casa existente no eixo do Pelotão, pelo “audaz Sgt Castro e seu GC”. O Sgt Castro também foi relacionado pelo Cmt do III Btl na Parte de Combate de 29-XI-944 expedida pelo 11º RI Expedicionário, entre os “bravos e heróis” que se destacaram no ataque.
Devido à gravidade da fratura e fragmentação do pé esquerdo, com alguma possibilidade de recuperação, foi transportado por via aérea para o Hospital La Garde, em Nova Orleans - Louisiana, nos Estados Unidos onde, após preparação especializada, foi submetido a uma cirurgia de implante de prótese de platina que lhe devolveu os movimentos do pé. Como passou longo tempo em recuperação nos EUA, retornou ao Brasil bem mais tarde que os demais expedicionários. E por este motivo não recebeu as homenagens de boas vindas que o povo brasileiro prestou ao exército vitorioso, no Rio de Janeiro e nas cidades de origem dos pracinhas.
Ao retornar ao 11º RI em São João del-Rei em meados de 1945, foi reformado por incapacidade física permanente devido ao ferimento recebido. Casou-se com a noiva Odete Resgalla no dia 1º de julho, com quem veio a ter oito filhos. Em março de 1947 foi promovido ao posto de 2º Tenente, e a 1º Tenente em abril de 1957. Permaneceu residindo em São João del-Rei até o ano de 1961, quando então se mudou para Belo Horizonte. Em outubro de 1973 foi promovido, para fins de vencimentos, a Capitão. Foi um dos fundadores da Seção Regional de BH da ANVFEB, chegando a fazer parte de sua diretoria. Com o passar do tempo, doou todos seus objetos, fardas, agasalhos, equipamentos individuais, cartões postais, fotografias, documentos e lembranças da guerra aos museus da FEB, tanto de BH quanto de São João del-Rei. Participou de todos os encontros nacionais de veteranos da ANVFEB até o ano de 2004. Como homenagem, recebeu os títulos de Cidadão Honorário de São João del-Rei, de Santa Bárbara e de Pedro Leopoldo, todas em Minas Gerais. Atualmente reside com sua esposa Dª Odete na Avenida Assis Chateaubriand, na esquina em frente à sede da ANVFEB, Seção Regional de Belo Horizonte.

Recebeu, por sua participação na II Guerra Mundial, as seguintes condecorações:

- Medalha Sangue do Brasil, referente ao ferimento no combate do dia 29 Novembro de 1944
- Medalha de Campanha, em 07 Março de 1947
- Medalha de Guerra, em 16 Maio de 1947
- Cruz de Combate de 2ª Classe, em 28 Agosto de 1952
- Medalha Mal Mascarenhas de Moraes (ANVFEB), em 04 Abril de 1974
O Capitão Joaquim de Castro faleceu em Belo Horizonte em 26 de março de 2009.

FONTE: ANVFEB
Matéria:
Sr. José Augusto de Castro Neto,
Filho do Veterano, Sr. Joaquim de Castro

sábado, 19 de abril de 2014

Lembrança da Pascoa - "Família do Expedicionário"

A religiosidade do povo brasileiro, santinho com a oração de Nossa Senhora das Vitorias feito na Itália para a missa de 24 de junho de 1945, lembrança da pascoa.
(acervo O Resgate FEB)


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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Porque o 22 de abril é o Dia da Aviação de Caça?

Raro e antigo plastico de pregar no vidro SENTA A PÚA! comemorando 19 amos do Dia da Aviação de Caça de 1964.O símbolo foi criado pelo Capitão Aviador Fortunato Câmara de Oliveira durante a Segunda Guerra Mundial.
 (acervo O Resgate FEB)

