segunda-feira, 14 de novembro de 2011

BATALHÃO DE ENGENHARIA DE COMBATE - F.E.B

Histórico do 9º Batalhão de Engenharia de Combate

O 9º BE Cmb foi criado pelo Decreto nº 4.799, de 6 de outubro de 1942, e organizado no quartel do 1º Batalhão de Engenharia de Combate, na cidade do Rio de Janeiro. Seu primeiro comandante foi o capitão Francisco de Paula Gonzaga de Oliveira. A unidade está sediada na cidade de Aquidauana - MS.
Incorporado à Força Expedicionária Brasileira, o Batalhão participou da II Guerra Mundial, tendo cooperado para o êxito da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária nas conquistas de Monte Castelo, Castelnuovo e Montese. Foi distinguido com a Citação de Combate. A Bandeira Nacional da unidade recebeu a Cruz de Combate de 1ª classe com a Ordem do Mérito Militar. É denominado “Carlos Camisão” em homenagem a esse chefe militar que esteve à frente das forças brasileiras na Retirada da Laguna, durante a Campanha da Tríplice Aliança.
O estandarte do 9º BE Cmb foi criado pelo Decreto nº 39.766, de 13 de agosto de 1956, e recebido na unidade em 19 de dezembro daquele ano. O Estandarte Histórico retrata, em suas cores e símbolos heráldicos, a participação heróica da única unidade de Engenharia do Exército Brasileiro que lutou na 2ª Grande Guerra.