Saiba porque o 22 de abril é o Dia da Aviação de Caça
Comemora-se no dia 22 de abril o Dia da Aviação de Caça. Nada mais natural do que destacar parte da história do 1º Grupo de Aviação de Caça, unidade aérea que surgiu durante a 2ª Guerra Mundial para dar combate aos alemães na Itália.
A unidade foi criada em 18 de dezembro de 1943, um ano e quatro meses após a declaração de guerra do Brasil aos países do Eixo. Para comandá-la foi nomeado o então Major Aviador Nero Moura, atualmente o "Patrono da Aviação de Caça" da FAB.
Esta é uma história de heróis. Em abril de 1945, as tropas aliadas preparavam-se para uma grande ofensiva contra as forças alemãs. A todo custo, seria preciso estabelecer uma cabeça de ponte na região do Vale do Pó e impedir que exército nazista, em retirada, formasse uma nova linha de resistência e adiasse o final do conflito. Tal esforço exigiria sacrifício de todas as nações. Estava para acontecer o “Dia D” da Aviação Brasileira na Segunda Guerra Mundial.
Dia 22 de abril de 1945. O céu amanheceu encoberto na base brasileira em Pisa, na Itália. A aparente calmaria na pista de decolagem escondia o intenso movimento do 1° Grupo de Aviação de Caça (1º GAVCA) nos últimos dias. A unidade vinha cumprindo de quatro a seis missões por dia, o dobro, às vezes até o triplo da quantidade de saídas de antes da ofensiva de primavera que agora se desenhava.
Participar dessa ofensiva exigiria um esforço acima da média para os pilotos e especialistas da unidade. Os militares brasileiros haviam acabado de tomar uma das mais importantes decisões de toda a guerra. Preocupado com o aumento das saídas e o número de pilotos brasileiros, o Comando do 350th Fighter Group USAF (United States Air Force) propôs acabar com a unidade e aproveitar sua estrutura para pilotos americanos que entrariam em combate. Liderados pelo então Tenente-Coronel Nero Moura, Comandante do 1º Grupo de Caça, os brasileiros decidiram continuar lutando como uma unidade independente.
Dezenove pilotos acordaram escalados para as 11 missões do dia 22 de abril, prontos para quebrar o recorde de saídas diárias de toda a campanha na Itália. Para isso, voariam duas, até três vezes, por sucessivos dias, até o final da ofensiva. A unidade tinha então a metade do número de aviadores que desembarcaram em Livorno, um ano antes, resultado de baixas operacionais.
Passava das 8h, quando o ronco do primeiro P-47 ecoou pela pista de decolagem de Pisa. Às 8h30, partiram o capitão Horácio e os Tenentes Lara, Lima Mendes e Canário. Cinco minutos mais tarde, saíram o Capitão Pessoa Ramos e os tenentes Rocha, Perdigão e Paulo Costa. Às 8h40, decolaram os Tenentes Dornelles e Eustórgio, mais os aspirantes Poucinha e Pereyron.
Em terra, o ritmo de preparação continuava acelerado para dar conta das outras missões do dia. Havia um clima de preocupação. A experiência em combate indicava pelo menos três aeronaves abatidas por mês, dentro da rotina normal de saídas. O dia 22 de abril escapava totalmente desse perfil.
Às 9h45, decolaram o Tenente-Coronel Nero Moura, o Capitão Buyers, da USAF, e os Tenentes Neiva e Goulart. Uma hora depois, começaram a retornar as três primeiras esquadrilhas, sem nenhuma baixa.
Abrindo a segunda leva de ataques, partiram, às 10h55, o tenente Rui, Meira, Marcos Coelho de Magalhães e o Aspirante Tormin. Na seqüência (11h40), decolaram, pela segunda vez no dia e depois de menos de uma hora de descanso, os pilotos Horácio, Lara, Lima Mendes e Canário. Todos voltaram.
Na sétima missão do dia, às 12h40, saíram os Tenentes Dornelles, Eustórgio e o Aspirante Poucinha, todos voando pela segunda vez, mais o Tenente Torres, que chegaria ao final da guerra como o piloto mais voado. Em seguida (13h45), foram para o combate o Capitão Pessoa Ramos e os Tenentes Rocha, Perdigão e Paulo Costa, apenas três horas depois de terem retornado de outra missão.
Ainda restavam três missões. Até o meio da tarde, o 1º Grupo de Caça havia cumprindo à risca o plano aliado, sem nenhuma baixa. Em todas as saídas, os pilotos jogavam bombas em pontos estratégicos e passavam a procurar alvos de oportunidade, como colunas de tanques e transportes de suprimentos.
Às 14h45, o comandante do 1º Grupo de Caça, Tenente-Coronel Nero Moura, acompanhado dos Tenentes Neiva e Goulart, mais o Aspirante Pereyron, decolaram. A penúltima missão começou minutos antes das 16h. Partiram (pela terceira vez) Horácio, Lima Mendes e Lara, mais o capitão Buyers, que cumpria sua segunda missão. Filho de pais americanos, mas nascido no Brasil, Buyers juntou-se ao grupo ainda no Brasil, como oficial de ligação.
A última missão do dia, a décima primeira em pouco mais de sete horas, foi a mais dramática. Às 15h45, decolaram os Tenentes Meira, Tormin, Keller e Coelho. Dos quatro, apenas três retornaram. Ao mergulhar sobre um alvo, seguindo seu líder, Coelho foi atingido e teve que saltar de paraquedas, ficando desaparecido até o final da guerra.
No dia seguinte, em 23 de abril, finalmente, os aliados estabeleceram uma cabeça de ponte no Vale do Pó. Engana-se quem pensa que o esforço acabou ali. Por mais três dias, depois de 22 de abril, os pilotos brasileiros voaram dez missões diárias. Nesse esforço, o Tenente Dornelles, com 89 missões, morreu em combate, faltando poucos dias para o final da guerra.

Pesquisa:Blog da FAB
O Resgate FEB

domingo, 13 de abril de 2014

Handset Signal Corps/Telefone de campo F.E.B/US Army

Telefone de Campo foi usado por Signal Corps do exército americano, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial.Os telefones portáteis iriam substituir os sinais telegráficos como uma forma mais eficaz e eficiente para os comandantes e as tropas para manter contato no campo de batalha. A FEB usou estes telefones de campo na campanha na Itália, lê um trecho da entrevista do  soldado da FEB Celestino Fornari - "A ordem para avançar veio por telefone, no dia 12 de abril de 1945. Se não encontrassem resistência, o 3º Batalhão do 11º Regimento de Infantaria da FEB deveria seguir para as colinas de Montese, pequena cidade ocupada pelas tropas do exército alemão no norte da Itália."(trecho tirado de uma matéria do Portal FEB)
A Western Electric Company foi uma empresa Norte Americana do ramo de Engenharia Elétrica sua fundação em 1872.Era o braço direito da AT&T de 1881 a 1995, tendo sido responsável várias inovações tecnológicas e algumas também na área de gerenciamento industrial. Presidente: Charles Whitener e fundador Elisha Gray.Durante a Segunda Guerra Mundial, Western Electric fez milhões de rádios e outros equipamentos de comunicação para as forças armadas. A fabricação de telefones para uso civil foi interrompido durante a guerra.
Este telefone de campo Handset Signal Corps Ts-10-M de 1945 feito para o exército americano, lote numero 84910 da marca Western Electric Company foi utilizado pela FEB na Segunda Guerra.
(acervo O Resgate FEB)
O Soldado da FEB com o telefone de campo em plena batalha.
Foto O Resgate FEB, tirada de um poster no Memorial aos Mortos na Segunda Guerra .(Rio de Janeiro)  
Soldados da FEB em uma trincheira, repare o soldado a direita fazendo o uso do telefone
.
O aparelho completo no Museu da Casa da FEB no Rio antes da reforma.
O telefone exposto mo Museu da FEB de Belo Horizonte
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(foto O Resgate FEB)
O Resgate FEB

Pesquisa: Wikipédia.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

De prisioneiro a comandante de hospital alemão na Itália

O 2º tenente Marcos Eduardo Coelho de Magalhães,
22, havia sido atingido 15 vezes antes de cumprir sua missão de número 85, no dia 22 de abril de 1945. Nessa data, ao invés de atender de imediato o chamado do líder para se reunir, decidiu fazer mais um passe sobre um caminhão e identificou dois tanques escondidos num bosque próximo. Mal picou o avião contra o primeiro alvo, foi recebido por uma forte barragem de antiaérea de 20 mm. O avião tornou-se uma bola de fogo.
“Saltei de paraquedas para não virar churrasco em meu P-47, meu corajoso D-6. Este ficou envolto em chamas, e tive de abandoná-lo sem ter tempo de avisar o comandante da esquadrilha Verde”, conta no livro “Senta a Pua!”.
Enquanto pairava no ar, Coelho ouviu rajadas de metralhadora e descobriu que era alvo de dois oficiais fascistas. Com o paraquedas atingido, ganhou velocidade e atingiu em cheio o telhado de uma casa, quebrando as duas pernas. Por sorte, foi salvo por um cabo alemão, que impediu sua execução sumária.
Levado até um hospital nazista em Reggio Emília, foi operado pelo 1º tenente médico Lubben. Detalhe: sem anestesia, que estava em falta.
Da janela do quarto do hospital, passou a acompanhar as investidas dos P-47 que cortavam os céus da Itália na ofensiva de primavera.
No dia 26 de abril de 1946, às 9h, o médico alemão procurou o brasileiro para despedir-se. “Tenente Coelho, vou abandonar o hospital. De agora em diante é o comandante. Tome minha pistola. Ela representa o símbolo da força que o senhor terá para proteger os homens que vou ser obrigado a deixar. São 12 feridos graves. Para cuidar deles, deixo também três bravos enfermeiros, que se ofereceram para essa missão”, disse a ele em francês, antes de partir.
Na madrugada seguinte, os aliados assumiram o hospital. Antes disso, Coelho impediu que os feridos alemães fossem executados por integrantes da resistência italiana. Dos 12 feridos, quatro não resistiram à noite e morreram. Em 3 de maio, comemorou o final da guerra na Itália com os amigos brasileiros.
Pesquisa : blog da FAB.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Dicionario Militar English/Português.TM 30- 501 Segunda Guerra Mundial