Estandarte Histórico do 9º BE Cmb
Descrição Heráldica
“Forma retangular, tipo bandeira universal, franjado de ouro. Campo de cor azul-turquesa, da Engenharia, com três faixas e três palas, em amarelo-ouro, lembrando a organização ternária do 9º Batalhão de Engenharia Expedicionário – três companhias a três pelotões. Em chefe, a legenda “Batalhão Carlos Camisão”, em letras de ouro. Ao centro, brocante, orlado de ouro, o escudo do brasão de Mato Grosso, lembrando o Estado de onde a histórica Unidade partiu para cobrir-se de louros na Campanha da Itália. Sobre o escudo, estilizados, montanhas em vermelho e rios em prata, que representam, em planos sucessivos, o rio Arno, os Apeninos e o rio Pó – as batalhas em que o 9º Batalhão de Engenharia Expedicionário tomou parte, de 4 de setembro de 1944 a 2 de maio de 1945, incorporado ao IV Corpo do 5º Exército e à Força Expedicionária Brasileira. 
Ao fundo, os Alpes, em dois grupos de montanhas, à destra e à sinistra, lembrando a região em que elementos de vanguarda do 9º B. E. Expedicionário foram dos primeiros a atingir e a entrar em contato com as vanguardas do Exército Francês que progrediam para o Sul da Península Itálica, a 2 de maio de 1945. No escudo, em chefe, três estrelas de prata, com raios de ouro, representando as vitórias nas batalhas do rio Arno, dos Apeninos e do rio Pó em que o 9º B. E. Expedicionário tomou parte integrando a FEB e o 5º Exército Americano. Em contrachefe, na cor verde, as planícies da Itália, cortadas pelos rios Arno e Pó. Por sobre os “Apeninos”, em vermelho, significando o sangue derramado pelos soldados do 9º B. E. Expedicionário nos combates em que tomou parte, a “Cobra Fumando”, símbolo da Força Expedicionária Brasileira. Ao centro do escudo, brocante, o castelo de Engenharia, em prata, com o nº 9, em ouro, na base. Nos cantos – os nomes Camaiore, Monte Castello, Castelnuovo e Montese, combates em que o 9º B. E. Expedicionário tomou parte, em apoio às demais armas e serviços. Laço militar nas cores nacionais com a inscrição de ordem: 9º Batalhão de Engenharia de Combate, em letras de ouro.” (Dec Nr 39.776, de 13 Ago 1956)
(Um pouco de história...)
Relato da participação do 9º BE Cmb na FEB
pelo Marechal Mascarenhas de Moraes
Ponte construída pelo Batalhão de Engenharia da FEB.
Ponte construída pela FEB perto de Pisa
Ponte no Rio Pó (Itália)
Sob o comando do então coronel José Machado Lopes, foi a primeira tropa de engenharia a atravessar o Equador para lutar na Europa e também a primeira unidade do Exército Brasileiro a entrar em ação na Itália, com participação em todas as operações de combate afetas às tropas brasileiras, fosse integrando o destacamento da FEB ao norte de Pisa e no vale do Serchio, fosse atuando no âmbito divisionário, desde os contrafortes da área de Porreta até o vale do Rio Pó.
A primeira tropa brasileira a cumprir missão de combate em território italiano foi a 1ª Companhia do 9º Batalhão de Engenharia, comandada pelo Capitão Floriano Möller. Essa companhia, desde o dia 6 de setembro de 1944, vinha operando, ativa e eficientemente, numa das pontes do Rio Arno, às ordens do IV Corpo de Exército.
A Engenharia brasileira intensificou os trabalhos de restabelecimento das comunicações. Assim, em 16 de outubro, conseguiu realizar o lançamento, na região noroeste de Castellacio, de uma ponte, que proporcionou melhores condições de exeqüibilidade, na margem ocidental do Sercchio, aos movimentos de qualquer natureza.
Prosseguia a engenharia, incansavelmente, na sua tarefa de deixar abertas ao tráfego, apesar da freqüência e abundância das chuvas, as estradas vitais para o desenvolvimento das operações sobre Castelnuovo di Garfagnana.
Ao 9º Batalhão de Engenharia se incorporou, nessa data, a sua 1ª Cia., que integrava o Destacamento FEB. Com a chegada desses elementos, terminou o fluxo ao vale do Reno das tropas brasileiras que estiveram atuando na frente de Garfagnana. Dois dias depois, isto é, em 9 de novembro de 1944, o General Mascarenhas de Morais assumia o comando do setor Marano-Riola, que englobava a Força Gardner
Com o objetivo de executar a ordem do IV Corpo, o comando brasileiro organizou um grupamento de ataque, com a missão de conquistar Monte Castelo e ocupar e manter a linha: cabeceiras orientais do arroio que passa em C. Zolfo – vertente norte de Monte Castelo – região de Carvrullo. O 9º BE foi empregado na preparação das estradas e ficou em condições de acompanhar os blindados norte-americanos, se estes tivessem avançado.
Para cumprir a missão da ação ofensiva principal, sobre Monte Castelo – La Serra, o Regimento Sampaio passou a dispor da 1ª Cia do 9º BE, em missão de acompanhamento.
O 9º BE, comandado pelo Coronel Machado Lopes, deveria destacar duas companhias para a conservação e restabelecimento das estradas, em particular a de Gaggio – Le Roncole – Abetaia, enquanto a outra companhia, em acompanhamento ao ataque do Regimento Sampaio, incumbir-se-ia do levantamento de minas em proveito dos carros-de-combate norte-americanos.
Em janeiro de 1944, o 9º BE deslocou-se para Três Rios , Estado do Rio de Janeiro, onde ficou concentrado.
Em junho de 1944, embarque no cais do porto do Rio de Janeiro, dos elementos precursores do 1º Escalão de Embarque.
Em 16 de julho, chegada a Nápolis do navio conduzindo o 1º Escalão de Embarque.
Em 6 de setembro, a 1ª Cia. De Engenharia passa à disposição do IV Corpo; é a primeira tropa brasileira a entrar em ação.
Em 13 de novembro, o 9º BE completou sua reunião em Suviana. “
Do livro: A FEB pelo seu Comandante
J. B. Mascarenhas de Moraes
Citação de Combate ao 9º BE Cmb
Além das medalhas, condecorações e citações de combate a que fizeram jus seu integrantes, o 9º Batalhão de Engenharia mereceu do Comandante da FEB uma significativa Citação de Combate, cujo texto é consignado na íntegra, a seguir:
Pelotão caça-minas ( 9º Batalhão de Engenharia )
“A 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária teve no 9º Batalhão de Engenharia uma unidade à altura do seu renome, nesta Campanha da Itália, em que participaram, vitoriosamente, as Armas brasileiras.
Unidade de escol, teve a feliz oportunidade de ter sido a primeira tropa a ser engajada contra o inimigo.
Participou, sem conhecer canseiras e mostrando sempre o alto padrão de sua eficiência, de todas as operações de guerra afetas às tropas brasileiras, seja integrando o Destacamento FEB ao norte de Pisa e no vale do Sercchio, seja atuando no âmbito divisionário, desde os contrafortes da área de Porreta até o vale do Rio Pó.
Entre os seus mais assinalados feitos, sobrelevam-se, indelevelmente, as jornadas estafantes da preparação das estradas, reconstrução de pontes e a desobstrução do túnel de Castelacio, que serviram para facilitar e consolidar as memoráveis vitórias que obtivemos no vale do Sercchio; sobressaem repletas de glórias e sacrifícios as páginas que escreveu para a conquista de Monte Castelo, Castelnuovo e Montese, onde a sua colaboração foi particularmente eficiente, a despeito da ação mortífera e aproximada do inimigo, nas missões de acompanhamento, remoção e balizamento de campos minados e desobstrução das comunicações; mais tarde, já nas operações de exploração de êxito e perseguição, seus elementos avançados, na árdua tarefa de busca e neutralização das minas esparsas e campos minados, proporcionaram às tropas brasileiras elementos de real valia na manobra divisionária, que culminou com o aprisionamento da 148º DI alemã. O 9º BE confirmou, portanto, nos campos de batalha da Península Itálica o acerto de sua escolha como participante da FEB e o valor inconfundível do moderno soldado de engenharia, dirigido por quadros capazes e por um comando sereno e proficiente.
Concorreu, assim, brilhantemente para que à nossa Pátria fosse reservado um lugar de relevo entre as nações que velarão pela paz vindoura e futura reconstrução de um mundo livre e feliz.”

Do livro: "Quebra Canela"
Gen Raul da Cruz Lima Jr., Bibliex, RJ
(Um pouco de história...
)
“Quebra canela” – inimigo invisível na batalha de Rocca Pittigliana
"Às 4h 50 min da madrugada do dia 3 de março de 1945, o Ten Viveiros, Comandante do 4º Pelotão de Engenharia, recebeu , em Seneveglio, a péssima notícia de que houvera um acidente com a turma de mineiros que operava na direção de Oratorio de La Sassane. A Divisão Brasileira havia conquistado Monte Castelo no dia 21 de fevereiro, e agora operava no vale do rio Marano, com o objetivo de conquistar Rocca Pittigliana. 
A região estava fortemente minada; protegidas pela noite, patrulhas mistas de Infantaria e Engenharia abriam passagens nos campos minados, facilitando o ataque imediato. Naquela madrugada, os mineiros balizavam o caminho à frente da Infantaria, com a finalidade de assegurar uma boa partida para o ataque que se realizaria na manhã do mesmo dia, quando ocorreu a tragédia. Imediatamente, o tenente deslocou-se para o local, encontrando, logo adiante, com o rosto coberto de sangue, o cabo José Galdino, transportando nos braços o seu companheiro, o Cabo Arlindo dos reis, que além de ferimentos por todo o corpo, apresentava, no lugar da sua perna esquerda, um coto sangrento. Assim agindo, não obstante os ferimentos, o Cabo Galdino partira com o companheiro em busca de socorro, salvando-lhe a vida. O bravo pelotão de Infantaria do Ten Iporan foi a primeira tropa do 11ºRI a penetrar na cidadela de Montese, na tarde do dia 14 de abril de 1945; fê-lo com tal ímpeto que surpreendeu os observadores inimigos postados na torre da igreja. Com ele estavam os elementos do 6º Pelotão de Engenharia, sob o comando do Ten Vinhaes, que o acompanharam desde a linha de partida, com a finalidade de remover obstáculos e abrir brechas em campos minados. Sob forte bombardeio, durante a noite de 14 para 15, por várias vezes as ligações com retaguarda foram cortadas, temendo-se pela vida daquele pugido de valorosos combatentes. 
Na manhã do dia 15, o Ten Vinhaes recebeu um pedido urgente para socorrer um grupo de soldados que havia caído em campo minado; os engenheiros levavam algum tempo para abrir a brecha através das minas até alcançar os feridos. Depararam-se com um quadro terrível; os rostos estavam deformados e sujos de lama, para aliviar a sede colocaram terra molhada na boca e no lugar dos pés restava, apenas, uma mancha de sangue. 
Do livro: "Quebra Canela"
Gen Raul da Cruz Lima Jr., Bibliex, RJ
Ilustração: Henrique Moura





2 comentários:

  1. Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Nayara e cheguei até vc através do Blog Alma de poesia. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir um blog do meu amigo Fabrício, que eu acho super interessante, a Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. A Narroterapia está se aprimorando, e com os comentários sinceros podemos nos nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs





    Narroterapia:

    Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.



    Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

    http://narroterapia.blogspot.com/

    ResponderExcluir