Dicionario Militar inglês-português, utilizado pelos brasileiros para  facilitar a  comunicação com os americanos em operação conjunta na Itália. Editado pelo Departamento da Guerra americano em 28 de agosto de 1944.A versão brasileira do dicionario chamava SAFA ONÇA.
(acervo O Resgate FEB)


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terça-feira, 1 de abril de 2014

A F.E.B em quadrinhos (GIBI)

As guerras são motivo de grande fascinação, já que é assunto retratado em diversas formas de arte, e as Histórias em Quadrinhos não ficariam de fora desta. No passado foram feitos milhares de títulos em gibis narrando histórias do que acontecia nos campos de batalha. Os EUA foi o grande guardião da liberdade durante a Segunda Guerra Mundial, e esta tradição gerou uma formidável geração de contadores de histórias de guerra. Muitas destas histórias vieram parar nos Quadrinhos, um gênero que rapidamente tornou-se muitíssimo apreciado nos tempos de grande popularidade dos gibis.
O Sargento Rock  gibi americano de grande sucesso.
Capas do gibis brasileiros 
"A maioria das revistas não tinham os créditos dos autores, mas podemos identificar vários conhecidos nossos como Juarez Odilon, Ignácio Justo (a capa da Conquista postada é dele). O Diretor de arte era o Rodolfo Zalla"  (Blog Museu dos Gibis)
Rara "Edição Maravilhosa"(EXTRA) de janeiro de 1957  Nº140.Publicada pela Editora Brasil -América Limitada (São Cristóvão -RJ).Do romance brasileiro "TRÊS SOLDADOS" de Lúcia Benedetti, adaptação de Elvira Le Blanc, capa e desenhos de Ramón Liampayas.(desenhista exclusivo da editora) Com 50 paginas.  
(acervo O Resgate FEB)
Os Três Soldados, seu terceiro romance baseado no diário de guerra do pracinha
VALTER  PINHEIRO.O livro tem por tema a campanha da FEB nos campos da Itália
durante a Segunda Guerra Mundial.

(clique na foto para ampliar)
Gibi  Diário de Guerra
Já dentre os artistas brasileiros dos quadrinhos que durante os anos 60 tiveram a oportunidade de escrever e desenhar sobre histórias de guerra, seguiram a linha de Kanigher, e como o Brasil também teve sua participação, sua importância no desfecho do conflito da Segunda Guerra Mundial, não faltaram histórias, não faltou inspiração! Os praças e oficiais da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que cumpriram valorosamente sua missão nos campos de batalha da Itália, já haviam se tornado conhecidos personagens de gibis (em títulos como Conquista e Combate), quando na metade final dos anos 1960 a Gráfica & Editora Penteado (GEP), de Miguel Falcone Penteado, lançou nas bancas o gibi Diário de Guerra, propondo aos leitores logo na capa do primeiro número a chamativa advertência de que se tratava de “uma revista de guerra diferente”. E talvez tivesse mesmo razão: publicando HQs produzidas exclusivamente por artistas brasileiros (ou estrangeiros aqui radicados), muitas das histórias lançadas nesta revista mostravam personagens profundamente humanizados, revelando aos leitores situações reais vividas pelos pracinhas brasileiros - não foi a toa que, dentre os roteiristas da GEP estava Alberto André Paroche, um legítimo ex-pracinha que havia visto de perto os horrores e paradoxalmente a solidariedade nos conflitos bélicos na Segunda Guerra. Garth Ennis, badalado roteirista de hoje em dia que se destacou pela maneira como narra suas histórias.

Exemplares dos gibis Diário de Guerra

Diário de Guerra ano 03  nº10 com três histórias - O CORSÁRIO com texto e desenho de Rodolfo Zalla, DESEMBARQUE episódio ocorreu durante a carga do Royal  Regimento Canada no desembarque aliado em Dieppe com texto e desenho de Rodolfo Zalla e SOLDADO PERDIDO  história de Milton Mattos e desenhos Edno e Edmundo Rodrigues sobre o pracinha Walter Brito da FEB.
(acervo O Resgate FEB)
Pesquisa:
                    Matéria José Salles
                    Blog BIGORNA
                    Blog Museu dos Gibis
                   Matéria: O Resgate FEB